Escreveu, não leu ...

Atribui-se a Abraham Lincoln a frase: “é melhor ficar em silêncio e passar por tolo do que falar e daí acabar com todas as dúvidas”. Na última década esta máxima também se aplica à linguagem escrita. Com a crescente utilização do endereço eletrônico (e-mail) dentro do mundo corporativo, as pessoas foram forçadas a ler e escrever notas diariamente. Diferentemente do que ocorre nas salas de bate-papo (online chat) e nas mensagens instantãneas (instant messaging), no mundo dos negócios a escrita precisa de algum rigor, mesmo quando se é informal. A dona Ametista, minha professora do primário, costumava dizer que o caderno era o espelho do aluno. Da mesma forma, creio que os e-mails que escrevemos refletem muito bem o nosso nível cultural. Como se diz, quem não lê não escreve. Ou, escreve bem quem lê bastante.
Não é preciso ser muito observador para perceber como as pessoas estão escrevendo mal, cada vez pior. Isto significa que as pessoas estão lendo cada vez menos. Há pessoas que ficariam envergonhadas se fossem vistas com um livro nas mãos. Outras repreenderiam um filho que chegasse perto de um livro, e lhe dariam uma bola de presente. Não vou declinar seus nomes, mas já ouvi isso de algumas pessoas, de verdade.
Há uma geração, quando alguém se formava, fora da faculdade poderia exercer sua profissão ou optar pela profissão de professor. A quartelada de 1964, apoiada pelos “democratas”, acabou com a educação e o ensino neste país, a ponto de se encontrar quem pergunte aos professores: “além de dar aulas, o senhor ou a senhora trabalha?”.
Tudo isso me faz lembrar do filme “Fahrenheit 451” (1966, François Truffaut), baseado no romance homônimo (que estou lendo) de Ray Bradbury, cuja primeira edição é de 1953. Refere-se à campanha iniciada em 1933 na Alemanha para a queima cerimonial de livros que não estavam de acordo com a ideologia nazista.
Lembro também de “1984" (Nineteen Eighty-Four, 1984, Michael Radford), baseado no romance de George Orwell, publicado em 1949, cujo nome foi obtido pela inversão dos dois últimos dígitos do ano em que foi escrito (1948). Retrata o quotidiano em uma sociedade totalitária que inventou a Novilíngua (Newspeak). Essa língua fictícia não criava novas palavras mas, ao contrário, destruía as palavras com o objetivo de controlar o pensamento das pessoas. Uma personagem dizia que “é uma coisa linda a destruição das palavras”. A fórmula era simples. Por exemplo: ao se eliminar a palavra “liberdade”, as pessoas não poderiam se referir à liberdade e conseqüentemente a liberdade acabaria sem a possibilidade de voltar a existir.
Para quem não gosta de ler, vou deixar dois vínculos (links) interessantes, além do Domínio Público:

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