sábado, dezembro 31, 2005

Cidade do Pecado


Sin City (2005, Frank Miller, Robert Rodriguez e Quentin Tarantino) é uma perfeita transposição dos quadrinhos de Frank Miller para a telona. Este filme combina três graphic novels: The Hard Goodbye, The Big Fat Kill e That Yellow Bastard. Tarantino dirigiu parte do segundo episódio, ponto baixo do filme, em retribuição a Rodriguez, que tinha composto a trilha sonora de Kill Bill - Volume 2 (2004). Branco e preto, apresentando cores somente quando totalmente relevante para a estória. Descontando-se a segunda parte, é um excelente filme noir, misto de policial e suspense, que mostra uma cidade corrupta e cheia de gângsters, vigaristas, assassinos, vigilantes, mulheres lindas e fatais. A terceira parte, com Bruce Willis, me fez lembrar o game Max Payne (2001, Remedy Entertainment). Descontando-se uma certa violência - não é um filme para toda a família, vale a pena conferir.

sábado, dezembro 24, 2005

De novo, a amizade


Henry Ford disse: "my best friend is the one who brings out the best in me", que poderíamos traduzir como: o melhor amigo é aquele que cultiva, desenvolve e revela o melhor de nós. De certa forma, o melhor amigo nos obriga a fazer coisas que até detestamos, só porque é melhor para nós. E nos faz querer ser pessoas melhores. Nossos amigos vêem o melhor em nós e só por causa disto extraem o melhor de nós. E nós temos a necessidade de ter alguém assim, que nos obrigue a realizar aquilo de que somos capazes. É este o papel da amizade.
Então amigos, como disse Tancredo em 1985, "não vamos nos dispersar. Continuemos reunidos...Com a mesma emoção, a mesma dignidade e a mesma decisão".
Em outras palavras, feliz Natal e o melhor Ano Novo para todos vocês!

terça-feira, dezembro 13, 2005

Evolucionismo


Outro dia (23/11) mencionei a polêmica envolvendo o darwinismo e o criacionismo. Embora eu tenha deixado claro, penso, chegaram a me perguntar de que lado eu estava. Disse que estava do lado da ciência. E não da religião - nenhuma religião. Aliás, nenhum credo político, filosófico ou religioso que rotule pessoas, mentes ou nações com os adjetivos "primitivo", "civilizado", "atrasado", "avançado" etc.
Para mim, o único evolucionismo aceitável é o darwinismo, que trata da evolução biológica baseada na seleção natural e na sobrevivência das espécies mais adaptadas. Neste caso, evolução não significa melhoria, a não ser de adaptação. Assim, não vejo espécies (ou espécimes) melhores ou piores, mais ou menos evoluídas, mas mais adaptadas ou não. Não entendo que a Periplaneta americana seja menos evoluída que o Homo sapiens. Aliás, ela é muitíssimo bem adaptada. Não é à toa que está aí há muito mais tempo que o Homo sapiens, e é capaz de permanecer no planeta mesmo após uma eventual catástrofe nuclear. Que espécie é mais "evoluída"?
Acho muito perigoso apropriar-se do darwinismo aplicando-o à ideologia. Os positivistas fizeram isto, criando o evolucionismo social, que justificou o colonialismo e a escravidão. E muito pior: o social-darwinismo, que justifica o nazismo, o fascismo, e todas as ditaduras e formas de racismo.

domingo, dezembro 11, 2005

Hellboy


Ontem vi na HBO um filme de super-herói, baseado em histórias em quadrinhos. Foi "Hellboy" (Hellboy, 2004, Guillermo del Toro). O protagonista é um diabinho produzido com magia negra pelos nazistas, resgatado pelos aliados, que cresce e se torna um super-herói. Apesar das constantes batalhas entre os bons e os maus, os mocinhos e os vilões, fórmula já superexplorada, o filme é divertido. Seu ponto forte está no comportamento rebelde e no humor irreverente do herói. Hellboy (Ron Perlman) tem o corpo vermelho, a mão direita feita de pedra, um rabo longo, e chifres que ele apara diariamente como se estivesse fazendo a barba. E morre de ciúmes da namorada, Liz (Selma Blair), que tem poderes "pirocinéticos", lembrando bastante os X-Men. Mas o que gostei mesmo foi o que disse o narrador no final:
"What makes a man a Man? A friend of mine once wondered.
Is it his origins? The way he comes to life? I don't think so.
It's the choices he makes. Not how he starts things, but how he decides to end them".
A tradução ficou mais ou menos assim:
"O que determina o caráter de um homem? Um amigo me perguntou. São suas origens? A forma como ele nasce? Não acredito nisso. São as escolhas que ele faz. Não como ele começa as coisas, mas como ele decide terminá-las".

quarta-feira, novembro 30, 2005

Cassar ou não Dirceu?


Agora pouco começou a votação da representação do PTB contra o deputado federal e ex-ministro chefe da Casa Civil José Dirceu por falta de decoro parlamentar. Se eu fosse parlamentar, votaria contra a cassação do mandato do deputado Zé Dirceu. Por quê? Fundamentalmente porque não há provas cabais de tal acusação. Cassar um mandato sem provas não é democrático. É simples assim. Se eu o considero inocente nessa crise política? Não, claro que não. Mas daí a cassar seu mandato...Acho que temos que ter equilíbrio nestas situações. Concordo com a deputada Luciana Genro (ex-PT, hoje PSOL), que provavelmente o Zé é um dos responsáveis por transformar o PT, que era um partido que passou vinte anos propondo uma forma diferente e ética de fazer política, em um partido que agora se esforça para demonstrar que é igual aos outros, que não faz nada diferente dos outros. É uma grande responsabilidade política. Por isso ele deve e será julgado nas próximas eleições. Não precisa e nem deve ser julgado agora por trezentos ou mais picaretas.

quarta-feira, novembro 23, 2005

Darwinismo X Criacionismo


A Folha de hoje destaca, no Caderno Ciência, a guerra cultural entre a comunidade científica e os conservadores cristãos (reacionários, para ser mais claro). O Museu Americano de História Natural abriu a maior exposição sobre Darwin. Veja sua biblioteca virtual. No Estado do Kansas é obrigatório o ensino do "design inteligente" (novo nome do criacionismo bíblico lá) juntamente com a teoria da evolução das espécies! A organização direitista e reacionária TFP adorou este retrocesso na educação americana. Quem achava que só os brasileiros fossem atrasados?

terça-feira, novembro 22, 2005

A crise política


Hoje conversei sobre o momento político atual com uma amiga, que me indicou a leitura da revista Caros Amigos (da Editora Casa Amarela). A capa da edição de novembro destaca a entrevista da Marilena Chauí, filósofa e professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP: "A Crise é um Produto da Mídia". O artigo é longo, mas interessante e instrutivo. Se você assina ou compra essas revistas sensacionalistas de fim de semana e acha que está bem informado, tente esta alternativa. Informar-se, assim como estudar, é como fazer uma investigação - nunca forme uma opinião sem antes considerar todas as alternativas, ponderar todas as possibilidades.

segunda-feira, novembro 21, 2005

O Ringue


Não se trata do que acontece nas nossas casas legislativas, câmara, assembléia ou senado. "O Ringue" (The Ring, 1927, Alfred Hitchcock) é considerado a melhor obra da fase muda de Hitchcock. O título refere-se genialmente a quatro elementos do filme: ao ringue de boxe (boxing ring), a um anel de casamento (wedding ring), a um certo bracelete (bracelet), e ao triângulo amoroso entre dois pugilistas e uma jovem, esposa de um e amante de outro. Não vou contar nem o resumo do filme, porque você não deve assisti-lo. Além de branco e preto, é mudo. É só para cinéfilos.

Chantagem e Confissão


Não, não tem nada a ver com a CPI dos Correios, dos Bingos, ou do Mensalão. "Chantagem & Confissão" (Blackmail, 1929, Alfred Hitchcock) é o primeiro filme sonoro da Inglaterra e do mestre do suspense. É sobre a filha de um comerciante de Londres dos anos 20. A moça namora um detetive da Scotland Yard, mas resolve conhecer o apartamento de um artista. O artista tenta estuprá-la, e ela acaba matando o cara, em legítima defesa. Acontece que seu namorado é incumbido do caso, e descobre logo que ela é a autora. Tenta poupá-la, mas aí aparece um chantagista. O filme é branco e preto, além de ter falhas técnicas. Era para ser mudo, mas no meio das filmagens passou a ser sonorizado. O som só aparece com 8 minutos de filme. No entanto, é Hitchcock. Mas se você é fã só daqueles filmes caros, cheios de efeitos especiais, com modelos no lugar de atores e atrizes, tenho uma dica: nem pense em assistir este filme.

terça-feira, novembro 15, 2005

Código Da Vinci, a TFP e nosso "sim" às armas


Você já deve ter ouvido o provérbio: "O que é que tem a ver o cu com as calças?". Pois é. O que tem a ver uma coisa com a outra? É simples. Eu não ia mencionar. Mas nesse feriadão terminei de ler o "The Da Vinci Code - A Novel" (Doubleday, 2003. Dan Brown). Como já comentei aqui, é um suspense que cita a Opus Dei e o Priorado de Sião, e que estréia na telona ano que vem. Como li no original, estava procurando a tradução de "priory" (priorado), e na Internet, achei uns sites que afirmam que a tal sociedade secreta nunca existiu. A uma certa altura da pesquisa, achei o site da Sociedade Americana para a Defesa da Tradição, Família e Propriedade rejeitando o livro, denunciando o uso da ficção para espalhar o erro, e afirmando que o romance blasfemo ataca brutalmente Nosso Senhor e a Igreja Católica. Bem feito. A gente engoliu o Pato Donald, mas o tiro saiu pela culatra para o colonialismo cultural: os yankees importaram a "nossa" TFP (criada pelo "companheiro" Plínio Corrêa de Oliveira em 1960)! De quebra, notei que eles festejaram a vitória do "não" à proibição do comércio de armas e munições aqui, no artigo "Brazil says NO to gun control".
E eu que achei que não ia ter assunto! Ah, a tal palavra lá do provérbio não tem acento, não, tá? ;-)

segunda-feira, novembro 14, 2005

Parque Nacional do Itatiaia



Visconde de Mauá Posted by Picasa
Lembra que passei por Penedo e Visconde de Mauá em fevereiro, quando fui à Serra Fluminense? Pois é. Fui lá de novo. De novo, fora da melhor época. O recomendável é ir no período outono-inverno, ou melhor, de abril a outubro. Nessa época chove menos e se pode curtir melhor o clima de montanha. Fiquei na vila de Maringá-MG, que é separada de Maringá-RJ pelo Rio Preto, e fica entre Visconde de Mauá (6 km) e Maromba (3 km). O que eu vi por lá? A cachoeira do Escorrega, em Maromba, e as cachoeiras Santa Clara, Toca da Raposa e Santuário, no Vale da Santa Clara, onde comi uma truta deliciosa. Se você gosta de aventuras, como caminhadas por trilhas e escaladas, vá sem falta. Mas se prefere curtir um chalé, uma lareira... Faça esse favor a si mesmo(a). Se gosta da comida mineira, então nem se fala, uai - dê uma passadinha no Gosto com Gosto.
Na volta ainda passei pelo Parque Nacional do Itatiaia. Lá conheci o Mirante Último Adeus, o Centro de Visitantes e Museu da Fauna e Flora, além da Cascata e a Piscina do Maromba. Da próxima vez, quero conhecer melhor este parque cuidado pelo Ibama, e quem sabe, conhecer os picos das Prateleiras (2548 m) e das Agulhas Negras (2791 m), onde nevou em 1985 e 1988.
Agora que lembrei: se você for a Visconde de Mauá, no "Gosto com Gosto", não deixe de molhar o bico com a cachaça Salinas!

terça-feira, outubro 25, 2005

Direitos Civis


Ontem morreu Rosa Louise Parks, a costureira negra que, em 1º de dezembro de 1955, em Montgomery, Alabama, foi presa, julgada e condenada por conduta tumultuosa e por violar uma lei local, porque se recusou a obedecer à ordem do motorista do ônibus para dar seu lugar a um homem branco. Resultado: a comunidade negra boicotou os ônibus públicos por 381 dias, e os ônibus circularam praticamente vazios, até que aquela lei de segregação foi suspensa. Uma vez ela disse: “Gostaria de ser conhecida como alguém interessada na liberdade, na igualdade, na justiça e na prosperidade para todas as pessoas”.


