sábado, outubro 15, 2011

Xenofobia travestida em autodeterminação

Há muito tempo atrás, quando meus pais me levaram para a matrícula no primeiro ano do primário, alguém da escola me perguntou se eu era brasileiro. Respondi no ato: não, sou paulista. Claro, naquela época eu só sabia que meus pais eram mineiros e eu tinha nascido em São Paulo.
Mais recentemente, um colega gaúcho me perguntou como era o Hino de São Paulo. Respondi que não tinha a mínima ideia. Além do Hino Nacional, que chamo carinhosamente de “o virundum”, lembro apenas do Hino à Bandeira, que meu pai militar me ensinou, e o Hino da Independência do Brasil, que começava assim nos tempos de ginásio: “japonês, da pátria filhos...”.
Nos tempos de ginásio e colégio, que coincidiram com a pior fase da ditadura militar, tive aulas de Educação Moral e Cívica. Não posso dizer que não foi válido, mas confesso que não concordo com o belicismo presente na maioria desses hinos e com essa tese de “morrer pela pátria”. Acho muito fascista esse negócio de farda, arma, marcha e símbolos nacionais. Você pode dizer que eu sou um sonhador, como John Lennon, mas acho que o mundo seria melhor sem fronteiras e motivos para lutar ou morrer, e até mesmo sem o materialismo das posses e a alienação das religiões.
A História tem demonstrado que a exacerbação do nacionalismo acaba sempre fomentando o totalitarismo. Nesse processo, em geral, a primeira etapa traz manifestações de preconceito e intolerância, como aquelas promovidas por jovens racistas nas redes sociais aqui em São Paulo. Não é um grande problema, já que se trata de alguns filhinhos de papai (ou aspirantes), de berço reacionário, com algum dinheiro e eventualmente algum estudo, mas pouca ou nenhuma cultura. No entanto, esse fenômeno pode ser preocupante se acontecer no interior do país e nas regiões de fronteira, onde as diferenças se acentuam e há um grande provincianismo.
Hoje uma proposta de transformar a região sul do Brasil em um país está sendo votada em Porto Alegre. É a terceira pesquisa, cuja tese já foi rejeitada em Curitiba e aprovada em Florianópolis, promovida pelo grupo separatista “O Sul é o meu País”. Esse movimento é menos radical que o “Pampa Livre”, grupo fascista que pretende a independência do Rio Grande do Sul, mas não menos provinciano e xenofóbico.

Um comentário:

povodeslumbrado disse...

Excelente interpretaçao! E' isso mesmo.

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