Para entender a vitória do povo

Dilma venceu na região norte, com destaque para o Amazonas, e com exceções mais importantes de Roraima e principalmente do Acre. No Acre, o Tião Viana se elegeu no primeiro turno, batendo o candidato da direita. Não sei até que ponto a Marina teve influência.
Dilma venceu bem no Nordeste, com destaque para Maranhão, Ceará, Pernambuco e Bahia.
Dilma venceu no sudeste, graças a Minas e Rio, que fizeram toda a diferença. Para entender o resultado de Minas é preciso lembrar do editorial do jornal “O Estado de Minas” em 3 de março: “Minas a reboque, não!”.
As regiões sul e centro-oeste optaram pelo candidato da direita, com destaque para Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
A coalizão de direita elegeu dez governadores, com destaque para Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas. Minas só não quis votar no paulistano Zé Chirico. Em São Paulo, a vitória do Picolé de Chuchu, da Opus Dei, foi apertada e, mesmo para a presidência, a direita não deslanchou. No Paraná, venceram os defensores da liberdade de expressão que impediram a divulgação de pesquisas e foram punidos pelo T.R.E. por divulgar pesquisas clandestinas! A escolha de Santa Catarina não é nenhuma novidade, já que é reduto da direita, talvez por causa da forte presença de imigrantes germânicos.
No Pará, a Ana Júlia não conseguiu se reeleger.
O PSB foi muito bem nessas eleições, dobrando o número de governadores, totalizando seis deles, com destaque para o Eduardo Campos, que teve 82,84% em Pernambuco. Foi bem também no Espírito Santo, com 82,30%, vencendo a direita, mas o estado surpreendentemente preferiu o Zé Chirico. O PSB perdeu da direita apenas no Rio Grande do Norte. A direita, por outro lado, perdeu principalmente no Rio, com o vira-casaca Gabeira, e no Ceará, onde Tasso Jereissati faz companhia aos “mortos-vivos”, ao lado de Artur Virgílio, Heráclito Fortes e Mão Santa. E na Bahia, o carlismo foi definitivamente sepultado, graças a Deus.
No Distrito Federal, onde Marina venceu no primeiro turno, deu Dilma e Agnelo. Curiosamente, a Weslian Roriz até que teve uma votação expressiva (33,90%), considerando-se as circunstâncias. O marido dela, o vira-casaca Joaquim Roriz, como se sabe, esteve envolvido em diversos escândalos, ao lado do José Roberto Arruda. Este seria candidato a vice do Zé Chirico, não fosse o envolvimento no mensalão do DEM.
Um fato curioso aconteceu no Rio Grande do Sul, onde o Tarso Genro se elegeu no primeiro turno, após uma gestão catastrófica da Yeda Crusius, que não conseguiu nem disputar o segundo turno. Lá Dilma venceu no primeiro turno, mas no segundo turno o Zé Chirico ficou na frente por uma pequena vantagem.
Falando-se de cidades, destaco as vitórias de Dilma no ABC: Diadema, Mauá, São Bernardo do Campo e Rio Grande da Serra. Curiosamente, o candidato da direita obteve uma virada principalmente em Belo Horizonte, Guarulhos e Santo André.
A impressão é de que a direita venceu apenas nas localidades mais privilegiadas em termos econômicos e, apesar do terrorismo que tentou impor à população, perdeu porque, segundo o IBGE, 30 milhões de brasileiros ascenderam à classe média e houve crescimento da renda e do emprego com carteira assinada nesse governo, avaliado como bom e ótimo por mais de 80% da população. O resultado não poderia ter sido diferente.
Em tempo: é bom lembrar uma reporcagem da Folha, de 13/08/2006, segundo a qual 47% do eleitorado diz ter posição política de direita.

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