terça-feira, setembro 30, 2003

All that glisters is not gold


Nem tudo que reluz é ouro. Aprendi esse provérbio com meus pais. E mais tarde soube que tem gente que completa assim: “... e nem todo sapato é de couro”. O título acima é uma citação de Shakespeare (“O Mercador de Veneza”). Em vez do verbo glister, pode-se encontrar glisten, glitter, glint, glimmer, gleam e glance, além de outros com o mesmo sentido – reluzir. Pois é. Mas é que geralmente a gente aprende a citar um provérbio, atendo-se mais à sua forma do que ao seu conteúdo. Ou seja, nem sempre a gente aprende na prática o seu significado. Aonde quero chegar? Quase todo mundo tem idéias pré-concebidas a respeito de credos filosóficos, religiosos ou políticos. O mesmo vale para etnias, raças. E também profissões. Vamos dar alguns exemplos. Não se espera comportamento exemplar da maioria dos políticos, seja no poder legislativo ou no poder executivo. Por outro lado, o poder judiciário sempre foi considerado exemplar no Brasil, apesar da morosidade da Justiça por aqui. Mas o que dizer da atitude dos juízes perante a reforma da Previdência? Os jornais trazem notícias de barbaridades cometidas por médicos, nem sempre por imperícia, mas muitas vezes por ganância. A igreja vai pagar muita indenização nos Estados Unidos por causa da pedofilia de muitos padres. Muita gente coloca rótulos em pessoas e classes. E espera determinado comportamento delas. Mas freqüentemente elas não seguem o script e acabam proporcionando grandes surpresas. Quando a pessoa ou classe nos causa uma boa surpresa, costumamos dizer que isso aconteceu apesar dos defeitos dessa pessoa ou classe. Por outro lado, a decepção é grande quando aquela pessoa ou classe não se comporta de acordo com as virtudes que lhes atribuímos. As aparências enganam. All that glitters...

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