quarta-feira, setembro 29, 2010

Está chegando a hora

Domingo vai rolar a festa. Do povo. Sua. Nossa. De quem quiser.
Mas tem gente que vai ficar de fora:
Filhinho de papai que ridiculariza empregados domésticos. E gente chique que se diverte com isso.
Novo-rico que sonega imposto de renda. E acha que o importante é levar vantagem em tudo, certo?
Jornalista que ofende e humilha garis. E que chama patrão de colega.
Spammer que espalha difamação e conspiração.
Hipócrita que posa de moralista.
Reacionário de memória curta, isto é, que não lê, e se “informa” por fofoca e por spam.
Xenófilo que acha que tudo que é primeiro-mundo é melhor. E que tem vergonha do que é genuinamente brasileiro.
Gente cheirosa que tem nojo de pobre.
Viúva e filhote da ditadura.
Torturador.
Fujão.
Vira-casaca.
Esqueci de alguém?

sábado, setembro 25, 2010

Liberdade sob ataque

Essa é a manchete na capa da revista Veja desta semana. Faz parte do movimento dos reacionários iniciado há uma semana e que realizou um ato público na última quarta-feira, chamado de “manifesto em defesa da democracia”. Tudo começou sábado passado, em Campinas, quando o presidente afirmou que alguns jornais e revistas se comportam como se fossem um partido político e têm um candidato. É claro que Lula se referiu ao PiG, principalmente Veja e Folha, que se transformaram no comitê central da campanha de Serra à presidência. Diz-se que amanhã o Estadão vai declarar seu voto em Serra. Apesar de tudo, tenho que reconhecer que o Estadão sempre foi mais transparente que a Folha, desde os anos de chumbo.
Na quinta-feira houve o ato contra o golpismo midiático e pela ampla liberdade de expressão, no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. No mesmo dia, Lula afirmou ao portal Terra que nove ou dez famílias dominam a comunicação no Brasil. É verdade.
Há uma polarização que se acentua à medida que as eleições se aproximam, e cresce a possibilidade do candidato da direita ser derrotado já no primeiro turno. Agora as viúvas da ditadura militar estão ansiosas para reeditar a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, que precedeu o golpe de 1964. Fala-se na tal bala de prata. Os moços da Veja e da Folha estão fazendo hora-extra a procura de algum factóide que possa prejudicar a eleição da Dilma já no primeiro turno. Para essa gente cansada, o que estraga a democracia é o voto do povo. Aliás, eles nem conseguem pronunciar essa palavra, povo, substituindo-a por polvo.
Só a imprensa pode criticar. Se for criticada, invoca o direito à liberdade de expressão. Foi assim também no caso das charges de Maomé, lembra? Apenas a mídia deve ter o direito à liberdade de expressão, ou então estaremos sob risco de autoritarismo. Essa é a lógica de nossa mídia vendida, racista, reacionária e golpista.
Em tempo, e fazendo justiça: as capas da IstoÉ e da CartaCapital estão bem mais realistas.

terça-feira, setembro 14, 2010

Viver é fazer escolhas

Quem me conhece sabe que não sou um grande entusiasta dos assuntos religiosos. Mas confesso que as últimas eleições e o referendo sobre a proibição da comercialização de armas de fogo e munições, ocorrido em 2005, trouxeram à minha lembrança aquela passagem de Mateus 24:40-41: “Então dois estarão no campo, um será tomado, e deixado o outro, duas estarão trabalhando num moinho, uma será tomada, e deixada a outra”. Explico o motivo. De alguma forma, acho desconfortável a situação em que pessoas, inclusive amigos, parentes e familiares acabam por fazer escolhas diferentes e mesmo antagônicas. É claro que o problema não é a democracia e o pluralismo. O problema passa a existir quando as pessoas se separam e se afastam por causa daquelas escolhas e há uma ruptura que se aprofunda pela falta de tolerância. A exacerbação desse processo leva eventualmente à agressividade e ao ódio.
Pela observação da linguagem, tanto falada quanto escrita, de pessoas inconformadas com a escolha alheia, a impressão que dá é que pessoas conhecidas se tornam irreconhecíveis. Ou talvez tais pessoas estejam mostrando eventualmente quem elas realmente são e sempre foram de forma oculta, como se suas máscaras estivessem caindo. Sem dúvida, é uma oportunidade de ouro para se conhecer as pessoas, e mesmo para o autoconhecimento.
Cito o autoconhecimento porque reconheço que cheguei a responder de forma ríspida a alguns spams retransmitidos por conhecidos, amigos e até parentes. Talvez devesse ter simplesmente apagado aquelas mensagens. Muitas pessoas espalham spams por inocência e ignorância. Parte delas imagina que está fazendo uma coisa boa ao “informar” a quem se preza. Então o melhor a fazer é simplesmente não ler, mas apagar essas mensagens, já que aprendi a identificá-las já pelo título. Em se tratando de spam eleitoral, vale lembrar que a vida continua depois das eleições e não vale a pena romper com as pessoas por causa disso.
A propósito do referendo citado acima, a campanha do “não” venceu, bancada pela indústria de armamentos, com vultosas doações da Taurus e da CBC, e com o apoio explícito da revista Veja. Eu optei pelo “sim” e não fiquei magoado com quem escolheu diferente. No entanto, desde aquele dia não consigo mais ler aquela revista. Não sou radical. Afinal, ali ficou definitivamente claro que se trata de uma imprensa vendida, racista, reacionária e golpista.

sábado, setembro 11, 2010

A Noite dos Mortos-Vivos

A Noite dos Mortos-Vivos (Night of the Living Dead, George Romero, 1968) é um filme de terror, independente e de baixo custo, que acabou se tornando um dos maiores clássicos do gênero. Nele, um homem morto se levanta, antes de ser enterrado, e ataca os irmãos Barbra e Johnny, que estão depositando flores no túmulo do pai. Ela consegue escapar, refugiando-se na casa sede de uma fazenda. Devido a uma estranha radiação vinda do espaço, os mortos estão voltando a andar! Bem, não vou contar o filme, que consegui ver somente hoje. Durante sua exibição, que tem começo, meio e fim bem delimitados, seqüenciais, sem flashbacks, fiquei me perguntando qual seria o significado daquela horda de zumbis perseguindo as pessoas para literalmente devorá-las. É importante lembrar do momento histórico pelo qual passava os Estados Unidos. Seria uma multidão de comunistas bárbaros a fim de destruir o modo de vida americano? Seria a nova geração, prestes a romper com as sagradas tradições? Seria um levante dos reprimidos, dos grupos marginalizados, dos sem-teto, dos sem-terra, dos pobres, dos negros, dos homossexuais? Seria um ataque de alienígenas? Seriam os japoneses, os chineses, os muçulmanos? Pensando nos dias de hoje, bem que poderiam ser comparados a computadores e usuários zumbis espalhando spam e atacando sites (e outros usuários). Sem dúvida, o violento e apocalíptico filme do Romero critica o patriotismo, a xenofobia, o conservadorismo, a alienação e o papel da mídia. É um filme que está passando agora, se você pensar bem.

Mídia golpista hoje

Domingo é dia de folhear os jornalões e tentar entender o que a máfia dos barões da mídia está querendo que a gente acredite. O Globo, en...