Do novo e do velho

Outro dia saí da locadora com um filme antigo, um clássico daqueles que gosto de rever. Alguém me perguntou, quase chocado, por que eu estava levando um filme velho se havia tantos novos, lançamentos. Respondi que preferia os melhores filmes. E que os melhores não são necessariamente os mais novos. Aí, sim, a pessoa ficou chocada.
Existe uma crença de que tudo o que é novo, ou mais novo, é melhor. Por que será? Para quem vê apenas a aparência, os filmes novos seduzem mais porque mostram lugares, coisas e pessoas que estão na moda. E também apresentam o que há de mais novo em termos de tecnologia. Alguém pode perguntar: mas e o conteúdo? É fácil responder. Conteúdo? Em nossa atual sociedade de consumo, alguém liga para conteúdo?
Vou dar um exemplo, citando alguns filmes.
“O Dia em que a Terra Parou” (The Day the Earth Stood Still, 1951), baseado no roteiro de Edmund North, é o melhor filme de Robert Wise. O roteiro critica a guerra fria e o uso militar e político da ciência. Sem dúvida, este é um clássico da ficção científica.
Em dezembro de 2008, foram lançados dois filmes, referentes ao mesmo roteiro:
The Day the Earth Stood Still, de Scott Derrickson, com Keanu Reeves interpretando o alien Klaatu, um filme ruim, e
The Day the Earth Stopped, do razoável ator e ruim diretor C. Thomas Howell, um filme péssimo.
Resultado: o filme de 1951 é muito melhor do que os dois filmes de 2008. E estes filmes novos se tornarão velhos, se já não o são considerados.

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