sábado, outubro 18, 2008

Outubro

O que foi feito, amigo, de tudo que a gente sonhou?
O que foi feito da vida, o que foi feito do amor?
Quisera encontrar aquele verso menino que escrevi há tantos anos atrás.
Falo assim com saudade, falo assim por saber.
Se muito vale o já feito, mais vale o que será.
Mais vale o que será.
E o que foi feito é preciso conhecer para melhor prosseguir.
Falo assim sem tristeza, falo por acreditar que é cobrando o que fomos que nós iremos crescer. Nós iremos crescer, outros outubros virão, outras manhãs, plenas de sol e de luz.
Alertem todos alarmas que o homem que eu era voltou.
A tribo toda reunida, ração dividida ao sol.
E nossa Vera Cruz, quando o descanso era luta pelo pão e aventura sem par.
Quando o cansaço era rio e rio qualquer dava pé.
E a cabeça rolava num gira-girar de amor.
E até mesmo a fé não era cega nem nada, era só nuvem no céu e raiz.
Hoje essa vida só cabe na palma da minha paixão.
Devera nunca se acabe, abelha fazendo o seu mel.
No pranto que criei, nem vá dormir como pedra e esquecer o que foi feito de nós.

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