Hoje é o dia da democracia. Há 30 anos o jornalista Vladimir Herzog, diretor de jornalismo da TV Cultura, foi preso e brutalmente torturado até a morte nas dependências do DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna, sucessor da Oban - Operação Bandeirantes). O comandante do 2º Exército, general Ednardo D´Ávila Mello, afirmou no dia seguinte que Herzog tinha se suicidado. O general mentiroso foi demitido pelo Geisel só em 16 de janeiro de 1976, quando o operário Manuel Fiel Filho também “foi suicidado”. São tristes estes “fatos de um passado trágico”. Enquanto acontecia eu estava na Unicamp e aí soube o que se passava de fato no país. Muita gente não sabia disso, porque havia censura. Mas é muito triste constatar que hoje as pessoas, e principalmente os jovens, ainda não sabem o que houve. Há um completo desconhecimento da história recente do país. As pessoas não lêem. E quando o fazem, nem têm idéia de como se comportaram suas fontes de informação naquela época. É impressionante o número de jornalista “meia-colher” escrevendo e falando por aí na mídia. Para terminar: que tal assistir “Vlado – 30 Anos Depois” (João Batista de Andrade, 2005)?

domingo, outubro 23, 2005

Sim ou não?


Cheguei da escola onde fui votar. Votei "sim" à proibição do comércio de armas de fogo e munição. Pesquisas de boca de urna apontam a vitória do "não". Estou desapontado. Muita gente de quem eu gosto votou ou vai votar no "não". Bom, vou continuar gostando dessas pessoas. Mas não de suas idéias, de suas crenças, de suas escolhas. Por outro lado, acho que algumas pessoas vão me olhar de forma diferente porque explicitei minha escolha pelo "sim". Num ambiente em que é necessário fazer e explicitar uma escolha, sempre há o risco de acabar sendo penalizado, caso sua escolha seja diferente daquela da maioria ou dos mais importantes numa hierarquia. Aí caberia um exercício de maturidade e tolerância: manter a diferenciação entre pessoas e idéias. Infelizmente é comum não se fazer isso. As pessoas não deveriam ser julgadas por suas idéias. No entanto, são. E não somente nas ditaduras, nos regimes de exceção. Isto acontece no mundo todo, mesmo nas democracias mais consolidadas. Senão, não haveria preconceito e perseguição a pessoas que simplesmente são diferentes ou pensam diferente. Que bom seria se todos levassem em conta o que disse Voltaire: "Posso não concordar com o que você tem a dizer, mas eu defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”. Tratamento justo e respeitoso às pessoas - este deveria ser um dos valores mais importantes para a humanidade.

terça-feira, outubro 18, 2005

Nossa Língua


Costumo dizer que na fala do cotidiano é até aceitável falar-se "errado". Tudo depende do contexto, do meio, das pessoas com quem você estiver falando. Questão de adequação. Não vá querer falar português literário numa geral em pleno clássico de futebol. E nem tratar um juiz de direito como se estivesse se dirigindo a um conhecido num botequim. Mas na hora de escrever, cuidado. Recebo cada e-mail no ambiente profissional que nem acredito. Tudo bem que também não sou infalível. Mas juro que me preocupo quando estou escrevendo. Aliás, aceito toda e qualquer observação, sem levar para o lado pessoal. Porque tenho interesse em me aprimorar. Acho que vale para a escrita a seguinte passagem bíblica: "é melhor ficar calado e passar por idiota do que falar e dar essa certeza aos outros". Mesmo num chat dá para se notar o nível cultural das pessoas. Bem, toquei no tema porque "descobri" uma revista muito interessante sobre a nossa língua, a "Língua Portuguesa", da Editora Segmento. Estão ótimas as matérias sobre o gerundismo, na 1a. edição; e sobre a crase, nesta 2a. edição. Recomendo.

sábado, outubro 15, 2005

A razão da Veja


Ficou claro porque a revista "Veja" optou pelo "não" no referendo sobre as armas. Segundo a Barbara Gancia, hoje no caderno Cotidiano da Folha, a Editora Abril paga o aluguel de sua sede à família Birmann, que também é proprietária da CBC - Companhia Brasileira de Cartuchos. Para quem não sabe, a CBC fabrica armas e munições. Agora entendi.

domingo, outubro 09, 2005

Butantan


Você já foi ao Instituto Butantan? Não? Então vá. O Butantan produz soros, vacinas e biofármacos, desde 1901. Não deixe de ver os museus (biológico, histórico e microbiológico) e a biblioteca, tudo dentro de um parque no final da Av. Vital Brasil, ao lado da Cidade Universitária. Ontem fui lá de novo, depois de um bom tempo. Valeu a pena. Fica aqui então esta dica de passeio para fim de semana. Pode conferir.

Alcachofra


Você já comeu alcachofra? Eu comi ontem pela primeira vez. É que fui à Expo São Roque. A alcachofra ("artichoke" em inglês, e "carciofo" em italiano) é uma flor comestível que faz parte da dieta do mediterrâneo. E sua variedade roxa foi desenvolvida aqui. Ela é uma planta medicinal eficaz no tratamento de doenças hepáticas, colesterol alto e insuficiência renal. Interessante, não? Existem diversos sites na Internet a respeito das propriedades terapêuticas da alcachofra. Há também outros sobre como plantá-las, e como prepará-las com deliciosas receitas culinárias.

São Bernardo


Hoje fui ver o time de minha cidade, o São Bernardo F.C., no estádio 1° de Maio, na Vila Euclides. Sim, é o mesmo estádio que foi palco de manifestações dos metalúrgicos em greve em 1979. Dei sorte: o São Bernardo goleou o Penapolense por 5 x 0, e por isso vai disputar a série A3 no ano que vem. Já que estou aqui desde 1985, não custa nada torcer para o time local. Só não vale trocar de time se o São Bernardo (também conhecido por "Tigre") chegar à 1a. divisão, como fez o Azulão, de São Caetano.

Um clássico do jornalismo panfletário


É o que o jornalista Alberto Dines, do "Observatório da Imprensa", pensa da reportagem de capa da "Veja", em seu artigo "Não" ao desarmamento, "sim" ao facciosismo. É o que li hoje na seção do ombudsman da Folha, Marcelo Beraba. Ao contrário da "Veja", a revista "Trip" é favorável ao "sim". Embora eu concorde com a posição da "Trip", tenho que parabenizar a revista "Época" por sua imparcialidade.

sexta-feira, outubro 07, 2005

As 7 razões da Veja


Em minha passagem pela universidade, uma das lições que aprendi foi questionar as fontes de informação. Primeiro, buscar diferentes fontes. Depois, aprender a identificar qual tendência cada uma delas tem. Informação é poder. Os meios de comunicação geralmente estão concentrados em poucas mãos, que escolhem o que vão informar, de acordo com seus interesses e tendências políticas, filosóficas ou religiosas. É preciso ter cuidado com o que é informado, e preocupar-se com o que não é informado.
O malufismo, sucessor do ademarismo, que tinha a lógica do “rouba, mas faz” é retrógrado e - como dizia uma prefeita – nefasto. No entanto, na época da Paulipetro, criada em 1979 pelo então governador Maluf, este era satirizado diariamente pelo Jornal da Tarde, que era uma edição simplificada do jornal O Estado de S.Paulo. Lembro que o governador era caracterizado em desenho como Pinóquio, e a cada dia seu nariz aparecia maior em primeira página. Claro que a aventura da Paulipetro foi o mesmo que jogar dinheiro público fora, sem falar do possível destino de parte desse dinheiro. Isto era claro para mim. No entanto, eu discordava da forma como isto era informado. Achava e acho que esse jeito de informar não é jornalismo. Não questionava o conteúdo, mas sim a forma. Essa forma está muito mais para panfletagem do que para jornalismo. De qualquer forma, foi interessante notar qual a tendência desses jornais, por seus editoriais e pelas opiniões de seus colunistas.
Esta semana fiquei surpreso e desapontado com a revista Veja. Claramente ela tomou partido com relação ao referendo das armas. Anunciou em sua capa suas sete razões para votar não, e afirmou que a proibição vai desarmar a população e fortalecer o arsenal dos bandidos. Na minha percepção, a revista deveria abordar o tema, que é atual, mas de forma isenta e equilibrada, ponderando os prós e os contras para que o público pudesse tomar uma decisão de forma amadurecida. Para mim, quando tomou partido, essa revista perdeu uma grande oportunidade de informar melhor seus leitores. Talvez ela esteja mais sintonizada com seus anunciantes, já que cerca de 40% de suas páginas trazem propaganda, sem contar a Vejinha. Já anunciei aqui minha posição em relação à questão do desarmamento. Mas confesso que acho a questão dos direitos adquiridos um tanto delicada. Assim, comprei a revista, achando que estava obtendo informação para melhor entender essa questão. Engano. Obtive apenas um monte de propaganda e sete argumentos bastante questionáveis a favor do “não”.

terça-feira, setembro 27, 2005

Nota de falecimento


O Agente 86, Maxwell Smart (Don Adams, aos 82 anos), morreu antes de ontem. E ontem foi a vez de Carlos Bronco Dinossauro (Ronald Golias, aos 76 anos), também conhecido como Pacífico e Professor Bartolomeu. Ambos lutaram até o fim contra dois grandes males do mundo: a tristeza e o mau humor. Ai de nós, que ficaremos sem estes dois palhaços queridos.
See you, Adams.
Até logo, Golias.

domingo, setembro 25, 2005

Seabiscuit, alma de herói


Ontem vi na HBO Seabiscuit (2003, Gary Ross), um filme interessante sobre um cavalo de corridas que, ao se tornar um vencedor, muda a vida de seu jóquei, de seu treinador, de seu dono, e até de uma nação inteira na Era da Depressão americana. O filme é meio longo (140 minutos), mas tem qualidade. É um drama baseado no livro "Seabiscuit - An American Legend" da Laura Hillenbrand. O jóquei é Red Pollard (Toby Maguire, o Homem-Aranha, Spider-Man), o treinador é Tom Smith (Chris Cooper), e o dono é Charles Howard (Jeff Bridges), trio bastante competente. Red e Seabiscuit (o cavalo) têm algo em comum: foram separados da família logo cedo - daí se notam muitas semelhanças entre eles. Mas vou parar por aqui. Tenha um pouco de paciência e confira.

