quarta-feira, junho 03, 2009

Viridiana

"Viridiana" (Viridiana, 1961, Luis Buñuel) é a noviça (Silvia Pinal) prestes a se tornar freira que, a mando da madre superiora, visita seu tio Dom Jaime (Fernando Rey). Dom Jaime faz de tudo para se casar com a sobrinha mas, rejeitado, acaba cometendo suicídio. Por isso ela acaba ficando na mansão, onde acolhe gente pobre e doente, a contragosto do primo Jorge (Francisco Rabal). Enquanto ela reza com os pobres, Jorge contrata trabalhadores para reformar a propriedade. Sua frase "duas mãos trabalhando fazem mais do que mil rezando" expressam bem o ateísmo e a iconoclastia de Buñuel, que provocou a revolta da Igreja e dos conservadores. O mestre espanhol dizia que "seguia sendo ateu, graças ao seu bom Deus". A cena dos pobres imitando a Última Ceia, do Leonardo Da Vinci, é para ficar na história da cinematografia. Não há palavras que a expressem. Só vendo mesmo. Fantástico.
Não recomendo para aqueles que acham que gostar de cinema é apenas ver os novos blockbusters, cheios de efeitos especiais e modelos que mal sabem falar. Não dá para dizer que se conhece cinema sem ter ao menos ouvido falar de Buñuel, Resnais, Godard, Truffaut, Lang, Herzog, Eisenstein, Fellini, Rossellini, Scola, Antonioni, Visconti, De Sica, Pasolini, Bertolucci, Leone, Bergman, Kurosawa, Hitchcock...Não se trata de ver o filme e gostar ou não. Trata-se de conhecer a história e as circunstâncias em que alguém escreveu, produziu e dirigiu determinada obra.

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