Terça-feira, Julho 07, 2009

O Acossado


Em 1958 a jornalista Françoise Giroud publicou um ensaio chamado La Nouvelle Vague (A Nova Onda), sobre a juventude da época, que acabou qualificando o estilo dos novos cineastas franceses, colaboradores da revista "Cahiers du Cinéma" e da Rive Gauche parisiense, sendo os mais importantes:

  • Alain Resnais

    • Nuit et brouillard, 1955 (Night and Fog ou Noite e Neblina)
    • Hiroshima mon amour, 1959
    • L'année dernière à Marienbad, 1961 (Last Year at Marienbad ou O Ano Passado em Marienbad)

  • François Truffaut

    • Les quatre cents coups, 1959 (The 400 Blows ou Os Incompreendidos)
    • Jules et Jim, 1962 (Jules and Jim ou Jules e Jim)
    • La nuit américaine, 1973 (Day for night ou A Noite Americana)

  • Jean-Luc Godard

    • À bout de souffle, 1960 (Breathless ou Acossado)
    • Vivre sa vie: film en douze tableaux, 1962 (My life to live ou Viver a vida)
    • Bande à part, 1964 (Band of outsiders)


A Nouvelle Vague foi influenciada pelo Neorealismo italiano, dos mestres Rossellini, De Sica, Visconti e Fellini. E certamente influenciou o nosso Cinema Novo, o cinema de "uma câmera na mão e uma idéia na cabeça", de Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Cacá Diegues e Joaquim Pedro de Andrade.
Achei necessária a introdução acima para dizer que vi "O Acossado", do Godard, e acabei por acaso comemorando os 50 anos dessa revolução cinematográfica. Não sou especialista no tema, mas gosto muito de relacionar o filme ao contexto em que foi engendrado, e isto ajuda muito a entendê-lo e apreciar suas qualidades. Se alguém assistí-lo hoje, sem saber que é um dos melhores representantes da Nouvelle Vague, então talvez não o entenda e não goste dele. Por isso, só posso recomendá-lo aos cinéfilos, iniciados.
Sinopse: Michel Poiccard (Jean-Paul Belmondo), que rouba carros para revendê-los em Paris, mata um policial e precisa juntar dinheiro para fugir. Porém, ele se apaixona por Patricia Franchini (Jean Seberg), uma jovem americana que vende jornais nas ruas de Champs Elysées. Ela, avisada pela polícia, tem que decidir se estuda jornalismo na França ou se vai com o namorado para a Itália. Veja a foto acima.

Sexta-feira, Julho 03, 2009

Cine Majestic

A Fox reprisou hoje "Cine Majestic" (The Majestic, 2001, Frank Darabont). Para quem não lembra, Darabont dirigiu os excelentes "Um Sonho de Liberdade" (The Shawshank Redemption, 1994) e "À Espera de um Milagre" (The Green Mile, 1999), cujos roteiros também escreveu baseado em contos de Stephen King. Não chega a ser uma obra-prima como aquelas, mas é um filme interessante pelo argumento e pela atuação diferente e competente do Jim Carrey. O filme não tem nada de blockbuster - efeitos especiais, velocidade, violência, sexo. Conta a estória do roteirista Peter Appleton (Jim Carrey) que, depois de ser colocado na lista negra de Hollywood pelo comitê macartista, sofre um acidente, perde a memória e é confundido com um soldado desaparecido na Segunda Guerra Mundial. Acredite-me: Jim Carrey está ótimo e não faz sequer uma careta em todo o filme! É um drama sobre os anos 50, mas ainda infelizmente muito atual, já que retrata a intolerância que persegue as pessoas que têm opiniões próprias e não se curvam a nenhuma forma de poder coercitivo. Recomendo. Ah, não deixe de providenciar um lencinho, ou óculos escuros.