Piracicaba


Hoje saí da toca. Fui ver o 32° Salão Internacional de Humor de Piracicaba. Piracicaba fica a uns 150 km de São Paulo, via Rodovia dos Bandeirantes. Se não puder ir, pelo menos visite o site http://www.salaodehumordepiracicaba.com.br/ - vale a pena. Se der fome, sugiro dar uma passadinha no Giardino Ristorante. Só fiquei meio desapontado com o rio, que parece que está bem poluído, o que é uma pena. Mas foi inevitável lembrar:

O rio de Piracicaba
Vai jogar água pra fora
Quando chegar a água
Dos olhos de alguém que chora
...
Essa é do tempo em que ainda havia boa música sertaneja. É "Rio de Lágrimas", de Tião Carreiro e Pardinho. Hoje existe uma música eletronicamente sintetizada que imita o country americano. Tem o mesmo gosto daqueles hambúrgueres...

Vale a pena sonhar, Apolônio


Sexta, antes de ontem, morreu Apolônio de Carvalho aos 93 anos de idade. Para quem não sabe, "o herói de três pátrias" (é assim que Jorge Amado o chamava) lutou na Intentona Comunista, junto com Prestes, contra Vargas em 1935; na Guerra Civil Espanhola, depois de Orwell, contra Franco em 1938 e 1939; na Resistência Francesa, contra o nazismo entre 1942 e 1945; e contra a ditadura militar entre 1970 e 1972. Bom, sei que hoje em dia é comum as pessoas não conhecerem a história recente do país. Por isso, lembro novamente Bertolt Brecht:
"O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo."
Para não me estender no tema, fica aqui uma homenagem ao lutador imprescindível que foi Apolônio:

Imagine there's no heaven,
It's easy if you try,
No hell below us,
Above us only sky,
Imagine all the people
living for today...

Imagine there's no countries,
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for,
And no religion too,
Imagine all the people
living life in peace...

You may say I'm a dreamer,
but I'm not the only one,
I hope some day you will join us,
And the world will be as one

Imagine no possesions,
I wonder if you can,
No need for greed or hunger,
A brotherhood of man,
imagine all the people
Sharing all the world...

You may say I'm a dreamer,
but I'm not the only one,
I hope some day you will join us,
And the world will live as one

domingo, setembro 11, 2005

Todos malufaram?


Parece que sim. Quase todos, como diz o artigo do Clovis Rossi hoje na Folha. Finalmente prenderam preventivamente o sujeito, mas as manchetes principais ficaram com o "mensalinho" de seu colega de partido, o Severino. O filhote do Costa e Silva passa o fim de semana na cadeia! Até que enfim. Já era hora. Ou como andam dizendo hoje, demorou. Para quem não sabe, o cara-de-pau surgiu na política graças à amizade com o general Costa e Silva. Esse padrinho o indicou diretor da CEF em São Paulo em 1967. E em 1969 fez com que o governador Sodré o nomeasse prefeito de São Paulo. No ano seguinte, com dinheiro público, ele doou Fuscas ao campeões da Copa. Talvez tenha sido essa sua primeira "má lufada", como disse uma vez (1982) o Rogê Ferreira (do PDT). Depois disso, foram muitas malufadas. Talvez sua maior pérola tenha sido aquela: "está com apetite sexual?; estupra, mas não mata!". Fez escola esse sujeito. Uma única viga podre faz desmoronar a casa inteira, diz um provérbio russo. Se tivessem pegado o sujeito antes, outros não se sentiriam encorajados a seguir seus passos.

quarta-feira, setembro 07, 2005

O que é podcasting?



É a criação e divulgação de arquivos de áudio geralmente no formato mp3 por meio de arquivos XML do tipo RSS. Estes arquivos podem conter música, shows, programas de rádio, propaganda, opinião, discursos, sermões, conselhos e orientações de especialistas etc. São chamados de feeds de áudio, e são semelhantes aos feeds de RSS, que contêm apenas texto e links, e que comentamos em 10/07/2005, lembra? Para obter os feeds de áudio você também vai precisar de um agregador (aggregator) ou leitor (reader), também chamado de podcatcher ou podcast receiver, como por exemplo o iPodder, o PrimeTime, ou o Doppler, todos gratuitos e disponíveis na Internet. Eu instalei o iTunes, que além de agregador também é um jukebox digital. Possui um diretório de podcasts com gêneros, categorias e subcategorias. Pode-se assinar (subscribe) o podcast através desse diretório, ou no menu Advanced, colocando-se a URL do podcast na caixa da opção Subscribe to Podcast. Parece complicado, mas é bem fácil, pode tentar. Por outro lado, estou tentando aprender a criar e divulgar meus próprios podcasts. Logo darei notícias, espero.

domingo, agosto 21, 2005

O Sabotador


Não, não é o Buratti. É o filme do Hitchcock que vi na TCM (Saboteur, 1942). Nele, Barry Kane (Robert Cummings), que trabalha em uma fábrica de aviões, tem que fugir quando é acusado por engano de sabotagem por ter supostamente iniciado um incêndio que matou seu melhor amigo. Na fuga, conhece a modelo loira Patricia Martin (Priscilla Lane), com quem persegue o verdadeiro sabotador, Frank Fry (Norman Lloyd). A cena da sabotagem do navio Normandie no cais de Nova York é real. Mas foi a Máfia que fez a sabotagem, e não os nazistas. A Máfia queria que o governo a pagasse por proteção contra as sabotagens nazistas. A Marinha americana tentou convencer o mestre do suspense a tirar aquela cena do filme, mas Hitchcock a manteve. O mestre claramente toma partido contra o nazismo durante a Segunda Guerra Mundial. E termina o suspense filmando na Estátua da Liberdade, que é um símbolo nacional. Mais tarde, ele mostrou o Mount Rushmore, com as faces esculpidas de quatro presidentes americanos, em "Intriga Internacional" (North by Northwest, 1959).

quinta-feira, agosto 18, 2005

O que é isto, companheiros?


Concordo que todo mundo é inocente até que se prove o contrário. Mas depois que o Hélio Bicudo, petista histórico, afirmou à revista Veja que Lula é mestre em esconder a sujeira embaixo do tapete, só posso concluir uma coisa. No mínimo, o presidente sabia de todo esquema do mensalão e optou por não fazer nada a respeito.
Tenho aguardado os fatos para formar uma opinião definitiva. Mas também não acho adequado só me pronunciar no final do processo, como se tivesse receio em dar uma opinião em determinado momento, como se tivesse receio de errar. Tudo indica que a cúpula do PT, o pessoal do Campo Majoritário, e o chamado núcleo duro do governo, todos jogaram a biografia que tinham na lata de lixo, junto com a bandeira da ética e da moralidade. É como ouvi desde pequeno: "diga-me com quem andas e te direi quem és". Campanha eleitoral feita pelo Duda Mendonça, que tinha feito anteriormente a campanha do Maluf. Aliança com o PL, o PP, o PTB, partidos fisiológicos. Política econômica voltada apenas ao "mercado". Tinha que haver alguma coisa errada, não? Essa história toda me lembra o final do livro "A Revolução dos Bichos" (Animal Farm, George Orwell, 1945), que é mais ou menos assim: "no final não dava mais para saber quem era homem e quem era porco".

terça-feira, agosto 16, 2005

Hitchcock na TV


Este mês o TCM (Turner Classic Movies, canal de filmes clássicos) exibe vários clássicos do mestre do suspense. Domingo passou "Um Corpo Que Cai" às 20 horas e "Cortina Rasgada" à meia noite. Ontem, segunda, "A Sombra de Uma Dúvida" e "O Sabotador". Este último eu não tinha visto. Por sorte, gravei. E, assim que assistir, vou comentar aqui. A boa notícia é que não vamos precisar alugar nem comprar estes filmes para ver neste mês. Pena que é só para quem tem TV paga, que tem o TCM incluído no pacote. Não perca "Psicose" e "Os Pássaros"! Confira a programação em

http://www.tcmla.com/pt/programming/

domingo, agosto 14, 2005

Alfred Hitchcock The Signature Collection


Tive a sorte de ver 3 filmes da coleção "Alfred Hitchcock - The Signature Collection" e decidi comentá-los aqui. Juro que os títulos nada têm a ver com a atual crise política tupiniquim.

  • "Suspeita" (Suspicion, 1941) é um suspense noir sobre uma mulher que desconfia o tempo todo que seu marido planeja matá-la para ficar com a herança e quitar dívidas. Ela é Lina (Joan Fontaine, belíssima). Ele, Johnnie (Cary Grant, o ator preferido do mestre). O roteiro original colocava Johnnie como culpado, mas o estúdio vetou essa alternativa alegando que o público não aceitaria Cary Grant como assassino. A cena de Johnnie levando para Lina um copo de leite possivelmente envenenado vai ficar para sempre na memória de quem gosta de cinema.
  • "Pavor nos Bastidores" (Stage Fright, 1950) é, se bem me lembro, o único filme que vi com a lendária Marlene Dietrich. Mas quem rouba a cena é a Jane Wyman, que interpreta a estudante de teatro Eve, que faz de tudo para inocentar o amigo Jonathan (Richard Todd), acusado de ter assassinado o marido da grande estrela dos palcos Charlotte Inwood (Marlene Dietrich). O filme começa mostrando as cortinas de um palco de teatro sendo erguidas e ao fundo se vê aos poucos surgir a cidade de Londres. Aí vemos Eve dirigindo um carro enquanto Jonathan lhe conta como se envolveu no mencionado assassinato. Detalhe: quem dirige, na verdade, é a própria filha do mestre, Patricia Hitchcock, que interpreta Chubby, amiga de Eve. E ao revelar o que aconteceu, Jonathan protagoniza um falso flash back, considerado por alguns uma falha do mestre.
  • "A Tortura do Silêncio" (I confess, 1953) é o drama do padre Logan (Montgomery Clift), que ouve a confissão de um assassino, mas pelas normas da Igreja não pode revelar este segredo de confissão nem mesmo quando evidências circunstanciais o apontam como o principal suspeito. Como sempre, há uma bela loira na estória, que dessa vez é Anne Baxter, interpretando Ruth, ex-namorada ainda apaixonada pelo padre. Como ele tinha ido para a guerra, ela se casou com Pierre (Roger Dann), o patrão bonzinho. O rapaz volta da guerra e se torna padre. Bom, imagine o que vai acontecer depois. Ou melhor, assista o filme, que vale a pena. Mais uma vez o mestre enfrenta críticas e censura por citar coisas que poderiam não agradar ao público americano naquela época.

