Tribunal do Júri

Hoje, por acaso, acompanhei pela primeira vez um julgamento no tribunal do júri. Faz tempo que eu tinha essa curiosidade e finalmente pude matá-la. Até então havia visto julgamento apenas no cinema. Aliás, lembrei-me dos seguintes filmes de tribunal:
"Anatomia de um Crime" (Anatomy of a Murder, Otto Preminger, 1959), baseado no romance de John Voelker, com James Stewart fazendo o advogado Paul Biegler;
"Testemunha de Acusação" (Witness for the Prosecution, Billy Wilder, 1957), baseado em peça da Agatha Christie, com Tyrone Power e Marlene Dietrich fazendo o casal Vole;
"O Sol É para Todos" (To Kill a Mockingbird, Robert Mulligan, 1962), baseado no romance de Harper Lee, ganhador de prêmio Pulitzer, em que Gregory Peck faz o advogado Atticus Finch;
e a obra-prima "12 Homens e uma Sentença" (12 Angry Men, Sidney Lumet, 1957), estória e roteiro de Reginald Rose, com Henry Fonda fazendo o jurado número oito.
Achei interessante o processo todo, principalmente o debate entre a promotoria (acusação) e a defesa. E também a participação popular, já que a decisão sobre o destino do réu recai sobre pessoas comuns da sociedade, munícipes. Apesar da obrigatoriedade, é um exercício de cidadania desejável - presumo - por todo democrata.
A má notícia é que o nosso judiciário, que vem sendo reformado desde 2000, ainda tem diversos problemas como, por exemplo, parcialidade e lentidão. Não entendo bem sobre o tema, mas acredito que as principais doenças do poder judiciário são o corporativismo classista e a corrupção. Em tese, quando há corrupção no legislativo e no executivo, existe a possibilidade de um julgamento popular de corruptos e corruptores por meio das nossas escolhas. No caso do judiciário, não vejo outro remédio senão o controle externo.
De qualquer forma, creio que o simplismo e as soluções fáceis para temas como justiça e política acabam levando a um inadequado excesso de otimismo ou de pessimismo. É recomendável, por vezes, recorrer a fontes presumivelmente isentas para ver diferentes pontos de vista. Recomendo uma leitura crítica e reflexiva dos seguintes relatórios:
Anistia Internacional,
Human Rights Watch, e
Freedom House.

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Ótimo blog!