Chávez e a Imprensa

Chávez disse ontem que o Congresso brasileiro, subordinado ao Congresso de Washington, repete como papagaio o que dizem lá. Ele se referia a um documento emitido pelo nosso Congresso convidando o governante venezuelano a modificar sua posição frente ao canal privado Radio Caracas Televisión (RCTV). Ele disse também que há direitistas em nosso Congresso! Será? ;-)
O nosso Congresso não é nenhum convento de freiras. Tem lá suas mazelas. Mas a generalização chavista é irresponsável. Claro que o nosso Congresso deveria cuidar de nossos assuntos, em vez de se meter na questão venezuelana. Como deu a entender o nosso presidente, cada macaco no seu galho. É normal que uma parcela de nosso Congresso represente a direita. Democracia é assim mesmo. Mas não se pode atacar o todo por causa de uma de suas partes. Acho que teria sido melhor que Chávez simplesmente ignorasse seus opositores de todo o mundo. Mesmo tendo razão em alguns aspectos, ele a perde com seu destempero verbal.
Chávez não fechou a RCTV, mas não renovou a concessão ao canal que tem feito oposição a seu governo. Ele adota a estratégia do confronto em vez do diálogo. Não é uma atitude muito madura. A imprensa desempenha um papel importante na democracia. É claro que a imprensa, como uma parte da sociedade, tem lá seus interesses e por vezes deixa de lado a imparcialidade. Nós temos exemplos claros aqui. No ano passado, a maior parte de nossa imprensa se transformou em cabo eleitoral do Alckmim. Eu, que assinei a Folha por muitos anos, cancelei minha assinatura porque simplesmente "não dava para ler", ao contrário de sua propaganda - "Folha. Não dá para não ler". No entanto a Folha, o Estadão, a Época, a Veja e a Globo perderam a eleição. Aqui nem todo o povo é classe média. Dessa forma, não adiantou a imprensa tentar mudar o voto popular. Perfeito. O povo votou, a classe média votou, a imprensa votou, enfim todos votaram e a democracia segue fortalecida. Não tem terceiro turno. A vida continua. É preciso saber conviver com as críticas. Como dizem, nem Jesus logrou a unanimidade. Os contrários podem conviver em um regime de liberdade, responsabilidade e tolerância. É natural também que "quem fala o que quer acaba ouvindo o que não quer".

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