Crianças e Adolescentes Desaparecidos


Se você recebe de vez em quando aqueles e-mails sobre crianças e adolescentes desaparecidos e quer se certificar de que não é apenas spam, confira neste site do Ministério da Justiça:
http://www2.mj.gov.br/desaparecidos/

Deputado Miguel Arraes morre aos 88, em Recife


"Ícone da velha esquerda, Arraes morre em Pernambuco" é a manchete da Folha. Só vou comentar o que vem a seguir, sobre Miguel Arraes (de Alencar), presidente nacional do PSB, Partido Socialista Brasileiro:

Há homens que lutam um dia e são bons.
Há outros que lutam um ano e são melhores.
Há os que lutam muitos anos e são muito bons.
Porém há os que lutam toda a vida. Esses são os imprescindíveis.

Bertolt Brecht

sábado, agosto 06, 2005

Nos EUA, 57% aprovam ataque a Hiroshima


Não bastasse o país mais rico do mundo ter cometido um dos maiores crimes contra a humanidade, ainda hoje a maioria de seus habitantes aprova tal barbárie. Que absurdo! Essa é a manchete da Folha hoje. E o MAC (Museu de Arte Contemporânea), no Ibirapuera, tem até 9 de outubro a exposição gratuita "Hiroshima - Testemunhos e Diálogos". Imagens valem mais do que palavras.

segunda-feira, agosto 01, 2005

Proibição para arma tem o apoio de 80%


Esta é a manchete na seção Cotidiano da Folha nesta segunda-feira. E hoje começa oficialmente a campanha do referendo de 23 de outubro (por engano, afirmei 2 de outubro no post anterior sobre desarmamento). Sou a favor do desarmamento, mas concordo que só desarmar não basta para se reduzir a violência. E acho que outras medidas estão sendo ou deverão ser tomadas para que este problema diminua cada vez mais. Não quero entrar em detalhes porque não me considero competente para falar deste tema com propriedade. Provavelmente estaria sendo simplista ou tendencioso. Sugiro a leitura deste artigo da Cláudia Collucci na Folha: "Só desarmar não basta, dizem especialistas".

domingo, julho 31, 2005

Trama Macabra


Não tem nada a ver com o mensalão. "Trama Macabra" (Family Plot, 1976, Alfred Hitchcock) é um suspense bem humorado sobre uma falsa médium, Blanche (Barbara Harris) e seu namorado motorista de táxi e detetive particular amador, George (Bruce Dern). Ao procurar por um herdeiro desconhecido de uma velhinha rica, eles acabam descobrindo um seqüestrador e ladrão de jóias, Arthur (William Devane) e sua comparsa Fran (Karen Black). Embora não seja um clássico, é uma bela trama. Tem como base o romance "The Rainbird Pattern" de Victor Canning. O nome do filme seria "Deceit" (Fraude), mas Hitchcock não gostou desse nome. Embora preferisse nomes simples (como Psicose, Notorius, Frenesi, Topázio etc), acabou aceitando "Family Plot" por falta de alternativas. Destaque para a cena com o carro sem freios e com o acelerador travado a toda velocidade numa estrada tortuosa e cheia de barrancos. Esta cena, inclusive, não foi dirigida pelo mestre, que a essa altura já não queria dirigir cenas externas. É, infelizmente, o último filme do grande mestre do suspense.

sábado, julho 30, 2005

A questão do desarmamento


Recebi um e-mail que anda circulando pela Internet para defender a posse de armas de fogo e munição. Nele, afirma-se que em muitos países houve muitos massacres após o desarmamento da população. Pelo jeito, já é campanha eleitoral para o plebiscito sobre desarmamento, de dois de outubro próximo. E disfarçadamente também já começou a campanha para presidente em 2006. A direita está feliz da vida porque um setor da esquerda fez agora o que ela sempre fez no Brasil.
Já que recebi esse lixo cheio de motivos contra o desarmamento, dou aqui minha opinião: vou votar a favor do desarmamento, sim. Nunca andei armado e nunca vou andar. É isso.

As Vinhas da Ira


A TV Globo passou nesta madrugada este magnífico filme em branco e preto: "As Vinhas da Ira" (The Grapes of Wrath, 1940, John Ford). A pobre família Joad é forçada a deixar sua terrinha em Oklahoma, viajando como retirantes para a Califórnia (pela Rota 66), na esperança de arrumar emprego. São os sem teto da era da Grande Depressão nos Estados Unidos. É uma história de trabalhadores camponeses oprimidos e explorados pelo capitalismo. Baseada no livro de John Steinbeck. Tem Henry Fonda (Tom Joad) e John Caradine (Casy) no elenco. Obra-prima de John Ford. É por isso que eu fico atento à programação da TV.

Dias difíceis


Parte I - A tragédia


O teto branco parecia passar rapidamente. Uma luminária após a outra, em linha, brancas também. Era um corredor. Vira-se à direita. Outro corredor. Logo depois, à esquerda, outro. As portas duplas se abriam, tocadas pela maca. E deviam se fechar assim que a maca passava. Não conseguia ver. Nem via quem guiava a maca, onde eu estava deitado. Só sei que estava indo para o centro cirúrgico. Litotripsia (renal ou ureteral) intracorpórea, também conhecido por Lico. Era o que eu ia fazer. Ou melhor, era o procedimento médico pelo qual eu estava preste a passar. A sala era azulejada, em verde claro. Mudaram-me rapidamente da maca para a mesa de operação. Eu já estava com aquela roupa de hospital (uma espécie de avental, ou bata), toca e meias brancas. No teto, havia umas luminárias grandes, redondas, espelhadas, onde eu tentava ver nem que fosse um pedaço de minha imagem refletida. Não consegui. Havia um monitor. Perguntei se era para ver o caminho da sonda. O médico confirmou. E me mostrou a mini-câmera, que ia capturar a imagem através de uma espécie de fibra óptica. As enfermeiras tiravam meu soro e procuravam uma veia em meu pulso. Logo iam me anestesiar. Dessa vez seria parcial, da cintura para baixo. Nesse meio tempo, estava para decidir se entrava em pânico ou não. Com a pulsação nem alta e nem baixa, como se estivesse esperando por minha decisão. Achei melhor manter a calma. Afinal, era minha segunda vez. Na primeira, há quinze anos, tinha sido anestesia geral. Então não vi nada e só acordei horas depois, já no quarto. Dessa vez fiquei apenas sonolento. Devo ter tirado uma soneca. Não vi o procedimento. Mas acordei logo em seguida, numa espécie de centro de recuperação, ainda no centro cirúrgico. Estava de volta. Mas não sentia nada da cintura para baixo. Isso me deu um pouco de aflição. Não conseguia mover uma perna, um pé, nada. Os médicos e enfermeiras passavam para lá e para cá. Um deles me deu um frasco com uma pedrinha de cerca de meio centímetro (de diâmetro). Era o meu novo cálculo - que me tinha feito refém de cólicas renais insuportáveis. Entendi que logo que eu conseguisse mover as pernas, seria levado de volta para o quarto. Um pouquinho ansioso, mas paciente, esperei o tempo passar. E tudo deu certo, como previsto. Logo estava de volta ao quarto, podendo me mover à vontade. Sem mencionar o soro que uma enfermeira prestativa se encarregou de colocar de volta em meu braço esquerdo. Tinha os analgésicos e antiinflamatórios. Tudo bem. O pior tinha passado.

Parte II - A comédia


Na verdade não fiquei num quarto. Fiquei numa enfermaria. Havia outras duas camas. Uma tinha cada dia um paciente, nos três dias que fiquei lá. Outra tinha um paciente que aguardava uma operação já havia uns três ou quatro dias. E parece que sua operação só seria na próxima segunda-feira. Resultado: o coitado estava entediado. E perguntou se tudo bem caso sua esposa trouxesse uma TV ou um rádio. Por mim, não faz mal, concordei. Ela trouxe um rádio. Ouvimos os jogos da rodada de quinta, após minha volta do centro cirúrgico. Na sexta o tal paciente ligou o rádio logo cedo. Na Difusora FM. Lembra dessa estação? Foi a primeira FM que eu me lembro de ter ouvido, nos anos 70. Naquela época, era uma emissora da moda, voltada ao público jovem, e praticamente só tocava música americana. A ditadura não permitia que houvesse criação nacional. Para minha surpresa, essa emissora hoje em dia só toca música popular sertaneja, Roberto Carlos, country, aquelas jocosas de duplo sentido... Na realidade é outra emissora, que herdou somente o nome daquela anterior. Então imagine a minha cara ao ouvir aquele som. Bom, foi um exercício de tolerância. Que encarei com paciência. E boa vontade em me "atualizar". Vamos ver se lembro algumas pérolas:
Tocou uma que afirmava que "é na sola da bota, é na palma da mão...” Rio Negro e Solimões!
Outra dizia que "eu e minha mulher, a gente janta tarde, depois da uma...”
Também fiquei sabendo que "unha de gato" é um remédio "danado de bão" para artrite, artrose, e uma série de doenças inflamatórias.
Olha, foram tantas músicas bregas e músicas de corno, que imaginei que estava no Paraguai ou no México. Juro. Mas, para minha sorte, recebi alta antes de querer voltar para o centro cirúrgico.

quarta-feira, julho 20, 2005

Entrando numa fria


Não. Não é política, ainda. Logo comento a política nacional. Espera. Agora quero comentar dois filmes do Jay Roach, que dirigiu Austin Powers (os 3 filmes):

  • "Entrando Numa Fria" (Meet the Parents, 2000): Gaylor 'Greg' Focker (Ben Stiller), aqui traduzido por Greg Pinto, vai conhecer os pais da namorada Pam (Teri Polo), a mãe Dina (Blythe Danner) e o pai Jack Byrnes (nada mais nada menos que o Robert De Niro), para lhes pedir a mão da moça. Jack (De Niro) faz de tudo para o rapaz desistir. Muito engraçado. Não deixe de ver.
  • "Entrando Numa Fria Maior Ainda" (Meet the Fockers, 2004): agora são os Byrnes que vão conhecer os pais do Greg, Roz (Barbra Streisand) e Bernie Focker (Dustin Hoffman). O próprio Ben Stiller é que pediu que a Barbra Streisand, sem atuar por 8 anos, fosse contratada para interpretar sua mãe nesse filme engraçadíssimo. Veja sem falta. Hilário!

segunda-feira, julho 18, 2005

Brasil é pentacampeão do Grand Prix


Agora foi a vez das meninas, que ganharam da Itália em Sendai, Japão. Veja o que diz o site da FIBV (Fédération Internationale de Volleyball): Brazil win Grand Prix 'final' epic. Quer mais? A Paula Pequeno (atacante, 23 anos) foi eleita a melhor jogadora do Grand Prix. Nós somos atualmente os "papa-tudo" no vôlei!
A Itália fica em segundo lugar - veja o que diz o La Repubblica.

