domingo, abril 18, 2010

Serviu a Carapuça

No sábado anterior, dia 10, a pré-candidata do PT às eleições para presidente da república neste ano, Dilma Roussef, disse em São Bernardo que "não foge quando a situação fica difícil; não tem medo da luta; pode apanhar, sofrer, ser maltratada, mas está sempre firme com suas convicções; em cada época de sua vida, fez o que fez por acreditar no que fazia; só seguiu o que a sua alma e o seu coração mandavam; nunca se submeteu; nunca abandonou o barco”.
No dia seguinte, a Folha, que muita gente mal-informada acha que é ou foi petista, estampa: “Dilma ataca rival e diz que não ‘fugiu’ da luta na ditadura”. Pois é, Folha, não dá pra ler. Esse jornal convertido em porta-voz da campanha demo-tucana mentiu novamente. E, como de costume, depois de quatro dias disse que errou. Aí a polêmica já estava formada.
O candidato da Folha, José Serra, que foi co-fundador da Ação Popular (grupo que iniciou a luta armada contra a ditadura militar), optou por se exilar ou, em português claro, fugir. Muitos que puderam, optaram pelo exílio, pela fuga, mas não necessariamente por fugir à luta. Para muitos, essa escolha foi mesmo a diferença entre a vida e a morte. Entre aqueles que não puderam fugir, muitos foram presos, torturados, mortos e desaparecidos. E a maioria dos agentes do Estado, que cometeu torturas e assassinatos, foi anistiada. É preciso passar a limpo esse período da nossa história. Foi uma guerra. E, ao contrário do que se conta, uma guerra não tem um lado só de bandidos (os vencidos) e outro lado só de mocinhos (os vencedores). Há mocinhos e bandidos nos dois lados. E é importante saber separar o trigo do joio. Como dizem os apoiadores daquele regime, houve muita gente de esquerda que virou a casaca e até entregou companheiros. E havia agentes do Estado infiltrados na Resistência também. Quem não se lembra do Cabo Anselmo? Outro dia, um general confirmou o pagamento a um dirigente do PC do B por informações que levaram três companheiros à morte.
O lado bom da polêmica é que ela nos propiciou uma reflexão sobre aqueles que se exilaram, os que ficaram, sobrevivendo ou não, e até os que colaboraram com o regime. Até o exterminador do PCB, Roberto Freire, que era funcionário do governo na época, repudiou as “afirmações da Dilma” sobre exilados políticos durante a ditadura militar!

domingo, abril 04, 2010

Parque Nacional Conguillio

Faz tempo que pretendo falar sobre o Parque Nacional Conguillio, que fica em La Araucanía, uma das regiões afetadas pelo terremoto de 27 de fevereiro último no Chile. A princípio, não tinha planejado ir até lá. Mas quando estive em Pucón na primeira semana do ano, visitando las cuevas do vulcão Villarica, um vulcanista me convenceu a visitar a laguna Arcoíris e o vulcão LLaima, que ficam no Conguillio. Fui e não me arrependi. Não sei descrever a sensação de chegar pertinho do LLaima, talvez um misto de medo e de euforia. O Villarica e o LLaima são os vulcões mais ativos da América Latina. O LLaima entrou em erupção pela última vez em janeiro e fevereiro de 2008. Dois anos depois, e cerca de um mês e meio antes do sismo que atingiu a magnitude de 8.8 graus, isto é, de 8 a 10 de janeiro lá estava eu, perplexo com a natureza local. Escolhi algumas fotos que podem descrever melhor o local. O local é tão estranho, bonito e diferente que a BBC foi lá em 1999 para filmar o documentário "Caminhando com os Dinossauros".

sexta-feira, abril 02, 2010

Vale dos Templos

Nesta Sexta-feira Santa fui ao Centro Ecumênico Vale dos Templos, em Itapecerica da Serra , e conheci o Templo das Almas (Enko-ji), autêntico templo budista, e o belíssimo Templo Dourado (Kinkaku-ji), que é uma réplica de um templo construído em 1397 em Kioto, no Japão. O local possui uma nascente, pequenas quedas d'água e um lago cheio de carpas e alguns gansos, todos ávidos por um alimento granulado que se pode comprar na portaria do jardim japonês. O local é uma espécie de cemitério de cinzas de cremação de muitas pessoas, inclusive não japonesas, como o autor Cassiano Gabus Mendes, por exemplo. O acesso é pelo quilômetro 285 da rodovia Regis Bittencourt, perto de Embu.
A propósito, fui pelo recém-inaugurado trecho sul do Rodoanel, uma obra importante para a nossa região metropolitana. A inauguração no feriado foi providencial para quem optou por ir ao litoral, vindo das zonas norte e oeste. Por outro lado, como foi inaugurado às pressas devido ao calendário eleitoral, o trecho sul está sujo, mal sinalizado e inacabado em algumas partes. E, claro, os radares já estão presentes e as praças de pedágio, quase prontas.

Mídia golpista hoje

Domingo é dia de folhear os jornalões e tentar entender o que a máfia dos barões da mídia está querendo que a gente acredite. O Globo, en...