Pasquim diz que advogado pagou "estadia" de ministro do STF

Hoje é manchete da Folha que advogado pagou estadia de ministro do STF. Claro, ela se refere ao ministro Antônio Dias Toffoli, por este ter sido um dos duzentos convidados a uma festa promovida por um advogado na Itália. Talvez o ministro não devesse ter aceitado o convite do amigo, mas acontecido isto, agora bastaria que ambos tomassem o cuidado de evitar trabalho conjunto em algum caso. Bem, não entendo muito o trâmite do Judiciário. No entanto, ao pensar um pouco nos motivos da Folha, que hoje parece toda serelepe porque o Jobim declarou ter votado no Çerra (grande novidade!), lembrei que ela não é assim tão "isenta, plural e apartidária" quando se trata de ministro ligado ao tucanato, como é o caso do Gilmar Mendes. Veja mais detalhes no Blog do Mello.
Na minha infância muitas vezes meu pai me perguntava em que gibi eu tinha lido sobre determinado fato, quando esse era ou parecia improvável ou não digno de credibilidade. Hoje eu responderia que li no jornal. Não que eu aprove a atitude de não ler jornais ou só ler as seções de esportes e entretenimento. Conheço muita gente com essas atitudes, e o pior é quando acabam formando opinião com base em spam e fofoca.
Outro aspecto interessante da manchete é o mau uso do vocábulo "estadia". Na norma culta, à qual deveria seguir o jornal, esse termo é adequado para meios de transporte, como navio, automóvel, carroça e até animais. O termo adequado para a permanência de uma pessoa em algum local é "estada". O jornal que apoiou explicitamente a ditadura militar, e tem entre seus articulistas até torturador, agora deixa de lado até a boa gramática. Tudo bem que a língua é dinâmica e faz todo sentido a gente falar "cê" ou "você" em vez de "vossa mercê", mas a um veículo que pretende formar opinião não fica bem acelerar o processo nivelando por baixo. Infelizmente é o caso desse pasquim, que imerso não declaradamente na campanha do Zé Chirico, publicou até ficha falsa e apócrifa sobre a presidenta.
É, não dá mais pra ler, mesmo.

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