domingo, julho 17, 2005

Filmes novos



  • "Reencarnação" (Birth, 2004, Jonathan Glazer) parece ser filme espírita ou de terror, mas é um drama romântico, psicológico, que não chega a ser um suspense, mas mantém uma atmosfera misteriosa do começo ao fim. Este clima e a atuação da Nicole Kidman valem a pena. Ela é a viúva Anna, que resolve se casar novamente após dez anos. Mas aí aparece um garoto de dez anos de idade e que a convence que é seu falecido marido. Problemas à vista.
  • "Ray" (Ray, 2004, Taylor Hackford) conta a história do cantor Ray Charles, interpretado muito bem por Jamie Foxx. Ainda garoto, Ray aprende a tocar piano; testemunha a morte acidental de seu irmão caçula; e aos sete anos fica cego. Sua mãe o faz prometer que nunca deixará nada ou ninguém transformá-lo num inválido. Isso marcaria toda sua vida. Aliás, coincidentemente, o próprio Ray Charles faleceu pouco depois que este filme foi finalizado, em junho do ano passado.
  • "Menina de Ouro" (Milion Dollar Baby, 2004, Clint Eastwood) é a estória de uma moça, Maggie (Hilary Swank), que quer ser boxeadora e acaba sendo treinada por Frankie (o próprio Clint), convencido pelo amigo Scrap (Morgan Freeman). É uma estória de determinação, com final triste e polêmico. Não consegui vê-lo no cinema, mas estava na expectativa de seu lançamento em DVD. Apesar de ter sido o grande vencedor do Oscar. Digo isto porque tenho lá minhas reservas quanto ao Oscar. E confesso que esperava um pouco mais do Clint Eastwood desta vez.

sábado, julho 16, 2005

O crime era quase perfeito


Refiro-me a "Disque M para Matar" (Dial M for Murder, 1954), baseado na peça teatral de Frederick Knott (que também fez o roteiro). O mestre Hitchcock é facilmente visto logo no começo, em uma fotografia. O ex-tenista profissional Tony (Ray Milland) planeja matar sua bela mulher, Margot (Grace Kelly), que usa roupas em cores vivas no início do filme, e que vão escurecendo aos poucos até o final. Caso sua trama funcionasse, Tony teria se vingado de uma traição e ficaria com todo o dinheiro da esposa. Quando as coisas dão errado, ele improvisa um plano B. O final é um pouco chato. Mas é cinema. É Hitchcock.

Mudanças climáticas


Outro dia uma amiga me enviou o seguinte artigo publicado no International Herald Tribune por Roger Cohen em sua coluna Globalist: "A glimpse of Earth in its precious fragility", isto é, um vislumbre da Terra em sua preciosa fragilidade. Resumo:
O presidente Bush, quando rejeitou o Protocolo de Kyoto de 1997, causou mais dano à sua imagem internacional do que qualquer outro ato, exceto sua decisão de invadir o Iraque. Kyoto, que foi ratificado por todos os países do G8 exceto os Estados Unidos, estabelece metas de redução para o dióxido de carbono e outros gases responsáveis pelo efeito estufa.
O Brasil é freqüentemente criticado pela destruição da floresta tropical amazônica devido aos desmatamentos, mas por outro lado é exemplo em áreas em que os Estados Unidos poderiam aprender se tivesse vontade política:

  • mais de três milhões de carros que agora rodam a álcool, e os modelos flex-fuel (que rodam com gasolina ou álcool ou sua mistura) representaram 30% das vendas de carros em 2004;
  • predomínio da energia hidrelétrica para geração de eletricidade;
  • e o desenvolvimento do chamado biodiesel a partir de fontes como o óleo de girassol.

Belo texto. Assino embaixo. Ao ouvir falar do Bush, principalmente em relação ao protocolo de Kyoto e a invasão do Iraque, fico indignado. E me vem à cabeça a comparação do presidente deles com o nosso. Está certo que os conservadores daqui torcem o nariz para o nosso presidente, que é analfabeto (segundo alguns), que é nordestino, que é ex-operário, que é de esquerda (não sei se comeu criancinha como certos padres), que é corintiano ( ;-) )... Esqueci de alguma outra rejeição? A comparação não tem nada a ver, não é? Afinal Bush, junto com o Blair, é defensor da liberdade e do nosso jeito de viver.

domingo, julho 10, 2005

O que é RSS?


A sigla RSS pode significar Rich Site Summary, RDF Site Summary e Really Simple Syndication, uma família de formatos de arquivo XML (não se preocupe com essas siglas agora) para publicação na Internet, usada por websites de notícias e blogs. O RSS proporciona descrições curtas (títulos resumidos) do conteúdo de páginas da Internet com links para sua versão completa. Esta informação é enviada e recebida na forma de um arquivo XML chamado de RSS feed, webfeed, RSS stream ou RSS channel. O RSS permite que um usuário freqüentador de um determinado site esteja sempre a par das atualizações deste site, usando um feed reader, news aggregator, feed aggregator ou simplesmente aggregator, que é um programa que você pode baixar gratuitamente da Internet e instalar em seu micro. Leia mais a respeito nos portais UOL e Terra. Hoje eu instalei o FeedReader, que é indicado para principiantes por ser simples de usar. Para ter as atualizações do meu blog faça o seguinte (depois de baixar e instalar o FeedReader):

  1. Clique com o botão esquerdo do mouse no menu File e em seguida clique em Add Folder (adicionar pasta).
  2. Na janela Create new folder, no campo Folder name, digite por exemplo Blog do Luiz Moura.
  3. Clique com o botão esquerdo do mouse no menu File e em seguida clique em Add Feed. Uma alternativa é clicar no botão Add new feed. Ou ainda, teclar F2.
  4. Na janela Add new feed, no campo Location of feed, digite http://feeds.feedburner.com/BlogDoLuizMoura

Agora você pode ficar atualizado com as notícias que quiser, configurando da mesma forma o seu FeedReader. Por exemplo, você pode optar por deixar que seu feed reader baixe as notícias de Cinema & DVD que o Terra oferece.
Parece complicado, mas na prática é facílimo. Tente. Se precisar de ajuda, não hesite em pedir.

Brasil é pentacampeão da Liga Mundial


Depois de um primeiro set irreconhecível, viramos o jogo e ganhamos da Sérvia e Montenegro na casa deles. Veja o que diz o site da FIBV (Fédération Internationale de Volleyball): Brazil beat Serbia & Montenegro 3 - 1 (14-25, 25-14, 25-19, 25-16) - duration 1:39.

Dupla Confusão


"Dupla Confusão" (Tais-toi, 2004, Francis Veber) é um filme que me chamou a atenção porque traz duas feras em uma comédia: Jean Reno, fazendo o criminoso procurado Ruby, e Gérard Depardieu, fazendo o ladrão Quentin. Fugir da cadeia foi fácil. Difícil foi agüentar o parceiro. Isto porque o idiota Quentin insiste que vai abrir um bistrô em sua cidade natal, Montargis, em sociedade com o "amigo" Ruby. As situações inusitadas e hilariantes tornam impossível segurar o riso. Confira.

terça-feira, julho 05, 2005

A Sombra de uma Dúvida


Não, não vou falar de política. Fique tranqüilo (a). Esse é o nome do filme que vi ontem (Shadow of a Doubt, 1943), mais um dos muitos suspenses de Alfred Hitchcock, em que uma garota desconfia que seu querido tio (Uncle Charlie) pode ser um serial killer. Também é classificado como "film noir". A propósito, film noir é francês e significa "filme negro"; refere-se a um tipo de filme americano em que predomina a baixa iluminação, escuridão e sombras, inclusive do ponto de vista psicológico. Geralmente são filmes de suspense, de detetive, em que o protagonista se dá mal no final. Na maioria das vezes o ambiente é o submundo de cidades grandes, com gangsters, violência, corrupção. Duas jóias recentes - "Los Angeles - Cidade Proibida" (L.A. Confidential, 1997, Curtis Hanson) e "Pulp Fiction" (Pulp Fiction, 1994, Quentin Tarantino) - podem ser consideradas versões modernas de film noir. "O Troco" (Payback, 1999, Brian Helgeland), com Mel Gibson como Porter, é um exemplo mais característico, em minha opinião. Desnecessário dizer que é meu tipo favorito de filme.

segunda-feira, julho 04, 2005

De Cinema e de Vinho


Ontem vi "Sideways - Entre Umas e Outras" (Sideways, 2004, Alexander Payne) e hoje tive que abrir uma garrafa de Cabernet Sauvignon - não tinha Pinot, o preferido do personagem Miles (Paul Giamatti), professor deprimido que tenta ser escritor e é fascinado por vinhos. Ele e um amigo viajam pela Califórnia a procura de vinhos, mulheres e de si mesmos. É um filme agradável de ser visto, que tem um pouco de aventura (road movie), comédia, drama, romance, e até lições de enologia. Faça o seguinte: pegue o DVD na locadora e não esqueça de tomar um bom vinho enquanto assiste. Dica: prefira um californiano. Mas pode ser chileno ou argentino também.

domingo, julho 03, 2005

Perto Demais


Hoje vi Closer-Perto Demais (Closer, Mike Nichols, 2004), um belo drama romântico. Um quarteto se envolve numa estória intrigante de paixão e ciúmes. Dan (Jude Law) se apaixona por Alice (Natalie Portman), e depois se envolve com Anna (Julia Roberts). Aí arma um encontro de Anna com o Dr. Larry (Clive Owen), que se apaixonam. Atuações muito boas, diálogos fortes. Gostei do subtítulo "If you believe in love at first sight, you never stop looking", que é mais ou menos o seguinte: "se você acredita em amor à primeira vista, você nunca pára de olhar". Veja, que vale a pena.


Terminei de ler "Fernão Capelo Gaivota" (Jonathan Livingston Seagull, Richard Bach, 1970). Vi o filme (1973, Hall Bartlett) há muitos anos e quis ler o livro. A grande mensagem, para mim, é que a gente nunca deve abandonar nossos sonhos. Por outro lado, o livro tem um clima misto de evangelho e espiritualismo, sugerindo a busca da perfeição, que chega a ter uma nuance de fascismo. Polêmico.

sábado, julho 02, 2005

Sábado de sol



  • Sabedoria Popular:
    A gente ouve muita coisa em uma barbearia. Muita bobagem, muita mentira. Mas hoje, enquanto cortava o cabelo, ouvi uma frase que achei interessante: "O teimoso não anda pra frente". Segundo o filósofo alemão Schopenhauer, "obstinacy is the result of the will forcing itself into the place of the intellect", que quer dizer aproximadamente: " a teimosia é o resultado da vontade tomando o lugar do intelecto". Os teimosos, obstinados e pertinazes vão entender o significado disso tudo.
  • Browsers:
    A Info Exame deste mês traz um artigo sobre os browsers mais populares mostrando que o Firefox 1.0.4, o Opera 8.0 e o Netscape 8.0, nessa ordem, estão bem melhores que o Internet Explorer 6.0. Como eu já tinha ouvido falar bem do Firefox, resolvi instalá-lo. Quando se projeta páginas para a Internet é interessante ter à disposição os browsers mais populares porque eles mostram uma mesma página de modos ligeiramente diferentes.
  • Filmes:
    Hoje vi "Jogos Mortais" (Saw, 2004) do estreante James Wan. É um filme que poderia ser classificado como de terror, suspense, policial. É sobre um maluco que obriga as pessoas a se matarem ou a matar "para compreender o significado da vida". É tão ou mais pesado que "Seven" (David Fincher, 1995). Mas não melhor. Não recomendo, não.

quinta-feira, junho 30, 2005

O Homem Errado


Hoje resolvi rever "O Homem Errado" (The Wrong Man, Alfred Hitchcock, 1956). É um filme interessante porque é baseado em fatos verídicos. E também porque é a primeira e única vez em que Hitchcock fala em um filme, narrando pessoalmente o prólogo. Um músico conhecido como "Manny" (Henry Fonda) é preso porque algumas testemunhas o confundem com um assaltante. Daí, sua mulher Rose (Vera Miles) fica deprimida a ponto de ser internada. É um drama psicológico que deixa o expectador agoniado, numa atmosfera sombria de injustiça e desespero, magistralmente criada pelo gênio de Hitchcock. Cinematografia de primeira.

quarta-feira, junho 29, 2005

Fútbol - Copa Confederaciones



  • Clarín: La Selección vivió una pesadilla contra Brasil.
  • Olé: Brasil se tomó revancha: goleó por 4-1 a la Argentina y es el campeón.

sábado, junho 25, 2005

Cidadania


Ajude-me a divulgar estes dois portais muito interessantes. O primeiro é de interesse comum. E o segundo é de interesse estudantil, acadêmico, científico.