Sexta-feira, Junho 26, 2009

Tecnologia Mineira do Abraço

U matutu falava tãu calmamenti qui parecia medí, analisá i meditá sobri cada palavra qui dizia...
É...Das invençãu dus homi, a qui mais tem sintido é o abraçu.
U abraçu num tem jeitu dum só apruveitá!
Tudu quantu é genti, nu abraçu, participa duma beradinha...
Quandu ocê ta danadu di sordadi, u abraçu di arguém ti alivia...
Quandu ocê ta danadu di reiva, vem um, ti abraça i ocê fica até sem graça di continuá cum reiva...
Si ocê ta filiz i abraça arguém, essi arguém pega um poquim di sua alegria...
Si arguém ta duenti, quandu ocê abraça eli, eli cumeça a miorá, i ocê miora juntu tamém...
Muita genti importanti i letradu ja tentô dá um jeitu di sabê pruquê qui é qui u abraçu tem tanta tequinologia, mais ninguém inda discubriu...
Mais ieu sei...
Foi u Ispritu Santu di Deus qui mi contô...
Ieu vô contá proceis u qui foi qui eli mi falô:
U abraçu é bãu prucausa du coraçãu...
Quandu ocê abraça arguém, fais massagi nu coraçãu!...I u coraçãu du otru é massagiadu tamém! Mais num é só issu, nãu...
Aqui ta a chavi du maior segredu di tudu:
É qui, quandu abraçamu arguém, nóis fiquemu tudu é cum dois coraçãu nu peitu!...
Essa estória eu li no Restaurante da Beth, o Virada's do Largo, que fica na Rua do Moinho, 11, em Tiradentes-MG. Tiradentes possui muitos bons restaurantes, mas se você quiser experimentar a comida regional, não deixe de ir ao "Virada's do Largo" ou ao "Estalagem do Sabor". Além da gastronomia e do artesanato, não deixe de conhecer a igreja Matriz de Santo Antônio (veja a foto), de 1732, com fachada e portada atribuídos ao Aleijadinho. Se tiver tempo, vá de maria-fumaça até São João del Rei, outra cidade histórica de Minas.

Quarta-feira, Junho 24, 2009

Escreveu, não leu ...

Atribui-se a Abraham Lincoln a frase: “é melhor ficar em silêncio e passar por tolo do que falar e daí acabar com todas as dúvidas”. Na última década esta máxima também se aplica à linguagem escrita. Com a crescente utilização do endereço eletrônico (e-mail) dentro do mundo corporativo, as pessoas foram forçadas a ler e escrever notas diariamente. Diferentemente do que ocorre nas salas de bate-papo (online chat) e nas mensagens instantãneas (instant messaging), no mundo dos negócios a escrita precisa de algum rigor, mesmo quando se é informal. A dona Ametista, minha professora do primário, costumava dizer que o caderno era o espelho do aluno. Da mesma forma, creio que os e-mails que escrevemos refletem muito bem o nosso nível cultural. Como se diz, quem não lê não escreve. Ou, escreve bem quem lê bastante.
Não é preciso ser muito observador para perceber como as pessoas estão escrevendo mal, cada vez pior. Isto significa que as pessoas estão lendo cada vez menos. Há pessoas que ficariam envergonhadas se fossem vistas com um livro nas mãos. Outras repreenderiam um filho que chegasse perto de um livro, e lhe dariam uma bola de presente. Não vou declinar seus nomes, mas já ouvi isso de algumas pessoas, de verdade.
Há uma geração, quando alguém se formava, fora da faculdade poderia exercer sua profissão ou optar pela profissão de professor. A quartelada de 1964, apoiada pelos “democratas”, acabou com a educação e o ensino neste país, a ponto de se encontrar quem pergunte aos professores: “além de dar aulas, o senhor ou a senhora trabalha?”.
Tudo isso me faz lembrar do filme “Fahrenheit 451” (1966, François Truffaut), baseado no romance homônimo (que estou lendo) de Ray Bradbury, cuja primeira edição é de 1953. Refere-se à campanha iniciada em 1933 na Alemanha para a queima cerimonial de livros que não estavam de acordo com a ideologia nazista.
Lembro também de “1984" (Nineteen Eighty-Four, 1984, Michael Radford), baseado no romance de George Orwell, publicado em 1949, cujo nome foi obtido pela inversão dos dois últimos dígitos do ano em que foi escrito (1948). Retrata o quotidiano em uma sociedade totalitária que inventou a Novilíngua (Newspeak). Essa língua fictícia não criava novas palavras mas, ao contrário, destruía as palavras com o objetivo de controlar o pensamento das pessoas. Uma personagem dizia que “é uma coisa linda a destruição das palavras”. A fórmula era simples. Por exemplo: ao se eliminar a palavra “liberdade”, as pessoas não poderiam se referir à liberdade e conseqüentemente a liberdade acabaria sem a possibilidade de voltar a existir.
Para quem não gosta de ler, vou deixar dois vínculos (links) interessantes, além do Domínio Público:

Terça-feira, Junho 23, 2009

Até onde uma escolha pode te levar?

