domingo, fevereiro 21, 2010

Voto em Dilma

Vocês já devem ter notado o banner aqui à direita neste blog, que demonstra meu apoio à candidatura da ministra Dilma Roussef à presidência da república em outubro deste ano. Ou seja, eu optei de novo. O PiG, ou seja, a mídia convertida em partido político de oposição mal consegue disfarçar sua opção, e já faz tempo, por José Serra. Tudo bem, eu acho ótimo que se tome partido. Contudo, é claro que a declaração de voto deve ser espontânea. Ninguém precisa fazê-la obrigatoriamente. Por outro lado, espero que a opção do silêncio, que é válida, não tenha origem no medo ou na vergonha. Ou será que ainda vivemos nos tempos de caça às bruxas, quando as pessoas eram transformadas em prisioneiros de consciência por terem cometido o crime de pensar diferente? Infelizmente, de alguma forma isso ainda acontece, admito. Há muitas autoridades, sejam elas pais, líderes de qualquer espécie ou superiores hierárquicos que não toleram desobediências e divergências, não é mesmo? De qualquer forma, em meu caso, assumo eventuais riscos. E farei algumas considerações para explicar minha escolha.
Já se afirmou muitas vezes que o povo não sabe votar. Talvez ainda haja quem troque o voto por algum benefício. Também deve haver ainda quem não leve a sério o ato de votar. E a mídia costuma culpar o povo e o político que tenham sido corrompidos, mas esquecem dos corruptores que muitas vezes são patrocinadores dessa mídia. Não quero me alongar nessa discussão, mas acho que saber votar implica em conhecer o passado do político e também seus compromissos e suas alianças. Por isso farei a seguir breves comentários sobre os atuais candidatos à presidência. Vou usar o critério de dividi-los em dois blocos: os que lutaram contra a ditadura militar (e coincidentemente, mais velhos) e os que surgiram durante a redemocratização do país.

  • Primeiro bloco – resistência à ditadura

    • Plínio de Arruda Sampaio
      Plínio, 80, militou na JUC (Juventude Universitária Católica), na AP (Ação Popular) e no PDC (Partido Democrata Cristão) antes do golpe militar de 1964, quando foi cassado pelo AI-1. Ao voltar do exílio, militou no MDB (Movimento Democrático Brasileiro), no PT (Partido dos Trabalhadores) e atualmente é o pré-candidato do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade).
    • José Serra
      Serra, 68, militou na JUC, na AP, foi presidente da UEE-SP (União Estadual dos Estudantes de São Paulo) e da UNE (União Nacional dos Estudantes), e ao voltar do exílio militou no MDB, no PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) e foi financiado pela Fundação Ford enquanto pesquisador do CEBRAP (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento). Atualmente é governador de São Paulo e candidato não oficial do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira).
    • Dilma Roussef
      Dilma, 63, militou no COLINA (Comando de Libertação Nacional) e na VAR Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares), ficou presa entre 1970 e 1972 e no final daquela década entrou para o PDT (Partido Democrático Trabalhista). Foi secretária de Minas e Energia do governo gaúcho de Olívio Dutra entre 1999 e 2003, quando se transferiu para o PT. A ministra chefe da Casa Civil teve sua candidatura confirmada ontem.

    Comparando-se os três candidatos acima, eu diria que o Plínio dificilmente ganharia a preferência do eleitorado, talvez pelo discurso que assusta as classes alta e média.
    Serra, que era radical pela esquerda cristã quando jovem, voltou diferente do exílio, sendo financiado, assim como Fernando Henrique Cardoso, pela Fundação Ford, suspeita de ser fachada da CIA (Agência Central de Inteligência), que cuida dos interesses americanos. É importante lembrar que seu partido, o PSDB, é aliado histórico do DEM (Democratas), ex-PFL (Partido da Frente Liberal), ex-PDS (Partido Democrático Social), ex-ARENA (Aliança Renovadora Nacional), partido que deu sustentação política ao regime militar. Permita-me comentar aqui que a direita é envergonhada e seus partidos trocam tanto de nome como seus políticos trocam de camisa. Vale lembrar também do recente aliado dos demotucanos, o PPS (Partido Popular Socialista), formado por uma dissidência “social-democrata” (leia-se revisionista) do PCB (Partido Comunista Brasileiro) que apoiou o candidato da Opus Dei, Geraldo Alckmin, nas eleições presidenciais de 2006.
    Bem, por eliminação, desse bloco, a minha preferência é Dilma.

  • Segundo bloco – redemocratização

    • Ciro Gomes
      Ciro, 53, militou no PDS, no PMDB, no PSDB, no PPS e atualmente é deputado federal do PSB (Partido Socialista Brasileiro).
    • Marina Silva
      Marina, 52, militou no PT e foi fundadora da CUT (Central Única dos Trabalhadores) do Acre junto com Chico Mendes. Foi ministra do Meio Ambiente do atual governo, mas se demitiu em 2008 por divergências com a ministra Dilma. Em agosto do ano passado se transferiu para o PV (Partido Verde), do qual a senadora é candidata a presidente.

    Comparando-se os dois candidatos acima, não vou me estender muito.
    Ciro tem um longo histórico de convívio com a direita, embora tenha saído do PPS em 2003 por divergências com Roberto Freire e, no PSB, apoiar o governo Lula, sendo inclusive ministro da Integração Nacional até 2006.
    Marina é uma lutadora extraordinária, que viveu no seringal até os 15 anos de idade, quando ficou doente e passou a morar na capital Rio Branco, onde queria ser freira e foi alfabetizada. Sem dúvida, é minha preferida neste bloco.

Agora, comparando-se Dilma e Marina, faço uma escolha pragmática. Acredito que Marina e o PV ainda não têm muitas possibilidades nesta eleição. E tenho certeza que estarão com Dilma num eventual segundo turno contra Serra, da mesma forma que Plínio e Ciro.

Um comentário:

FatinhaMussato disse...

Luiz,

Sou seguidora de seu blog, pelos artigos que aqui são postados por você, meu amigo!
Gosto de ler sua opinião sobre tudo e todos...
Nesse post de hoje, vc se superou!
Parabéns!

Beijos,
Fatinha.

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