Espírito moderno

Uma sucessão de fatos tem me levado a refletir sobre misticismo, ocultismo e espiritismo. Vou lembrá-los a seguir, não necessariamente em ordem cronológica direta ou inversa:
- vi o filme “Julieta dos Espíritos”;
- faleceram nesta semana a Ruth Cardoso e a Sylvinha Araújo; e
- vi em algumas livrarias algumas obras que tratam a relação do nazismo com o ocultismo e lembrei na hora da “divisão paranormal da SS” citada no game “Retorno ao Castelo de Wolfenstein”.
Não sou contra o espiritismo por motivos religiosos, a exemplo dos protestantes, mas acho que é uma doutrina perigosa do ponto de vista político, filosófico e ideológico.
Para entender essa questão, assim como a todo o pensamento moderno, é indispensável conhecer os pensadores, escritores, filósofos e cientistas do século XIX. A tese de que há seres superiores, que evoluíram pela seleção natural e sobreviveram por serem mais aptos, quando aplicada a raças e a espíritos é a base do nazismo e do espiritismo. Essa tese serviu de motivo para a perseguição nazista a judeus, ciganos, eslavos, homossexuais, marxistas, além de católicos e testemunhas de Jeová. O codificador da doutrina espírita, Hippolyte Rivail, sob o pseudônimo de Allan Kardec, deixa bem claro seu racismo no artigo “Perfectibilidade da Raça Negra” (Perfectibilité de la race nègre, Revue Spirite - Journal D’Estudes Psychologiques, Avril 1862). Que me perdoem os amigos que acham chique ser espírita, à moda da Globo, de seu jornal Extra e de sua revista Época, mas é apenas a minha opinião. Conto com seu espírito superior e caridoso para que não me condenem por pensar diferente.

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