terça-feira, setembro 14, 2010

Viver é fazer escolhas

Quem me conhece sabe que não sou um grande entusiasta dos assuntos religiosos. Mas confesso que as últimas eleições e o referendo sobre a proibição da comercialização de armas de fogo e munições, ocorrido em 2005, trouxeram à minha lembrança aquela passagem de Mateus 24:40-41: “Então dois estarão no campo, um será tomado, e deixado o outro, duas estarão trabalhando num moinho, uma será tomada, e deixada a outra”. Explico o motivo. De alguma forma, acho desconfortável a situação em que pessoas, inclusive amigos, parentes e familiares acabam por fazer escolhas diferentes e mesmo antagônicas. É claro que o problema não é a democracia e o pluralismo. O problema passa a existir quando as pessoas se separam e se afastam por causa daquelas escolhas e há uma ruptura que se aprofunda pela falta de tolerância. A exacerbação desse processo leva eventualmente à agressividade e ao ódio.
Pela observação da linguagem, tanto falada quanto escrita, de pessoas inconformadas com a escolha alheia, a impressão que dá é que pessoas conhecidas se tornam irreconhecíveis. Ou talvez tais pessoas estejam mostrando eventualmente quem elas realmente são e sempre foram de forma oculta, como se suas máscaras estivessem caindo. Sem dúvida, é uma oportunidade de ouro para se conhecer as pessoas, e mesmo para o autoconhecimento.
Cito o autoconhecimento porque reconheço que cheguei a responder de forma ríspida a alguns spams retransmitidos por conhecidos, amigos e até parentes. Talvez devesse ter simplesmente apagado aquelas mensagens. Muitas pessoas espalham spams por inocência e ignorância. Parte delas imagina que está fazendo uma coisa boa ao “informar” a quem se preza. Então o melhor a fazer é simplesmente não ler, mas apagar essas mensagens, já que aprendi a identificá-las já pelo título. Em se tratando de spam eleitoral, vale lembrar que a vida continua depois das eleições e não vale a pena romper com as pessoas por causa disso.
A propósito do referendo citado acima, a campanha do “não” venceu, bancada pela indústria de armamentos, com vultosas doações da Taurus e da CBC, e com o apoio explícito da revista Veja. Eu optei pelo “sim” e não fiquei magoado com quem escolheu diferente. No entanto, desde aquele dia não consigo mais ler aquela revista. Não sou radical. Afinal, ali ficou definitivamente claro que se trata de uma imprensa vendida, racista, reacionária e golpista.

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