Equilíbrio

Observando nos últimos dias as seções de opinião da Folha (Editoriais, Tendências/Debates) e de O Estado (Espaço Aberto, Notas & Informações), reitero a minha preferência pela Folha. Mesmo que ambos sejam jornais burgueses, uma simples comparação entre suas opiniões deixa claro que O Estado é panfletário demais.
A seguir algumas temas abordados de forma diferente por ambos os jornais e que merecem uma reflexão:

  • Denúncias contra Sarney e a crise no Senado
    A oposição atira pedras em Sarney, usando uma ética de conveniência como se tucanos e "democratas" fossem normalistas, mas creio que o pano de fundo é a luta pelo poder e a corrida eleitoral. Os conservadores sabem que, apesar de todos os preconceitos contra o presidente, o governo Lula e seu desempenho tem avaliação muito positiva. É natural que há falhas e oportunidades de melhoria, mas o saldo tem sido positivo. Daí a oposição teme ficar mais tempo afastada do centro do poder e procura desesperadamente antecipar o debate eleitoral.
    Mesmo considerando O Estado uma espécie de pasquim de sindicato de direita, acho lamentável que o jornal tenha sido alvo de ação da família Sarney resultando em uma censura que lembra o AI5 do regime sustentado pelo pessoal do Democratas.
    Por outro lado, o senador Mercadante tem razão ao lembrar que o apoio a Sarney (em outras palavras, a preocupação com a governabilidade e as eleições) deve ter limites. Terá o PMDB papel tão fundamental no resultado das próximas eleições?
  • As bases da discórdia
    A apreensão do Itamaraty com as bases americanas na Colômbia é vista por O Estado como "mais um favor a Chávez" e pela Folha como preocupação com a estratégia americana de maior presença militar na região, talvez para contrabalançar as investidas da Rússia e do Irã, bem aceitas por Chávez, Correa e Morales. É preciso lembrar que, conforme O Estado, a América Latina tem pouco interesse para Obama, que ainda não tem equipe para cuidar da região. Concordo com a Folha e o chanceler espanhol, Moratinos, que é preciso evitar desequilíbrio, tensão e militarismo em nosso continente.

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