quinta-feira, agosto 18, 2011

A Corrupção e o Complexo de Vira-Lata

Hoje em dia o assunto “corrupção” volta a ficar na moda. Para quem se “informa” apenas pela mídia golpista, dá a impressão de que a corrupção nunca antes existiu no Brasil e apenas começou em 2002 com o governo Lula. Aliás, a mídia, que apoiou o regime militar, deixou bem claro seu golpismo durante o governo Collor, quando conseguiu afastar o presidente eleito através do impeachment de 1992. A Veja e a Folha comandaram a campanha contra Collor. Na época, a Folha apresentava o slogan: “A Folha não chuta cachorro morto” para dar a impressão de que não tinha nada a ver com o que aconteceu. Depois, no governo Lula, a mídia golpista (Veja, Folha, Estado, Globo) assumiu o papel de partido de oposição, já que a oposição se tornou uma nau sem rumo, sem proposta, sem projeto, totalmente derrotada e perdida. Hoje, passada a chamada lua-de-mel, a mídia golpista já começou a trabalhar na campanha eleitoral da direita com vistas a 2014, passando pelas eleições municipais do ano que vem. Nesse contexto, os parajornalistas dos diversos tablóides estão trabalhando duramente e fazendo hora extra para encontrar problemas que comprometam o governo Dilma, da mesma forma que fizeram no ano passado durante a sórdida campanha do “mais preparado dos brasileiros” e o “presidente de nascença” Zé Chirico.
Pessoalmente vejo muita gente mal-informada e alienada, em um coro com a mídia golpista, falando mal do governo. É uma situação tragicômica, já que muitas dessas pessoas sempre votaram num tal candidato condenado porque esse “roubava, mas fazia”. Algumas dessas pessoas se gabam todo o ano por ter obtido uma restituição maior do imposto de renda por tê-lo fraudado. Outros deram propina para obter a licença de motorista ou subornaram algum guarda para se livrar de uma multa. Há os que usam aquelas fitinhas nas placas para burlar a fiscalização, ou “importam” dispositivos para anular os radares e assim poder andar a mil sem nenhum respeito à sinalização viária. E tantos praticam descaradamente a lei de Gérson – afinal, o importante é levar vantagem, não é mesmo? Conheço mesmo gente que me disse que não ia votar na presidenta porque ela teria sido terrorista, mas elegeu um senador que foi motorista e guarda-costas do Marighela. A tragédia é que essas pessoas nem sabem quem foi Marighela. Ou seja, há uma mistura de ignorância, preconceito, cinismo e hipocrisia no ar.
Para completar, infelizmente muitos de nós ainda sofrem do complexo de vira-lata e é comum se ouvir que o Brasil é o país mais corrupto do mundo. Segundo a Transparência Internacional os países com menor percepção de corrupção são Dinamarca, Nova Zelândia e Singapura com nota 9,3. Desse ranking de 178 países, destaco 10 para nossa reflexão:
País / Ranking / Nota
Chile / 21º / 7,2
Estados Unidos / 22º / 7,1
Uruguai / 24º / 6,9
Itália / 67º / 3,9
Brasil / 69º / 3,7
Índia / 87º / 3,3
México / 98º / 3,1
Argentina / 105º / 2,9
Paraguai / 146º / 2,2
Rússia / 154º / 2,1

terça-feira, agosto 09, 2011

Lone Scherfig

Ela é a dinamarquesa que dirigiu até o momento sete filmes, dos quais destaco três:
  • Italiano Para Principiantes (Italiensk for begyndere, 2000), comédia romântica pertencente ao Dogma 95 – movimento cinematográfico de vanguarda lançado em 1995 pelos diretores Thomas Vinterberg (de “Festa de Família”, primeiro filme do movimento) e Lars von Trier (de “Dogville”).
  • Meu Irmão Quer Se Matar (Wilbur Wants to Kill Himself, 2002), exibido na última Mostra Internacional de Cinema, e reprisado recentemente pela TV Cultura.
  • Educação (An Education, 2009), cujo roteiro de Nick Hornby (de “Alta Fidelidade”, 2000) foi baseado nas memórias de uma jornalista britânica (Lynn Barber).
São filmes que abordam comportamentos e relacionamentos em detalhes, que são realistas sem ser pesados, mas sensíveis e bem humorados. É o moderno cinema europeu, que recomendo muitíssimo.

segunda-feira, agosto 08, 2011

Spam, ainda!

A Internet ainda é adolescente no Brasil, com seus 15 ou 16 anos. Talvez por isso muitos internautas ainda não adquiriram a maturidade digital. Ainda hoje recebo spams de todo o tipo. São apresentações em PowerPoint sobre diversos temas, desde pornografia até textos de auto-ajuda e religiosidade, campanhas difamatórias, estórias de conspiração, “dicas” e lendas urbanas, phishing e toda sorte de fraudes e contra-informação. Mesmo com as chamadas redes sociais ou de relacionamento, talvez mais adequadas para a troca desses lixos, muita gente ainda se ocupa em repassar spam a torto e a direito sem questionar nem por um segundo a procedência daquele entulho inútil.
Outro dia recebi um spam que detalhava um novo tipo de radar e sua localização em diversas ruas e avenidas. Nem acabei de ler e já o marquei como spam e o deletei. È o tipo de “informação” que, para mim, além de não solicitada, é inútil. E por uma razão muito simples. Não preciso saber onde tem e onde não tem radar. Baseio-me na sinalização e conduzo de acordo com as regras de trânsito. Simples assim. Lembrei inclusive de uma visita à Suécia que fiz há alguns anos. Era passageiro em uma viagem de negócios e, na estrada, comentei com o motorista que não tinha visto nenhum posto ou policial rodoviário em mais de 300 km pelo interior do país. O sueco me disse que a polícia poderia ser qualquer automóvel que cruzasse ou passasse por nós, já que lá andavam sempre à paisana. Também não havia sinalização para localização de radares. As pessoas simplesmente respeitavam as regras. Quando alguém ia beber, simplesmente não dirigia. Achei fantástico. Aqui é justamente o contrário. As pessoas que têm algum dinheiro, mas nenhuma educação, querem ter carrões superpossantes para voar baixo nas ruas e nas estradas. Usam aquelas fitinhas nas placas para dificultar sua identificação. Compram em Miami aqueles detectores de radares para pisarem no freio apenas nas imediações do radar para, em seguida, voltar a voar baixo. E adoram ultrapassar pelo acostamento. Afinal, de acordo com a lei de Gérson, o importante é levar vantagem.
A nossa gloriosa classe média, de gente que frauda o imposto de renda e se gaba por ter conseguido uma restituição maior todo ano, é expert em criticar os governos e os políticos, na esteira do golpismo midiático. Essa gente, engajada na sórdida campanha do Zé Chirico no ano passado, espalhou spam apócrifo e difamatório contra a presidenta, inclusive aquela ficha falsa que a Folha, em uma de suas maiores barrigadas, publicou irresponsavelmente. Pois é, essa gente esperta dizia que não votaria na presidenta porque ela teria sido terrorista. No entanto, em São Paulo, esses fãs do lixo acabaram votando e elegendo um senador que foi terrorista, segundo a própria direita. Simplesmente esses spammers não sabiam que o senador foi motorista e guarda-costa do Marighela, pela ALN. Ou seja, foi um espetáculo de ignorância, preconceito e cinismo.