sábado, agosto 21, 2010

Ler e escrever

Hoje fui à Bienal do Livro e fiquei surpreso com o número de visitantes. Havia muita gente. Parece que os brasileiros estão lendo mais. Os números do mercado editorial revelam um aumento da produção e da venda de livros, além da queda do preço médio do livro. Esse parece ser mais um dado relacionado ao tal “feel good factor”. Desde a primeira eleição de um operário à presidência da república, a contragosto da burguesia udenista, muita gente tem saído do estado de pobreza e ingressado na classe média. O principal resultado talvez tenha sido o aumento de nossa auto-estima. Estamos até lendo agora!
Eu, que andava desanimado ao ver tanta gente se informando através de spam e de fofoca, agora fiquei entusiasmado. Talvez uma parcela das pessoas que vêem suas caixas postais inundadas com mensagens não solicitadas e, na maioria das vezes, muito mal escritas, tenha chegado à conclusão de que é necessário voltar a ler para aprender inclusive a escrever. No meio corporativo, em que a troca de notas escritas é constante, fica muito evidenciado o nível de cultura e educação das pessoas. Se a pessoa não tem vocabulário e fala errado, isto pode até ser esquecido em nome do pragmatismo. Mas se escreve mal, sua “obra literária” fica registrada. Assim, cuidar da carreira hoje em dia inclui o aprendizado da língua pátria, e não apenas do inglês. A máquina de escrever e agora o computador fizeram com que a gente deixasse de escrever com o próprio punho, fazendo-nos esquecer de nossas caligrafias, mas em compensação acabamos escrevendo mais. Com a Internet, passamos inclusive a ler mais. Da mesma forma que o vídeo-cassete (e depois o dvd e agora o blu-ray) não acabou com o cinema, como pensaram alguns alarmistas e pessimistas, a tecnologia da informação nos tem levado a ler mais e a escrever mais. A próxima e necessária etapa é ler melhor, e escrever melhor.

Um comentário:

FatinhaMussato disse...

Gostei muito deste seu artigo, pela realidade nele contida e pelo incentivo à leitura! Estive na Bienal do Livro como autora, lançando meu primeiro livro solo. Um abraço! Fatinha.

Jornal só serve para embrulhar peixe?

Síntese do golpe de 2016 Conheci gente que, quando abria um jornal, ia direto e somente às seções de esporte, diversão e lazer.  Ho...