Ler e escrever

Hoje fui à Bienal do Livro e fiquei surpreso com o número de visitantes. Havia muita gente. Parece que os brasileiros estão lendo mais. Os números do mercado editorial revelam um aumento da produção e da venda de livros, além da queda do preço médio do livro. Esse parece ser mais um dado relacionado ao tal “feel good factor”. Desde a primeira eleição de um operário à presidência da república, a contragosto da burguesia udenista, muita gente tem saído do estado de pobreza e ingressado na classe média. O principal resultado talvez tenha sido o aumento de nossa auto-estima. Estamos até lendo agora!
Eu, que andava desanimado ao ver tanta gente se informando através de spam e de fofoca, agora fiquei entusiasmado. Talvez uma parcela das pessoas que vêem suas caixas postais inundadas com mensagens não solicitadas e, na maioria das vezes, muito mal escritas, tenha chegado à conclusão de que é necessário voltar a ler para aprender inclusive a escrever. No meio corporativo, em que a troca de notas escritas é constante, fica muito evidenciado o nível de cultura e educação das pessoas. Se a pessoa não tem vocabulário e fala errado, isto pode até ser esquecido em nome do pragmatismo. Mas se escreve mal, sua “obra literária” fica registrada. Assim, cuidar da carreira hoje em dia inclui o aprendizado da língua pátria, e não apenas do inglês. A máquina de escrever e agora o computador fizeram com que a gente deixasse de escrever com o próprio punho, fazendo-nos esquecer de nossas caligrafias, mas em compensação acabamos escrevendo mais. Com a Internet, passamos inclusive a ler mais. Da mesma forma que o vídeo-cassete (e depois o dvd e agora o blu-ray) não acabou com o cinema, como pensaram alguns alarmistas e pessimistas, a tecnologia da informação nos tem levado a ler mais e a escrever mais. A próxima e necessária etapa é ler melhor, e escrever melhor.

Comentários

FatinhaMussato disse…
Gostei muito deste seu artigo, pela realidade nele contida e pelo incentivo à leitura! Estive na Bienal do Livro como autora, lançando meu primeiro livro solo. Um abraço! Fatinha.