quinta-feira, outubro 07, 2010

Festa adiada

Aviso aos navegantes: a nossa festa foi transferida para dia 31. Se o povo quiser, teremos então a primeira mulher presidente do Brasil. Na segunda-feira, confesso que fiquei desapontado quando soube que haverá segundo turno. Temi as conseqüências de mais um mês de baixaria, difamação e calúnia contra a candidatura da Dilma. A direita, que se safou de uma derrota humilhante no primeiro turno, está em festa. Alguns alienados voltaram a me enviar spams que fazem parte de uma campanha sórdida promovida por ex-torturadores.
Para falar a verdade, nem ligo mais para esses spams, que já identifico apenas pelo título e pelo nome do remetente. Geralmente são reproduzidos por pessoas de boa índole, comuns na velha classe média, gente que não é rica e nem pobre, mas que faz escolhas baseadas ora na ignorância e ora no preconceito. Quando me refiro à ignorância, não o faço de forma pejorativa, mas no sentido de que tais pessoas não conhecem a história recente do país. Darei um exemplo. Sem que eu perguntasse, uma pessoa me disse que não votou na Dilma porque ela teria sido terrorista. Claro que essa pessoa não sabia que o Serra também foi, mas que fugiu para Paris quando a repressão recrudesceu. Mas aí veio o que eu já esperava. Perguntei sobre a escolha dessa pessoa para o Senado. No ato ela me disse: Aloysio, claro. Respondi que não entendi essa incoerência: a pessoa não votou em uma terrorista para presidente, mas votou em um terrorista para senador. Claro que tal pessoa não sabia que o Aloysio Nunes Ferreira, também conhecido por Beto ou Mateus, foi quadro do Partidão e militou na ALN, onde era motorista do Marighela. Sem dúvida, essa pessoa não sabe o que foi o Partidão, o que significou a ALN e muito menos quem foi Marighela. Claro. Então concluí que aquele cidadão fez as escolhas que fez por duas razões: ignorância e preconceito.
Em tempo: para mim, nem a Dilma, nem o Aloysio, nem o Gabeira e nem tantos outros que sobreviveram foram terroristas, mas sim heróis da resistência à ditadura militar.

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