quinta-feira, setembro 18, 2003

A competência e o poder

Na Nova Atlântida existia uma empresa chamada BAZÓFIA, que fabricava e vendia parafusos da marca Screw U. Conta-se que o Cardécio Iaí, um moço esforçado e sempre atento às coisas da empresa, passou a ser o braço direito por lá. Nada mais adequado. No entanto, havia alguns boatos pelos corredores. Conforme alguns, a promoção do Cardécio aconteceu porque o pai dele seria o dono da empresa. Segundo outros, o pai do Cardécio era um fidalgo conhecido na Corte ou no Gabinete. Talvez fossem apenas rumores e essas pessoas não faziam idéia do duro que o Cardécio tinha dado para chegar lá. Sabe, às vezes fico pensando cá com meus botões. Não gostaria de estar na pele do Cardécio. Tá, ele estava numa situação confortável, com futuro garantido. O Iaí – ele não gostava que o chamassem pelo sobrenome – devia ser competente, não sei. Bem, para chegar lá alguma competência certamente ele tinha, não? Mas aquelas insinuações, caso procedentes, de uma forma ou de outra comprometeriam essa competência. Senão, foi ele promovido por puro mérito ou por mera filiação e apadrinhamento? Mas o que me intriga não é isso. É mais relevante o que vem do berço, e não o que se pode adquirir depois. Conta-se que o Cardécio tinha sido boa pessoa desde cedo. Mas e o comportamento dele depois que passou a ter em mãos o timão, o controle do leme lá na BAZÓFIA? Mudou? Permaneceu o mesmo? A friend in power is a friend lost. Não sei se foi o caso dele, mas já foi dito que o poder corrompe. Será? Às vezes parece que o poder faz o papel do vento que leva para longe a neblina, a cortina de fumaça. É como o desembaçador de pára-brisa, sem o qual a gente não vê o que está na frente. É como aquele aparelhinho ou serviço que deixa a gente ver quem já ligou, quem está ligando. O poder dá transparência, sem querer. Desnuda. A coisa é simples assim: dê algum poder a uma pessoa e observe as escolhas que ela faz. Existe modo melhor de se conhecer de fato alguém? Alguém tem notícias do Cardécio?

Mídia golpista hoje

Domingo é dia de folhear os jornalões e tentar entender o que a máfia dos barões da mídia está querendo que a gente acredite. O Globo, en...