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Mostrando postagens de Maio, 2009

Morto até o anoitecer

Só agora, com mais tempo, terminei de ler "Dead Until Dark" (2001/2008, Charlaine Harris), pocket book que comprei em fevereiro no aeroporto de Congonhas. Comprei e li porque gostei da primeira temporada da série "True Blood" (2008, Alan Ball) que a HBO trouxe ao Brasil em janeiro, baseada no mencionado livro. É a estória da garçonete Sookie Stackhouse (Anna Paquin), que vive numa cidadezinha da Louisiana e tem os raros dons da telepatia e da tolerância, no sentido de não pré-julgar nem julgar as pessoas. Tudo começa quando os japoneses inventam um sangue artificial, o true blood, o que permite que os vampiros possam viver normalmente entre as pessoas. Aí um dos vampiros, Bill Compton (Stephen Moyer), aparece no bar onde a Sookie trabalha. A série é fiel ao livro apenas nos primeiros episódios. O livro é muito centrado apenas na visão da protagonista, enquanto que a série dá espaço a estórias paralelas e promove outras personagens, como as de Jason (Ryan Kwant…

O Orfanato

Estreiou ontem na HBO o suspense "O Orfanato" (El Orfanato, Juan Antonio Bayona, 2007), produzido pelo Guillermo Del Toro, que dirigiu o belíssimo "O Labirinto do Fauno" em 2006. Laura (Belén Rueda) reabre um orfanato, no qual ela própria tinha sido criada, para atender crianças portadoras de necessidades especiais. Tudo ia bem até que seu filho adotivo, Simón (Roger Príncep), desaparece misteriosamente depois de falar muitas vezes que tinha alguns amigos imaginários. Será que eram mesmo imaginários? Aí começa o drama da mãe que busca desesperadamente o menino, enfrentando até mesmo o sobrenatural. Não dá para contar mais. Assista, que vale a pena.

Carta aberta a um amigo

Amigo,

Desculpa a demora em responder. Andei sem acesso à Internet por mais de um mês graças ao Speedy e à Telefônica, empresa que virou modelo do choque de gestão do neoliberalismo, não?
O spam que você me enviou é da Veja ou dos parajornalistas que lá escrevem? Não sei se por sorte ou azar, fui logo clicar num link defeituoso, o do escãndalo da compra de votos para a emenda da reeleição do FHC.
Não tem nada sobre a Luciana Cardoso, filha do FHC, que "trabalhou" desde o final do governo FHC no gabinete do senador Heráclito Fortes do DEM-PI, não é mesmo?
Também não vi nenhuma menção ao projeto de lei do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), o fundador do valerioduto, que propõe o cerceamento da liberdade e do progresso do conhecimento na internet brasileira, ou seja, o AI-5 digital.
Assim não dá para se atualizar! ;-)
Pensar diferente não afeta em nada a minha admiração por você.
Abraço,

Luiz

Humanidade para com os outros

Meu primeiro contato com o Linux foi através da compra de um notebook que veio com o Ubuntu instalado. Educado com o DOS e o Windows, resolvi voltar à estaca zero em termos de conhecimentos em informática. Em termos, porque, para minha satisfação, comecei a editar e compilar uns programinhas em C e em C++ usando o Kate e o gcc (em linha de comandos). E o pessoal do VivaOLinux tem me ajudado muito, exercendo de fato o que o título acima sugere, que é "humanidade para com os outros", significado da palavra Ubuntu e espírito da comunidade GNU/Linux mundo afora. Gostei tanto do Linux que rodo Kubuntu em uma máquina e Debian em outra. E, nesse espírito, acabei de assinar a petição pelo veto ao projeto de cibercrimes - em defesa da liberdade e do progresso do conhecimento na internet brasileira. Para saber mais, recomendo a visita aos portais de software livre, um do governo e outro não governamental:

Software Livre no governo do Brasil
PSL Brasil

Em tempo: a minha maior preocu…

A Troca

Clint Eastwood voltou após dois anos de ausência com as estréias de "A Troca" em janeiro e "Gran Torino" em março. Só ontem fui ver "A Troca" (Changeling, 2008). É uma bela reconstituição de época contando o drama verdadeiro da mãe solteira Christine Collins (Angelina Jolie) que, ao voltar do trabalho de supervisora da companhia telefônica, deu queixa à polícia do desaparecimento de seu filho de 9 anos. O problema é que era Los Angeles em 1928. A polícia, imaginem só, era arrogante, incompetente e corrupta. Para se sair bem politicamente, após alguns meses a polícia anuncia que encontrou o menino. Detalhe: o menino apresentado tinha sido instruído a se passar pelo filho desaparecido. Aí começa a luta de Christine contra o LAPD, o departamento de polícia da cidade. Bem que o Clint Eastwood tentou, mas o ponto fraco do filme infelizmente é a própria Angelina Jolie, sem desmerecer o esforço do diretor em fazer dela uma atriz de verdade. Por outro lado,…