A Falsária


Acabei de ver "A Falsária" (A Good Woman, Mike Barker, 2004), comédia romântica baseada numa peça teatral de Oscar Wilde ("Lady Windermere's Fan"). E foi um prazer ver a Helen Hunt, já balzaquiana. E também a bela Scarlett Johansson e Tom Wilkinson, que trabalharam juntos em "Moça com Brinco de Pérola" (Girl with a Pearl Earring, Peter Webber, 2003), outro belo filme. A Helen Hunt é a Sra. Erlynne, que tem um passado e que diz: "If we were always guided by other people's thoughts what's the point in having our own?". Não se trata de uma obra-prima, mas vale a pena ser visto. Confira.

Falou, companheiro!


Ao ouvir o pronunciamento do presidente em cadeia de rádio e TV na última quinta, achei que tinha que escrever algo a respeito. Mas também achei melhor observar a reação à sua fala, para ponderar os prós e os contras. Tenho evitado abordar política aqui. Não sei se é o certo. Muitos blogs especializaram-se neste campo. Segundo a imprensa, nos Estados Unidos os blogs políticos já são tão importantes quanto a própria mídia tradicional. Talvez os amigos possam me ajudar a decidir se devo comentar mais política neste espaço. Quem me conhece sabe que sou democrata. Que não cheguei a lutar, mas torci pelo fim da ditadura que se instalou aqui durante a quartelada de 1° de abril de 1964. Entrou para a história como 31 de março para não ficar associada ao dia da mentira. E, claro, não me simpatizo com aqueles que se calaram e tampouco com os que foram seus moleques de recado. Também não é por isso que ponho a mão no fogo por quem a combateu. Em todos os casos, estes têm a minha simpatia. Mas voltemos ao tema inicial.
Na sexta pela manhã ouvi os comentaristas da Rádio Jovem Pan, que criticaram o pronunciamento. Nenhuma novidade. Não sei porque essa emissora tão destacada dá espaço a gente tão retrógrada. Prefiro nem citar nomes, para não promovê-los também, mas tem gente ligada até à Opus Dei! Só não mudei de estação porque não conheço outra emissora jornalisticamente tão inovadora. A impressão que me dá ouvindo aquelas pessoas é de que abri o Estadão e o Jornal da Tarde. A tinta que eles usam me fazem torcer o nariz...
Hoje o editorial da Folha - "Lula na TV", se não é simpático, está bem neutro e equilibrado - é por isso que a assino faz muitos anos. Ela destaca a fala do presidente: "... feliz do país que tem uma imprensa livre e democrática que a tudo pode acompanhar, fiscalizar e investigar."
Critiquei quando o Fernando Henrique aliou-se ao PFL para governar, e encaro da mesma forma o fato do Lula chamar o PTB, o PL e o PP para compor a base governista. Mas tenho que concordar com o Genoíno que "nenhum presidente vai governar sem ter maioria no Congresso". Na minha opinião, a melhor aliança para o país seria entre PT e PSDB. Usando as palavras do presidente, espero que tenham maturidade para corrigir seus próprios erros.

domingo, junho 19, 2005

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain


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  • "Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain" (2001, Jean-Pierre Jeunet) é um dos filmes da coleção de DVDs que a Folha lançou recentemente. Amélie, uma inocente e ingênua garçonete de Paris, com seu próprio senso de justiça, decide ajudar as pessoas, muda a vida delas e acaba descobrindo o amor. E a gente acaba apaixonado, não sabemos se pela personagem ou se pela atriz (Audrey Tautou, que vai ser Sophie Neveu em "The Da Vinci Code", a ser lançado ano que vem, como já comentei). O filme carrega nas cores, principalmente no verde e no vermelho, e tem uma fotografia belíssima. O filme é falado em francês. A menos que você seja americanófilo(a), veja, que vale a pena.
  • Hoje vi também "The Lodger" (O Pensionista, 1927), primeiro suspense do Alfred Hitchcock, mudo, em que um serial killer chamado "O Vingador" está à solta em Londres, assassinando loiras, no estilo de Jack, o estripador. Se aconselho? Só para os fãs.

domingo, junho 12, 2005

Die Fetten Jahre sind vorbei



  • Hoje vi Edukators (2004), do Hans Weingartner. É uma bela surpresa do cinema alemão. É o drama de três jovens ativistas que fazem protestos pacíficos, invadindo casas de ricos para trocar móveis e objetos de lugar a fim de deixar a burguesia com medo e consciência pesada. O título significa "os dias de fartura se acabaram" e é a mensagem que eles deixavam nas casas. Não é um filme panfletário, não se preocupe. Tem até um ar romântico. Confira, que vale a pena.
  • Nesta quinzena vi também dois filmes do Hitchcock, que recomendo só para os fãs:
    - Topázio (Topaz, 1969), suspense sobre a crise dos mísseis durante a guerra fria, em que um francês, a serviço dos americanos, obtém informações sobre os mísseis que os soviéticos estavam instalando em Cuba.
    - Estalagem Maldita (Jamaica Inn, 1939), film noir sobre uma gangue que saqueia navios naufragados em Cornwall lá pelo ano de 1800.

domingo, maio 29, 2005

Poderosa Afrodite



  • Hoje revi "Mighty Aphrodite", mais um filme engraçado do Woody Allen (1995). Ele é Lenny, que com sua esposa Amanda (Helen Bonhan Carter) adota um bebê. Anos depois, quando o casamento não está muito bem, impressionado com a inteligência do filho, ele resolve procurar a verdadeira mãe do menino. Ela é Linda Ash (Mira Sorvino), uma prostituta e atriz de filmes pornô. Aí nem precisa dizer mais nada. É só risada o tempo todo. Confira.
  • Acho que não mencionei, mas terminei de ler "O Sapo e o Príncipe - personagens, fatos e fábulas do Brasil contemporâneo", do Paulo Markun (2004). É bastante ilustrativo de nossa História recente e mostra bem a trajetória de brasileiros de diversas origens (sociólogos e retirantes, por exemplo) que lutaram contra a ditadura e consquistaram o poder.
  • Estou lendo "The Da Vinci Code" (Dan Brown, 2003), aventura e suspense que vai estreiar em 19 de maio de 2006 como filme.

sábado, maio 14, 2005

Nunca houve uma mulher como Gilda!


De vez em quando a TV exibe filmes que valem a pena ser vistos. É o caso de Gilda (Charles Vidor, 1946). Li na seção de programação da televisão, no jornal, que ia passar de madrugada na Globo e pus para gravar. Valeu a pena. É um belo filme, mistura de film-noir, drama e suspense. Lembra Notorius (Alfred Hitchcock, 1946) e Casablanca (Michael Curtiz, 1942). Aborda a paranóia americana de criminosos de guerra nazistas que escaparam e assumiram novas identidades na América do Sul. Gilda (Rita Hayworth) é esposa do dono de um cassino em Buenos Aires, Ballin Mundson (George Macready). O problema começa quando ela é apresentada ao novo gerente do cassino, Johnny Farrel (Glenn Ford). A partir daí, tensão e muito erotismo. Rita Hayworth está lindíssima e sensualíssima. Inesquecível a cena do striptease em que ela tira somente as luvas, cantando "Put the blame on Mame". Único defeito dessa deusa do amor: ela fuma demais em quase todo o filme. :-(

sábado, abril 23, 2005

A Intérprete


Não costumo assistir a filmes sem ter antes nenhuma referência, mas outro dia estava flanando e topei com o cartaz de um filme do Sydney Pollack, com o Sean Penn e a Nicole Kidman, A Intérprete (2005). Bom, isso foi o bastante. Trata-se de um suspense político. E o primeiro filme rodado dentro da sede das Nações Unidas, em fins de semana, com vários figurantes que lá trabalham de fato. Resultado: ou meu faro tem melhorado ou tive uma grande sorte. Não espere um filme antológico, mas se puder, confira.

Dicas de segurança para seu computador


Para evitar cair na armadilha de falsos sites, que praticam o phishing, fraude eletrônica comum hoje em dia, tente o FraudEliminator. O nome parece um daqueles produtos miraculosos oferecidos na TV e satirizados pelo Casseta&Planeta, mas trata-se de um programa interessante, que nos avisa se estamos navegando em águas inseguras pela Internet. A segurança na rede depende muito do internauta, e há três tipos de programas indispensáveis:

  1. Anti-vírus

    • AVG Free Edition: este é um dos mais populares (e o que eu uso também).
    • Trend Micro: este é o site do PC-cillin 11, onde se pode fazer uma varredura gratuita em seu micro.
    • Symantec: site do Norton, que também oferece varredura gratuita e detecção de vulnerabilidades.

  2. Firewall

    • Free Zone Alarm: atualmente uso este.
    • Kerio: já usei este e o considero muito bom, inclusive para redes domésticas.
    • Sygate: este ainda não testei, mas tem a mesma qualidade principal dos anteriores - é gratuito.

  3. Anti-spyware

terça-feira, abril 12, 2005

MSX


Dica: a revista Emuladores (ano 1, nº 8, Ed. Digerati) traz o emulador blueMSX, que pretendo colocar também no meu site sobre o MSX. Aliás, se você gosta daqueles joguinhos de computador ou console, em especial do padrão MSX, dá uma olhadinha lá. Para quem não reparou ainda, coloquei o link para minha "velha" homepage aqui à direita, logo abaixo do link para a University of Phoenix (que patrocina o pessoal do contator de acessos, que neste momento está em 001227), na coluna dos Previous Posts e Archives.

