quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Do spam contra a Dilma

O spam “ruim” a que me referi no post anterior intitula-se “Dilma Roussef com fotos das vítimas”. O texto inclui cinco fotos descritas como sendo de vítimas do terrorismo, e uma foto de uma ficha policial (?) descrita como sendo o curriculum vitae da ministra. Todas as fotos são montagens feitas em computador.
Não comentarei especificamente sobre o texto, que é agressivo tanto do ponto de vista da forma como do conteúdo. Prefiro comentar sobre as montagens e o conjunto da obra.
Primeiro de tudo é preciso entender que existe no mundo uma eterna batalha entre conservadores e progressistas. Durante a Guerra Fria os americanos, temendo a influência soviética na América Latina, fomentaram golpes militares em diversos países. No Brasil, por causa das reformas de base pretendidas pelo governo João Goulart, a classe dominante, contrariada em seus interesses, usou as Forças Armadas para depor o presidente em 1º de abril de 1964. Como esse dia é conhecido como dia da mentira, resolveram chamar o golpe militar de “movimento revolucionário de 31 de março”. A sociedade estava dividida e uma parte dela, que era baseada em partidos de esquerda, no meio estudantil, em setores da Igreja e até nos círculos militares, formou então a resistência democrática. Dentro da resistência, alguns optaram pela luta armada. Enfim, foi uma guerra não declarada que fez vítimas dos dois lados, inclusive gente inocente. Devido à desproporção das forças, obviamente houve muito mais vítimas do lado da resistência – são inúmeros torturados, mortos e desaparecidos.
Na montagem do spam, a primeira fraude está relacionada às vítimas. As duas primeiras vítimas faleceram no atentado a bomba ocorrido no Aeroporto de Guararapes em 1966, que foi idealizado pela AP (Ação Popular) e iniciou a resistência armada à ditadura militar. Dos atuais candidatos, apenas o Plínio e o Serra participaram da AP. As outras três vítimas, sim, faleceram em ações da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) e da VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares), grupo do qual participou a ministra.
Com base em arquivos do DOPS mineiro que só foram tornados públicos no início da década passada, a ficha da ministra deve ter sido forjada quando seu nome começou a ser cogitado para a sucessão de Lula. Demonstrando que está convertida em partido político de oposição, a Folha de S.Paulo publicou em 5 de abril de 2009 a tal ficha. Depois admitiu que errou, quando deveria ter confessado que fraudou, já que publicou spam enviado por integrantes de extrema-direita e prováveis torturadores. Clique no link sobre a data, para saber mais detalhes.
Como se diz, a história é escrita pelos vencedores. A Anistia promulgada por Figueiredo em 1979 excluiu os condenados por crimes da resistência, mas livrou os torturadores. Agora, na iminência da eleição de uma torturada, os torturadores temem que seus crimes sejam descobertos – veja (com o perdão da palavra) a recente reação deles ao PNDH-3.

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