Relíquia Macabra

Na semana passada a Coleção Folha Clássicos do Cinema publicou "O Falcão Maltês"' (The Maltese Falcon, 1941), o primeiro filme de John Huston e considerado o primeiro film noir. Conta a estória do detetive particular Sam Spade (Humphrey Bogart), que é contratado por Brigid O'Shaughnessye (Mary Astor), a bela mulher fatal, com a intenção velada de encontrar uma estatueta cravada de pedras preciosas com forma de um falcão. Este suspense trata da ambição, da ganância e da frustração, temas que foram novamente abordados por Huston em "O Tesouro de Sierra Madre" (The Treasure of the Sierra Madre, 1948), também com Bogart no papel principal. O elenco inclui Peter Lorre, o vilão de "M, O Vampiro de Dusseldorf" (M, Fritz Lang, 1931), e que também esteve com Bogart em "Casablanca" (Casablanca, Michael Curtiz, 1942) - também lançado pela Folha. Em branco e preto, "O Falcão Maltês" talvez não agrade aos fãs dos atuais blockbusters, mas é…

O que nós perdemos?

A cinemateca Veja lançou na semana passada "Um Convidado Bem Trapalhão" (The Party, 1968), uma das melhores comédias dos anos 60, do Blake Edwards, com o Peter Sellers e a Claudine Longet. Ele faz o atrapalhado figurante indiano Hrundi Bakshi e ela, Michele Monet, a francesinha aspirante a atriz. Eles se conhecem numa festa muito louca, à qual ele foi convidado por acaso. Sellers, que também faz o inspetor Jacques Clouseau nos vários filmes da Pantera Cor-de-Rosa, escritos e dirigidos pelo craque da comédia Blake Edwards, está excelente. Mas o ponto alto do filme, e da festa, para mim é a interpretação da Claudine da canção bossa nova Nothing To Lose, de Henri Mancini e Don Black:

Ao poder coercitivo

Hoje você é quem manda. Falou, tá falado, não tem discussão, não.
A minha gente hoje anda falando de lado e olhando pro chão. Viu?
Você que inventou esse Estado, inventou de inventar toda escuridão,
você que inventou o pecado esqueceu-se de inventar o perdão.
Apesar de você amanhã há de ser outro dia.
Eu pergunto a você onde vai se esconder da enorme euforia?
Como vai proibir quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando e a gente se amando sem parar.
Quando chegar o momento esse meu sofrimento vou cobrar com juros. Juro!
Todo esse amor reprimido, esse grito contido, esse samba no escuro.
Você que inventou a tristeza, ora tenha a fineza de “desinventar”.
Você vai pagar, e é dobrado, cada lágrima rolada nesse meu penar.
Apesar de você amanhã há de ser outro dia.
Ainda pago pra ver o jardim florescer, qual você não queria.
Você vai se amargar vendo o dia raiar sem lhe pedir licença.
E eu vou morrer de rir. E esse dia há de vir, antes do que você pensa.
Apesar de você, amanhã há de ser outro dia.

Os fins justificam os meios?

Em "O Príncipe", Maquiavel afirma que "é muito mais seguro ser temido do que amado". Assim pensam os líderes bem-sucedidos, que focam somente os resultados, em oposição aos líderes eficazes, que priorizam o desenvolvimento do empenho das pessoas. Infelizmente o maquiavelismo não reside apenas na política, na vida pública, mas é muito comum nas empresas modernas. No mundo corporativo prospera o poder coercitivo e o assédio moral. Muitas pessoas se transformam quando chegam à posição de poder. Até se diz que "aqueles que experimentam o poder uma vez nunca mais serão os mesmos". Talvez as pessoas não se transformem de fato, mas apenas revelem quem sempre foram, no fundo. Talvez as pessoas só se conheçam de fato quando houver uma relação de poder entre elas. Para conhecer os mais fortes, observe como eles tratam os mais fracos.