A Carruagem Fantasma

Este é virtualmente um dos melhores filmes que já vi em toda a minha vida! Se a gente considerar que ele foi realizado em 1921, então de fato é o melhor de todos. Extraordinário! Contudo, não recomendo para quem pensa que cinema são aqueles blockbusters americanos para se ver comendo pipoca e tomando coca-cola e esquecer no dia seguinte porque já será apenas um filme velho.
"A Carruagem Fantasma" (Körkarlen, 1921) foi escrito e dirigido pelo sueco Victor Sjöström, que também atuou interpretando David Holm, o principal personagem do romance da conterrânea Selma Lagerlöf. O filme é mudo, com legendas originais em sueco. É branco e preto com tons azulados nas tomadas externas, amarronzados nas tomadas internas e avermelhados nos flashbacks. Com forte influência cristã protestante, o filme é moralista, atribui quase todos os males ao alcoolismo, e prega a possibilidade de salvação. David Holm é um mendigo e bêbado decadente, abandonado pela mulher, que foge com seus filhos. Ao perseguir a mulher através da Suécia, uma noite ele é recebido em um abrigo do Exército da Salvação. Lá, a irmã Edit (Astrid Holm) o acolhe e passa a amá-lo secretamente até o fim, mesmo depois de ser contagiada com a tuberculose dele e, pior, saber que ele é casado. Aliás, Edit promove o reencontro dele com a família, com a qual ele protagoniza a famosa cena da machadada na porta, copiada por Stanley Kubrick em "O Iluminado" (The Shining, 1980). Se for a última a pessoa a morrer na véspera de Ano Novo, David será condenado a ser o cocheiro da carruagem da morte durante o ano seguinte. A cena do espírito dele saindo do corpo foi copiada por Steven Spielberg em "Além da Eternidade" (Always, 1989). Naquela época o filme já apresentava efeitos especiais por conta da arte cinematográfica de Julius Jaenzon! É claro que não se comparam aos efeitos especiais obtidos com a tecnologia de hoje, sem os quais nada restaria da maioria dos filmes atuais. Bem, não vou contar todo o filme. Mas vale lembrar que Sjöström também dirigiu nos Estados Unidos o ótimo "Vento e Areia" (The Wind, 1928) e terminou sua carreira interpretando o Dr. Isak Borg em "Morangos Silvestres" (Smultronstället, 1957), homenagem de seu seguidor, o mestre Ingmar Bergman.
Os cinéfilos podem curtir uma amostra no YouTube:

Comentários

Roberto S. disse…
... e pior falar em cine, recordei este final de semana um dos filmes obrigatorios na "disciplina": Queimada (burn) de Gillo Pontecorvo. Otima obra mas conhecida apenas nos ditos "circuitos alternativos" que versa sobre a transição do trabalho escravo para o trabalho assalariado, tendo como pano de fundo o império britanico e das corporações que no fundo são os grandes beneficiarios do sistema economico. Audiencia obrigatoria!