Cinema em casa


Hibernando, apesar do calor, em casa nesse fim de semana vi vários filmes, mas só dois merecem destaque:
- Os Incríveis (The Incredibles, 2004) do Brad Bird, se não me engano última produção da Pixar com a Disney, mostra uma família de ex-super-heróis tendo que voltar à ativa depois de viver algum tempo como uma família normal. Apesar de toda propaganda, talvez não convença quem não goste de desenho animado. É meio longo (115 minutos) e apresenta um nível de violência questionável para crianças. E resgata o super-heroísmo americano, o que suscita muita discussão. Bom, apesar disso, é boa diversão.
- Durval Discos (2004), primeiro filme (longa-metragem) da Anna Muylaert, com o Ary França (Durval) e a Etty Fraser (dona Carmita, a mãe dele) nos papéis principais. O Durval tem uma loja de discos de vinil, só LPs, em casa. A história é como um LP: tem o Lado A (a primeira parte) e o Lado B (a segunda e última parte). O disco (a história, o clima do filme) é virado quando a família contrata uma empregada. (Letícia Sabatella). O final é...bom, assista o filme - vale a pena.

terça-feira, abril 05, 2005

Morre Karol, o Papa


Atleta e ator na juventude, católico clandestino no comunismo polaco e doutor em filosofia, Karol Wojtyla foi o primeiro papa eslavo da história da igreja. Meus respeitos à fé de milhões de brasileiros, mexicanos, filipinos, norte-americanos e muita gente afora pelo mundo. Karol (João Paulo II) atuou ao lado da CIA, conforme alguns, contra o comunismo. Também atuou contra os progressistas de nossa igreja e a Teologia da Libertação, e incentivou o movimento carismático para enfrentar os neopentecostais. Enfim, o conservadorismo foi sua marca principal. No entanto, em seu papado vieram à tona inúmeros casos de padres pedófilos.
Para mim, confesso que não esqueço da edição nº27 de julho de 1980 do Fradim, do Henfil, e da Editora Codecri, sobre a visita dele ao Brasil naquele ano. Quem viu, sabe a que me refiro. Meu Deus, quanta saudade da Graúna, do capitão Zeferino, do bode Francisco Orelana, e do Ubaldo, o paranóico! Que vocês estejam todos no braços do Senhor, é meu sincero e profundo desejo.

domingo, março 20, 2005

Domingo romântico


Hoje vi dois filmes românticos. Um antigo, que gravei da TV. E outro novo, que vi em DVD alugado.
- Ladrão de Casaca (To Catch a Thief, do Alfred Hitchcock, 1955): filme sem aquele costumeiro suspense, mas com uma guerra dos sexos entre John Robie (Cary Grant) e Frances (Grace Kelly, belíssima). Ela toma sempre a iniciativa e é bem avançadinha para a época. A cena dela lhe oferecendo um colar e algo mais em seu quarto, culminando com o show de fogos de artifício retrata bem o clima. A cena em que ela dirige a toda velocidade pelas curvas perigosas e sinuosas da Riviera Francesa parece uma antevisão do que ocorreu com a atriz em 1982, que ali morreu em um acidente de carro ao voltar para Mônaco.
- Antes do Pôr-do-Sol (Before Sunset, do Richard Linklater, 2004): belo filme que se resume no reencontro de Jesse (Ethan Hawke) e Celine (Julie Delpy) em Paris após 9 anos do primeiro encontro em Viena, tema de "Antes do Amanhecer" (Before Sunrise, do mesmo diretor, 1995). Dizem que o primeiro filme é até melhor. Vale conferir ambos.

sábado, março 19, 2005

Cinema em Casa


Sábado vi "O Terminal" (2004). O interessante é que quando vi o cartaz do filme pela primeira vez imaginei que fosse sobre um paciente terminal! Vi que era com o Tom Hanks, mas não me empolguei a ponto de procurar assistí-lo. O fato de estar entre os mais alugados no Blockbuster pesou contra, ainda mais que entre eles estava (ou está) o Catwoman - que li não sei onde que é fraquíssimo. O mais interessante de tudo é que acabei vendo o filme. E sinceramente não sabia quem era o diretor, coisa que dificilmente deixo passar. Assisti. Gostei. E até pensei: "esse diretor tem futuro, parece ter boa mão para a coisa". Por incrível que pareça não entendi o nome do diretor nos créditos, que nesse filme passam no final e no estilo de letra de punho. Só fui ver quem era quando fui olhar o verso da embalagem. Steven Spielberg! Para resumir, é um filme baseado na aventura de um iraniano que passou 16 anos dentro do aeroporto Charles De Gaulle em Paris. Neste caso, claro que o Spielberg adaptou a história ao gosto de Hollywood. E foi bem, no geral. Diverte e emociona. O Tom Hanks está muito bem no papel principal. Não é tão bom quanto o penúltimo do Spielberg, que também teve o Hanks no elenco, o "Prenda-me Se for Capaz" (2002). Mas vale a pena ver.

sábado, março 12, 2005

Correspondente Estrangeiro


"Foreign Correspondent", de 1940, é o segundo filme do Hitchcock nos Estados Unidos. Tive a sorte de encontrar o DVD numa banca de jornais por uma bagatela, e não resisti. Valeu a pena. Estou sempre me surpreendendo com esse diretor - e isto é muito agradável. Trata-se de um suspense político, com intriga internacional, espionagem e contra-espionagem, perseguições, assassinato, e até romance, em pleno ambiente de início da II Guerra Mundial. As cenas do moinho de vento holandês, da fuga do Hotel de L'Europe em Amsterdã, da torre da igreja em Londres, e do avião perto do final são inesquecíveis! Maravilha.

domingo, março 06, 2005

A Revolução dos Bichos


Se você não conhece a história, estará sujeito a repeti-la. É uma tradução de "Those who cannot remember the past are condemned to repeat it.", frase de George Santayanna (filósofo espanhol, 1863-1952). Outro filósofo espanhol, José Ortega y Gasset (1883-1955) escreveu que nós temos necessidade da história em sua totalidade, não para recuar nela, mas para escapar dela. E a História não é apenas o que está naqueles nossos velhos livros didáticos. Ela está acontecendo agora. É surpreendente como as pessoas desconhecem a história recente do Brasil, do mundo. O desconhecimento da História talvez seja o que a faça repetir, sempre. Como fazer escolhas para o futuro, sem conhecer o passado?
Bem, não quero me alongar nisto que pode parecer até uma indireta no atual contexto (histórico). Era para ser apenas um prelúdio para comentar algo sobre o título acima.
Outro dia recebi o link para o site composto pela filha de uma amiga (e seus colegas): "A Revolução dos Bichos - o livro, o filme e a história por trás". Está bastante informativo. E acredito que, para os que não tiveram a oportunidade, até dá vontade de ler o livro do George Orwell, que depois escreveu "1984" (Big Brother is watching you). Este é um link para um dos e-books da biblioteca da Universidade de Adelaide-Austrália. O site "The Literature Network" também possui vários e-books, inclusive sobre estes livros do George Orwell.

segunda-feira, fevereiro 28, 2005

Você concorda com a severinização?


A Ação da Cidadania está realizando uma consulta popular sobre o aumento de 67% nos salários dos deputados proposta pelo Severino Cavalcanti. Dê o seu voto também.

domingo, fevereiro 27, 2005

Dogville


Dogville é um filme extraordinário. Talvez um dos melhores filmes dos últimos tempos. Refiro-me à arte da cinematografia. Não a Hollywood ou ao Oscar. Esse filme do Lars von Trier impressiona logo de cara porque não tem cenário! Ou melhor, o cenário é como um palco de teatro, com áreas demarcadas no chão mostrando a principal rua (Elm St.) da cidade com suas casas, no interior dos Estados Unidos. Mas, com o tempo a gente esquece disto e se surpreende a cada ato desta peça teatral. Fiquei surpreso também com a atuação da Nicole Kidman, que dessa forma para mim deixa de ser apenas um rostinho bonito do cinema. Ela é a jovem perseguida pela polícia e pela máfia. É acolhida pelos habitantes da cidade. Mas esta acolhida vai custar caro para ela. E para eles. E até para nós, que assistimos. O filme é uma grande crítica ao modo americano de ser e pensar. E nos faz refletir muito. É um filme para pensar. Quase três horas de reflexão! Entre tantas coisas, me convence mais uma vez de que há situações em que a gente pode conhecer de fato as pessoas. E uma dessas situações é quando estas pessoas adquirem alguma forma de poder. Aí então elas se transformam. Ou passam a mostrar uma faceta antes oculta.
Como não sou crítico de cinema, mas apenas um cinéfilo, recomendo a análise do Duplipensar.net - muito interessante.

terça-feira, fevereiro 22, 2005

Novidades


- Sexta estive em Porto Alegre, e na volta sabe quem esteve no mesmo vôo que eu? O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que estava voltando de Novo Hamburgo, onde tinha sido recebido como candidato tucano a presidente em 2006. Com exceção da FEBEM, até que o governo dele está indo bem, e há uma grande expectativa agora com o Serra na prefeitura da Capital. Tomara que essa dobradinha dê certo.
- Sábado terminei de ler "Olga" (Fernando Morais, 1994), livro que eu tinha já há bastante tempo, mas que me animei a terminar de ler só agora depois que vi o filme. E já comecei outro: "O Sapo e o Príncipe" (Paulo Markun, 2004), que conta a história recente do Brasil contemporâneo.
- Domingo fui ao Mercado Municipal de São Paulo. Está bem bonito depois da reforma. Gostei bastante dos vitrais em estilo gótico. Se tiver um tempinho, vá lá nem que seja só para experimentar o pastel de bacalhau no Hocca Bar.
- Ontem fui ao velório de uma colega. Estava no trabalho, e de repente, teve um derrame. Foi um dia triste. Não vou me estender, mas me ocorre que nessas horas é que a gente vê como nossa existência é frágil e que muitas coisas de nosso dia-a-dia não valem o nosso stress. Olhai como crescem os lírios do campo! Não trabalham nem fiam...

