sexta-feira, setembro 11, 2009

Direita e esquerda - capítulo 1

Outro dia recebi um spam contando uma estorinha na qual o pai rico diz à filha universitária que acha que é de esquerda: “bem-vinda à direita!”. Essa conclusão ocorreu porque a filha se recusou a doar parte da nota a uma colega, assim como o pai não distribui sua riqueza à sociedade. Na mesma fábula, o autor critica o programa Fome Zero.
Respondi da seguinte forma:
Já começou a campanha eleitoral? Já, não? Quando a gente recebe spams como esse é sinal de que já começou...Outro dia recebi um requentado sobre uma tal carta de uma mulher ao Didi do Criança Esperança. E até comentei no Twitter.
Acho interessante o debate entre direita e esquerda que, graças à Internet, vazou dos meios universitários e sindicais para o público em geral. Pessoalmente, acho que o equilíbrio sempre é mais razoável do que os extremos. Direita e esquerda, nos extremos, são muito parecidas. O estalinismo e o fascismo são primos, senão irmãos gêmeos. Quando novo, militei em movimento de moradores de periferia, ao lado de gente de comunidades eclesiais de base, e participei de um embrião de núcleo de base do PT na periferia de São Paulo. Vivi, portanto, os últimos anos da ditadura militar, cheirando os últimos gases lacrimogêneos dos anos de chumbo. Conheci anarquistas e trotskistas, todos engajados na luta pela democracia. A rotulação é algo complicado, mas hoje me vejo como um democrata. Não quero ditadura nenhuma. Nem a do proletaridado. E muito menos a do capital internacional.
O exemplo da universitária, da colega e do pai é tendencioso porque simplifica a questão das diferenças e sugere uma definição entre dar ou não dar (um bem móvel ou imóvel, uma nota etc), segundo a qual quem partilha é de esquerda e quem não partilha é de direita. Na minha forma de ver, a pessoa não precisa partilhar a casa, o carro, a nota etc para ser de esquerda. Acho que ser de esquerda é desejar e lutar por um mundo onde todos possam ter igualmente as mesmas oportunidades. Um mundo tolerante, porque as pessoas não precisam ser iguais, porque elas não são e nunca serão iguais - ainda bem.
Todo governo tem que governar para todos - os ricos, os pobres, os patrões, os assalariados, os banqueiros, os estudantes. Todos, mesmo. Quando ouço críticas de que o governo está sendo assistencialista, com programas sociais como bolsa-família e fome zero, digo que o governo está certo e não faz mais do que a obrigação. Não tem que dar dinheiro só aos bancos, como fez o governo anterior. Sendo pragmático, tem que retribuir a seus eleitores, seja quem for.
Uma coisa é certa: é necessário cuidado com o sectarismo, as radicalizações e a conseqüente e desnecessária divisão do país. As pessoas podem ser ricas, pobres, de direita, de esquerda, católicas, protestantes, portarem armas ou não, e mesmo assim conviverem em um ambiente democrático de tolerância e harmonia. E devemos também fugir do simplismo da guerra de propaganda e contrapropaganda que domina os períodos eleitorais. Sei que o debate vai esquentar, à medida que nos aproximamos das eleições para presidente. Por isso, lembrar que prudência e canja de galinha não fazem mal a ninguém.
Acho que estamos bem e por isso quero a continuidade desse governo, mas estou preocupado com a crise política e não acho que os fins justificam os meios. Sei que não se governa sozinho, mas não se pode sacrificar a própria história em nome da continuidade. Critico o governo anterior por andar de mãos dadas com o "Democratas" (ex-PFL, ex-PDS, ex-PP, ex-Arena, ex-UDN), mas depois abraço o Collor e o Sarney? Assim, acabo ratificando que em política tem-se que sujar as mãos, mesmo.

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