Em 2004 comentei o filme "O Caminho das Nuvens" (2003) do Vicente Amorim. Classifiquei-o como um road movie inesquecível, principalmente pela cena da Cláudia Abreu cantando "Como é grande o meu amor por você", do Roberto e do Erasmo Carlos. Cláudia interpreta Rose, esposa de Romão (Wagner Moura), que migra com a família da Paraíba para o Rio de Janeiro em busca de emprego. Veja adiante o motivo por que lembrei desse filme.
Em dezembro tentei ver o lançamento de "Um Homem Bom" (Good, 2008) em Brasília, mas não consegui. Hoje o encontrei na locadora e finalmente consegui vê-lo. Surpresa: foi dirigido pelo mesmo Vicente Amorim, austríaco que morou no Brasil porque é filho do ministro Celso Amorim. Dessa vez seu filme foi rodado na Hungria e é falado em inglês. Basicamente conta a estória do professor universitário John Halder (Viggo Mortensen) que se torna uma figura importante do partido nazista e da SS depois de ter publicado um livro de ficção sobre a "humanidade na eutanásia". É o drama que retrata as escolhas que uma pessoa comum acaba fazendo, sem notar que uma escolha leva a outra, e que no final o resultado é muito diferente do que se imaginava. No caso dele, a escolha inicial de não ajudar um amigo judeu para não se prejudicar, e a escolha tardia de tentar encontrá-lo já num campo de concentração. Interessante. Pungente. Reflexivo. Recomendo.

Quinta-feira, Junho 18, 2009

A Salvação

Ontem fui ver "O Exterminador do Futuro - A Salvação" (Terminator Salvation, McG, 2009). Resolvi comentar por consideração aos dois primeiros filmes da série, "O Exterminador do Futuro" (The Terminator,1984) e "O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final" (Terminator 2: Judgment Day, 1991), ambos dirigidos pelo James Cameron, que também contribuiu no roteiro. Mesmo sem grandes atores, são filmes bons. Embora seja o ícone da série, o austríaco Arnold Schwarzenegger está longe de ser um ator de verdade. Que me perdoem seus fãs, mas entre ator e político, ele deve ter sido apenas um bom fisiculturista.
A série nos dá um exemplo interessante das importâncias relativas da direção, do roteiro e da atuação.
O terceiro filme da série, "O Exterminador do Futuro 3 - A Rebelião das Máquinas" (Terminator 3: Rise of the Machines, Jonathan Mostow, 2003) é abaixo da média. Só não foi pior porque o Cameron deu uma mãozinha no roteiro, no que se refere aos personagens.
O quarto, "A Salvação", apesar de direção e roteiro ruins, literalmente foi salvo pelas atuações, com destaque para o Christian Bale, como John Connor, e a ponta feita pela Helena Bonham Carter, como Dra. Serena Kogan. Devo mencionar também o Sam Worthington, como Marcus Wright, um ex-criminoso que tem uma segunda chance como cyborg (meio humano, meio máquina) e que tem um papel fundamental na estória. Para os fãs do Schwarzenegger, imagens dele como os primeiros exterminadores aparecem na tela. O filme deixa a brecha para a seqüência. Tudo indica que teremos uma trilogia agora. Vamos torcer para que sejam filmes melhores.
Não recomendo, mas assista se quiser.

Sexta-feira, Junho 12, 2009

Aiuruoca

Este é o Pico do Papagaio (2293m), que pode ser visto de quase todos os lugares da cidadezinha de Aiuruoca-MG, e até mesmo de algumas cidades vizinhas. Aiuruoca situa-se no sul de Minas Gerais, no Parque Estadual da Serra do Papagaio, na região da Serra da Mantiqueira, aproximadamente na metade do caminho entre Varginha e Juiz de Fora, na estrada BR-267. No Vale do Matutu, a 20 km do centro, há guias que cobram de 15 a 30 reais para nos levar por trilhas a cachoeiras e picos. A cachoeira das Fadas (segunda foto, central) é de fácil acesso (4 minutos de caminhada), e tem uma piscina natural de água limpinha e transparente.Uns 5 km antes, na estrada, há o acesso para o Poço dos Macacos (foto abaixo). Embora não sinalizado, o acesso é fácil - cerca de 8 minutos de caminhada por uma trilha quase fechada pelo mato.Se você tiver tempo e algum preparo físico, contrate um guia e vá até a cachoeira dos Garcias (30m) e o Pico do Papagaio (cerca de 4 horas de caminhada). Há diversas pousadas na região, algumas com acessos precários, mais adequados a veículos com tração 4x4.
Mais adiante, na direção de Juiz de Fora, fica Conceição de Ibitipoca, paraíso do ecoturismo. E ao norte, São João del Rei e Tiradentes, no circuito das cidades históricas e do barroco brasileiro.