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Câmara derrota Lula e elege Severino


É a manchete da Folha hoje. Não costumo comentar política aqui. Pelo menos não a política nacional atual. Mas ontem presenciei um momento histórico, ouvindo pelo rádio do carro a apuração dos últimos votos para a presidência da Câmara, logo cedo, quando ia ao trabalho. E aí decidi comentar. Mas não o fiz ontem. Decidi esperar a reação da imprensa, ponderar. E fiz bem. De fato, estava certo que era um momento histórico. Mas não pelos motivos que imaginei, sem conhecimento dos últimos fatos que envolveram essa eleição. A primeira impressão foi que a eleição do Severino Cavalcanti teria sido um ato de auto-afirmação do poder legislativo, uma declaração de independência, uma lição de democracia. Afinal o governo vinha maltratando o parlamento, que praticamente não tem legislado, mas apenas votado medidas provisórias impostas pelo executivo. Os ministros nem atendiam mais os parlamentares. O governo enviou uma comissão de ministros para pressionar os deputados e fez tudo que podia em favor de seu candidato (Luiz Eduardo Greenhalgh), um nome não bem aceito nem mesmo dentro do partido majoritário e do governo, o PT. Sem falar de uma série de erros táticos e estratégicos. Bom, era a resposta das urnas. Muito justo. Mas, houve um fator determinante. Pela primeira vez o partido majoritário, do governo, ficou de fora da Mesa diretora da Câmara. Claro que foi um fato histórico, mas não daqueles de se orgulhar. Ao contrário. O que levou “300 picaretas” a votar no candidato retrógrado e inexpressivo, Severino, ex-menino de recados da ditadura militar, foi sua promessa de elevar os salários dos deputados e “dar-lhes melhores condições de vida!” Resultado: o governo perdeu. O PT perdeu. O Brasil perdeu.

domingo, fevereiro 13, 2005

As Bicicletas de Belleville


Embora inspirado em "A Guerra dos Dálmatas", As Bicicletas de Belleville (Sylvain Chomet, 2003) é muito melhor que qualquer animação Disney. Não tem aquele enfoque comercial e ideológico do "american way of life". É praticamente mudo, mas tem uma trilha sonora maravilhosa, desenho estilizado, cores sutis, personagens expressivos, cenas engraçadas. A cena do pedalinho vai ficar na história! A portuguesa Madame Souza percebe que seu netinho Champion anda triste. Ela lhe dá de presente o cachorrinho Bruno, mas isso não anima muito o garoto. Nem um trenzinho elétrico dá resultado. Até que ela descobre que a grande paixão do garoto são as bicicletas e seu sonho é um dia participar da Volta da França. Então lhe dá um triciclo. Aí começa toda a aventura! Vale a pena conferir.

Chico Buarque - o tempo e o artista


Dica de um amigo: ver a exposição sobre a vida e carreira do Chico Buarque no SESC-Pinheiros (R.Paes Leme, 195, térreo e também no 3o. andar, entrada franca). A mostra é dividida em blocos, com sua infância e adolescência, a influência do samba em sua música (vale a pena ver e ouvir sua discografia), sua paixão pelo futebol (torcedor do Flu e fã do Pagão, do Santos), e sua participação na história política do país, onde se pode ver inclusive um bilhete ameaçador do CCC (Comando de Caça aos Comunistas), que em julho de 1968 invadiu o teatro, destruiu os cenários e agrediu os atores da peça "Roda Viva", do Chico, dirigida pelo Zé Celso Martinez Correia. E aqui vai nossa resposta aos agressores:

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não.
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão.
Viu?
Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão.

(Coro) Apesar de você
amanhã há de ser outro dia.
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir
Quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando
E a gente se amando sem parar.

Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros. Juro!
Todo esse amor reprimido,
Esse grito contido,
Esse samba no escuro.

Você que inventou a tristeza
Ora tenha a fineza
de “desinventar”.
Você vai pagar, e é dobrado,
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar.

(Coro2) Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Ainda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria.

Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença.

E eu vou morrer de rir
E esse dia há de vir
antes do que você pensa.
Apesar de você

(Coro3) Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia.

Como vai se explicar
Vendo o céu clarear, de repente,
Impunemente?
Como vai abafar
Nosso coro a cantar,
Na sua frente.
Apesar de você

(Coro4) Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai se dar mal, etc e tal,
La, laiá, la laiá, la laiá…….

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

Carnaval na Serra Fluminense


Vou fazer um resumo da minha viagem à serra fluminense no estilo do "Guia Quatro Rodas", como uma singela homenagem a seus 40 anos.

Petrópolis


O centro histórico de Petrópolis tem várias atrações, como:
a) Museu Imperial (1845): palácio construído em estilo neoclássico para ser residência de verão de D. Pedro II e Dna. Teresa Cristina. Bom acervo, com destaque para a coroa, o cetro, o manto e o trono imperial.
b) Palácio Quitandinha (1944): construído em estilo normando para ser o maior hotel cassino da América Latina, com salões hollywoodianos em que se destaca o Salão Mauá, que tem uma impressionante cúpula de 30 metros de altura e 50 metros de diâmetro. Vou resumí-lo com um só adjetivo: magnífico.
c) Catedral São Pedro de Alcântara (1884): construída em estilo neogótico francês, com vitrais coloridos e texto em Latim, órgão de tubo, e mausoléu imperial com os restos mortais de D. Pedro II, Da. Teresa Cristina, Conde D'Eu e Princesa Isabel.
d) Palácio de Cristal (1884): construído na França em estrutura pré-moldada de ferro, com vidro laminado, presente do Conde D'Eu à Princesa Isabel.
e) Palácio Rio Negro (1890): construído pelo Barão do Rio Negro, residência de verão do Presidente da República, exceto durante a ditadura militar, que o usou como sede para uma guarnição motorizada!
f) Casa de Santos Dumont (1918), conhecida como A Encantada, residência de verão do inventor, quase em frente ao Relógio de Flores.
g) Trono de Fátima, monumento de onde se tem uma vista privilegiada do centro histórico.
Dica gastronômica: comer bacalhau assado no forno com cebolas, no Parrô do Valentim.

Teresópolis


Cidade mais moderna, cuja maior atração é o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, onde acabei não indo (:-(), mas consegui ver o que mais chama atenção, que é o pico Dedo de Deus (1692 metros de altura), que se vê bem de dois mirantes: do Soberbo, com uma bela vista da Baía da Guanabara, na entrada da cidade pela BR-116; e da Colina, com vista panorâmica da cidade.
Dica gastronômica: cozinha russa, autêntico banquete da época dos czares, com ótima vodca, na Dona Irene. Eu provei o Frango à Kiev - sem comentários.

Nova Friburgo


Cidade cercada por morros, com destaque para o Morro da Cruz (1320 m), com Teleférico e uma vista panorâmica da cidade. Tem também o Pico da Caledônia (2219 m), com vista da Região dos Lagos e da Baía da Guanabara.

Para deixar o pessoal com água na boca, vou terminar com mais duas dicas gastronômicas.
Como fui de carro, na ida parei em Penedo para comer truta no Vernissage. Na volta, passei em Visconde de Mauá e tracei uma Vaca Atolada no Restaurante Gosto com Gosto, que tem mais de 300 tipos de cachaças das boas!
Esse foi o meu jeito de "pular" o Carnaval.

quinta-feira, fevereiro 03, 2005

Habla con ella


Estou aproveitando as férias para rever alguns filmes e ver outros que perdi, como o "Fale com ela" (2002, Pedro Almodóvar). Realmente esse filme excedeu às minhas expectativas. Talvez atualmente o Almodóvar seja o diretor não americano mais importante. Essa é uma estória de uma amizade, dois amores e de perdas em um final triste. Surpreendente para mim também é a trilha sonora simplesmente maravilhosa, com a Elis e o Caetano Veloso (este participa do filme). E o filminho mudo, incidental, no meio da narrativa, "El Amante Menguante" é um toque de gênio. Nota 100! Vale a pena conferir.

terça-feira, fevereiro 01, 2005

Cancún é do Caribe


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Passei uma semana em Cancún. Viagem cansativa. Ida e volta com o Airbus A320, desconfortável para viagens longas - 9 horas, mais uma parada para troca de tripulação em Manaus, fora o jet lag de 4 horas. Mas valeu a pena. Os Estados Unidos Mexicanos são um país bem interessante. Sim, esse é o nome do México, onde conheci os Estados de Yucatán e Quintana Roo na península de Yucatán. Embora a praia do hotel fosse excelente, parecendo uma piscina, com uma areia branca finíssima que não esquenta, o interessante lá é fazer excursões a parques ecológicos e arqueológicos. Entre os ecológicos, visitei Xcaret e Xel-Há. Em Xcaret a gente nada em um rio subterrâneo, com coletes salva-vidas, sob cavernas cheias de formações de corais fossilizados. Em Xel-Há, um dos maiores aquários naturais do mundo, é ótimo nadar pela enseada, com snorkel, pra ver os peixes marinhos multi-coloridos. Porque tem a segunda maior barreira de corais do mundo, que filtram a água, retendo o plâncton, a água do mar na Riviera Maya é cristalina, azul-turquesa - nunca tinha visto nada igual. Na Isla (de las) Mujeres e em Cozumel se faz mergulho de profundidade, com equipamento. Por outro lado, os parques arqueológicos são uma amostra impressionante da cultura pré-colombiana, principalmente por suas pirâmides maias. Visitei Tulum, Cobá e Chichen-Itza, com estádios do jogo da pelota, templos, observatórios e a belíssima pirâmide de Kukulkán (foto). A cultura maia é muito rica, mas pouco se sabe a respeito porque ainda não foi totalmente decifrada sua escrita (hieróglifos). Além disso, praticamente o que os espanhóis não destruiram (porque tacharam a religião maia de diabólica, impondo à força o cristianismo), os arqueólogos americanos e ingleses, para não dizer de outra forma, tiraram ilegalmente do México.

sábado, janeiro 15, 2005

Concorrência desleal


Hoje vi Concorrência Desleal (Concorrenza Sleale, 2001) do Ettore Scola, um belo filme sobre amizade e a vida dos judeus na Roma facista de 1938. Scola é o mesmo autor de "O Baile" (Le Bal, 1983) e "Um Dia Especial" (Una Giornata Particolare, 1977), entre outros. "O Baile" é um filme impressionante porque conta 50 anos de história contemporânea sem nenhum diálogo, somente com dança e música! E "Um Dia Especial" mostra o encontro de um homem (Marcello Mastroianni) e uma mulher (Sophia Loren) no dia em que Hitler foi visitar Mussolini. Precisa dizer mais?

domingo, janeiro 09, 2005

Johnny Guitar


Hoje eu não aluguei nenhum filme. Resolvi ver um que havia gravado da TV. As vezes a TV aberta passa verdadeiros clássicos, normalmente madrugada afora. Fazia tempo eu tinha gravado um deles - Johnny Guitar, do Nicholas Ray, com a Joan Crawford. Já ouvi me dizerem: "Vai assistir filme velho?", como se eu fosse ler o jornal de ontem (e se fosse?), como se os filmes bons fossem apenas os novos, com aquela parafernália de efeitos especiais, produções faraônicas, muitas vezes sem um único ator, sem nenhuma atriz, mas somente modelos que sequer sabem falar, que dirá pensar? Mas, voltando ao filme velho... é velho mesmo, de 1954. Mas é um dos melhores westerns que já vi, se dá para classificá-lo assim, já que também é suspense e drama, sem dúvida. Tem até uma comunidade de fãs. Realmente é um filme único, com frases inesquecíveis, como essa da Vienna (Joan Crawford), a respeito do Dancin’ Kid (Scott Brady) e da Emma (Mercedes McCambridge): "He makes her feel like a woman, and that scares her."
Outra frase (suspeita): "There's only two things in this world that a 'real man' needs: a cup of coffee and a good smoke".
Ray faz uma notável crítica ao macartismo e ao Comitê de Atividades Anti-Americanas da Câmara. Vale a pena ler esse jornal de ontem. E conhecer a História, para não repetí-la.

Mídia golpista hoje

Domingo é dia de folhear os jornalões e tentar entender o que a máfia dos barões da mídia está querendo que a gente acredite. O Globo, en...