sábado, novembro 08, 2008

A Grande Ilusão

"A Grande Ilusão" (All the King's Men, 1949) é um filme de Robert Rossen com roteiro de Robert Penn Warren, sobre a ascensão e a queda de um político populista e corrupto. O drama começa quando alguns políticos espertalhões resolvem usar o caipira Willie Stark (Broderick Crawford) em uma armação para dividir os votos do povo e vencer as eleições em um estado americano. O problema é que o caipira aprendeu a fazer a mesma política e, aos poucos, se tornou muito pior. A cena do discurso em que ele desafiou os políticos espertalhões é para ficar na história do cinema. Muito interessante.
Em 2006 Steven Zaillian filmou novamente essa estória com um super elenco (Sean Penn, Jude Law, Anthony Hopkins, Kate Winslet etc), mas não ficou tão bom quanto o original.
Robert Rossen dirigiu outros grandes filmes, mas ficou marcado por entregar 57 companheiros do partido comunista ao testemunhar nos interrogatórios do Comitê de Atividades Antiamericanas que durou com diversos nomes de 1934 a 1975. Naquele período, muitos roteiristas tiveram que trabalhar usando pseudônimos por causa da perseguição política, da mesma forma que aconteceu aqui durante os anos da ditadura militar.

A Grande Esperança

Na terça, 4 de novembro, o senador democrata Barack Hussein Obama II venceu as eleições tornando-se o primeiro presidente mestiço dos Estados Unidos. No início do processo eleitoral, confesso que tinha como certa a vitória do candidato republicano, John McCain. Cheguei a comentar que não achava possível que uma mulher (na época, a senadora Hillary Clinton) ou um negro pudesse chegar à presidência dos Estados Unidos. Confesso que fui ficando cada vez mais surpreso, à medida que as pesquisas de intenção de voto vinham apontando Obama como favorito. Embora Obama não seja propriamente negro, mas mestiço, já que é filho de um queniano negro com uma americana branca, fiquei satisfeito com o resultado. É notório que os presidentes democratas têm sido em geral muito melhores que os republicanos. Ao menos para os próprios americanos. Também gostei da atitude do candidato vencido, senador McCain, com um discurso conciliatório diante de uma platéia decepcionada de conservadores reacionários. Tudo bem. Agora resta saber se Obama conseguirá atender às expectativas e tornar-se um estadista do calibre de John Kennedy ou, pelo menos, de Jimmy Carter. Essa é a esperança dos democratas do mundo. Sinceramente, espero que ele não se torne uma grande ilusão.

domingo, novembro 02, 2008

Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto

Outro dia eu estava na locadora já com alguns filmes na mão, sobre os quais ia perguntar a opinião dos atendentes, e vi um filme novo do Sidney Lumet, com um nome enorme: "Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto" (Before the Devil Knows You're Dead, 2007). Não tive dúvidas. Devolvi à prateleira os outros e aluguei este. Faz tempo que faço assim: pego o filme por causa do diretor, escolho o disco através do compositor ou do intérprete, escolho o livro pelo autor, e assim por diante. O autor e a obra têm uma relação tão característica que muitas vezes é possível deduzir de quem é a obra ao se ver, ouvir ou ler dela apenas um trecho como em um teste cego. Meu raciocínio foi simples. Se o cineasta dirigiu "12 Homens e uma Sentença" (12 Angry Men, 1957), "Um Dia de Cão" (Dog Day Afternoon, 1975) e "Rede de Intrigas" (Network, 1976), então a chance de seu novo filme ser ruim é bem pequena. E acertei. Felizmente. A sinopse já dá uma idéia de como é bom o roteiro do Kelly Masterson: dois irmãos que estão em dificuldades financeiras planejam o roubo à joalheria dos próprios pais. A joalheria estava no seguro, eles conheciam a sua rotina e bastaria usar uma arma de brinquedo quando uma empregada velha e que enxergava mal estivesse sozinha na loja. Detalhe: saiu tudo errado. Imagine o que vem a seguir. É melhor você ver com seus próprios olhos. Recomendo.