Serviu a Carapuça

No sábado anterior, dia 10, a pré-candidata do PT às eleições para presidente da república neste ano, Dilma Roussef, disse em São Bernardo que "não foge quando a situação fica difícil; não tem medo da luta; pode apanhar, sofrer, ser maltratada, mas está sempre firme com suas convicções; em cada época de sua vida, fez o que fez por acreditar no que fazia; só seguiu o que a sua alma e o seu coração mandavam; nunca se submeteu; nunca abandonou o barco”.
No dia seguinte, a Folha, que muita gente mal-informada acha que é ou foi petista, estampa: “Dilma ataca rival e diz que não ‘fugiu’ da luta na ditadura”. Pois é, Folha, não dá pra ler. Esse jornal convertido em porta-voz da campanha demo-tucana mentiu novamente. E, como de costume, depois de quatro dias disse que errou. Aí a polêmica já estava formada.
O candidato da Folha, José Serra, que foi co-fundador da Ação Popular (grupo que iniciou a luta armada contra a ditadura militar), optou por se exilar ou, em português claro, fugir. Muitos que puderam, optaram pelo exílio, pela fuga, mas não necessariamente por fugir à luta. Para muitos, essa escolha foi mesmo a diferença entre a vida e a morte. Entre aqueles que não puderam fugir, muitos foram presos, torturados, mortos e desaparecidos. E a maioria dos agentes do Estado, que cometeu torturas e assassinatos, foi anistiada. É preciso passar a limpo esse período da nossa história. Foi uma guerra. E, ao contrário do que se conta, uma guerra não tem um lado só de bandidos (os vencidos) e outro lado só de mocinhos (os vencedores). Há mocinhos e bandidos nos dois lados. E é importante saber separar o trigo do joio. Como dizem os apoiadores daquele regime, houve muita gente de esquerda que virou a casaca e até entregou companheiros. E havia agentes do Estado infiltrados na Resistência também. Quem não se lembra do Cabo Anselmo? Outro dia, um general confirmou o pagamento a um dirigente do PC do B por informações que levaram três companheiros à morte.
O lado bom da polêmica é que ela nos propiciou uma reflexão sobre aqueles que se exilaram, os que ficaram, sobrevivendo ou não, e até os que colaboraram com o regime. Até o exterminador do PCB, Roberto Freire, que era funcionário do governo na época, repudiou as “afirmações da Dilma” sobre exilados políticos durante a ditadura militar!

Comentários

Anônimo disse…
Oi, Luiz.

Vejo seus comentários sobre a mídia, que em alguns casos você acha que é contra o PT.
Isto pode até ser verdade, mas o que realmente interessa, é que isto significa que estamos em uma democracia. Democracia que muitas pessoas, de diversos partidos(incluindo do PSDB e o PT)lutaram tanto para conquistar.
Veja o exemplo horrível da Venezuela, se alguém é contra fecham o jornal, canal de TV etc. Todos têm direito de se expressar, foi por este motivo que lutamos, e não para ser uma Cuba, China, ou como era a antiga União Soviética.

Viva a liberdade de imprensa!!!!!

Só mais um comentário: Não esqueça que a reforma Fiscal, que é um dos pilares da nossa estabilidade, foi feita no governo do PSDB, e o PT foi CONTRA.

Em minha opinião, para assuntos tão sérios não devemos ter um partido, pois partido não é time de futebol, onde o que conta é o coração e não a razão. Podemos e devemos mudar de partido conforme a situação. Pois nosso partido deveria ser o Brasil.