quarta-feira, janeiro 27, 2010

Do spam e da cultura

Alguns amigos e colegas têm o costume de me enviar e-mails contendo piadas preconceituosas, material pornográfico, correntes filantrópicas e de auto-ajuda, difamações contra quem pensa diferente, e toda sorte de propaganda ideológica disfarçada de informação, muitas vezes dentro de apresentações toscas no Microsoft PowerPoint. Muitas vezes perdi a cabeça e respondi com cópia para todos solicitando que não me enviassem mais tais spams. Cheguei a pensar em pedir que me retirassem de suas listas. Mas aí perderia os amigos ou, no mínimo, as novidades e talvez a simpatia dos colegas. Achei um meio-termo: não abro mais as mensagens suspeitas e as marco simplesmente como spam. Pronto. Não me estresso mais.
Sei que muita gente simplesmente repassa o que recebeu, sem pensar, ingenuamente até. O resultado é tráfego excessivo de dados inúteis que causam lentidão na Internet. E, claro, mal-entendidos e diversas conseqüências. Não sei se, já com 10 anos de acesso à Internet nas empresas, dá para dizer que é imaturidade digital. Pode ser ausência de etiqueta, ou educação mesmo. É, no mínimo, falta de respeito às pessoas. Lembro de um desenho animado do Walt Disney, que vi num curso de direção defensiva, em que o Pateta, sujeito pacato, transformava-se em um vilão quando tomava o volante de um carro recém-adquirido. Você pode estar perguntando: o que isto tem a ver? Talvez possamos generalizar a compreensão daquele comportamento. Talvez a aquisição de um novo recurso quase sempre leve a seu mau uso. É tão comum se ver em São Paulo a juventude, ao adquirir um veículo, com ou sem licença de conduzi-lo, abusar e desrespeitar todas as regras de trânsito. O novo bem, seja ou não um veículo, confere poder, superioridade, liberdade, ausência de limites. Marca uma mudança de nível ou etapa, uma ascensão, uma emergência. Lembra de quando chegaram os primeiros celulares? Vi muitos emergentes (para não usar outra qualificação) orgulhosos quando seus novos brinquedinhos tocavam dentro do teatro, do cinema, da igreja etc. Isso lembra bem aqueles novos ricos, que têm dinheiro, mas não têm cultura.
Bem, não vou me estender. Algumas pessoas não gostam de ler. Repassam mensagens até sem ler e, pior, sem pensar, refletir. Cansam-se facilmente, talvez porque não entendam. Daí provavelmente não saibam escrever. Eu também não, e repito: não fui feliz dessa vez, mas prometo melhorar. ;-)

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