quinta-feira, maio 07, 2009

Ao poder coercitivo

Hoje você é quem manda. Falou, tá falado, não tem discussão, não.
A minha gente hoje anda falando de lado e olhando pro chão. Viu?
Você que inventou esse Estado, inventou de inventar toda escuridão,
você que inventou o pecado esqueceu-se de inventar o perdão.
Apesar de você amanhã há de ser outro dia.
Eu pergunto a você onde vai se esconder da enorme euforia?
Como vai proibir quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando e a gente se amando sem parar.
Quando chegar o momento esse meu sofrimento vou cobrar com juros. Juro!
Todo esse amor reprimido, esse grito contido, esse samba no escuro.
Você que inventou a tristeza, ora tenha a fineza de “desinventar”.
Você vai pagar, e é dobrado, cada lágrima rolada nesse meu penar.
Apesar de você amanhã há de ser outro dia.
Ainda pago pra ver o jardim florescer, qual você não queria.
Você vai se amargar vendo o dia raiar sem lhe pedir licença.
E eu vou morrer de rir. E esse dia há de vir, antes do que você pensa.
Apesar de você, amanhã há de ser outro dia.
Você vai ter que ver a manhã renascer e esbanjar poesia.
Como vai se explicar vendo o céu clarear, de repente, impunemente?
Como vai abafar nosso coro a cantar, na sua frente.
Apesar de você, amanhã há de ser outro dia.

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