Spam, ainda!

A Internet ainda é adolescente no Brasil, com seus 15 ou 16 anos. Talvez por isso muitos internautas ainda não adquiriram a maturidade digital. Ainda hoje recebo spams de todo o tipo. São apresentações em PowerPoint sobre diversos temas, desde pornografia até textos de auto-ajuda e religiosidade, campanhas difamatórias, estórias de conspiração, “dicas” e lendas urbanas, phishing e toda sorte de fraudes e contra-informação. Mesmo com as chamadas redes sociais ou de relacionamento, talvez mais adequadas para a troca desses lixos, muita gente ainda se ocupa em repassar spam a torto e a direito sem questionar nem por um segundo a procedência daquele entulho inútil.
Outro dia recebi um spam que detalhava um novo tipo de radar e sua localização em diversas ruas e avenidas. Nem acabei de ler e já o marquei como spam e o deletei. È o tipo de “informação” que, para mim, além de não solicitada, é inútil. E por uma razão muito simples. Não preciso saber onde tem e onde não tem radar. Baseio-me na sinalização e conduzo de acordo com as regras de trânsito. Simples assim. Lembrei inclusive de uma visita à Suécia que fiz há alguns anos. Era passageiro em uma viagem de negócios e, na estrada, comentei com o motorista que não tinha visto nenhum posto ou policial rodoviário em mais de 300 km pelo interior do país. O sueco me disse que a polícia poderia ser qualquer automóvel que cruzasse ou passasse por nós, já que lá andavam sempre à paisana. Também não havia sinalização para localização de radares. As pessoas simplesmente respeitavam as regras. Quando alguém ia beber, simplesmente não dirigia. Achei fantástico. Aqui é justamente o contrário. As pessoas que têm algum dinheiro, mas nenhuma educação, querem ter carrões superpossantes para voar baixo nas ruas e nas estradas. Usam aquelas fitinhas nas placas para dificultar sua identificação. Compram em Miami aqueles detectores de radares para pisarem no freio apenas nas imediações do radar para, em seguida, voltar a voar baixo. E adoram ultrapassar pelo acostamento. Afinal, de acordo com a lei de Gérson, o importante é levar vantagem.
A nossa gloriosa classe média, de gente que frauda o imposto de renda e se gaba por ter conseguido uma restituição maior todo ano, é expert em criticar os governos e os políticos, na esteira do golpismo midiático. Essa gente, engajada na sórdida campanha do Zé Chirico no ano passado, espalhou spam apócrifo e difamatório contra a presidenta, inclusive aquela ficha falsa que a Folha, em uma de suas maiores barrigadas, publicou irresponsavelmente. Pois é, essa gente esperta dizia que não votaria na presidenta porque ela teria sido terrorista. No entanto, em São Paulo, esses fãs do lixo acabaram votando e elegendo um senador que foi terrorista, segundo a própria direita. Simplesmente esses spammers não sabiam que o senador foi motorista e guarda-costa do Marighela, pela ALN. Ou seja, foi um espetáculo de ignorância, preconceito e cinismo.

Comentários