Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Berlim, 1989. Palestina, ?

Após 20 anos da queda do muro que dividiu a cidade de Berlim em 1961, ainda restam outros muros da vergonha. Além do Muro da Coréia e do Muro Saara Ocidental-Marrocos, tem recebido destaque ultimamente os seguintes muros:

  • Ceuta-Marrocos e Melilla-Marrocos, que ficaram famosos em 2005, quando centenas de migrantes tentaram passar para a União Européia, com dezenas de mortos e de feridos.
  • Fronteira Estados Unidos-México, que começou separando San Diego e Tijuana em 1994 através da Operação Guardião (Operation Gatekeeper).
  • Cisjordânia, que o governo sionista de Israel começou a construir em 2002 e foi declarado ilegal em 2004 pelo Tribunal Internacional de Justiça de Haia.

Este último, que é 3 vezes maior e 2 vezes mais alto que o Muro de Berlim, tem sido alvo da campanha "Unidos Contra o Apartheid", apoiada pela ONG "Anarquistas Contra o Muro":

Segunda-feira, Novembro 02, 2009

Vinho de São Roque

Hoje é o último dia da Expo São Roque, exposição de alcachofras, vinhos e sucos de uva, com shows musicais, danças e comidas típicas. A exposição fica no Recanto da Cascata, centro de São Roque, a apenas 60km de São Paulo.
Apesar dos vinhos de mesa serem à base das uvas isabel, bordô e niágara, que não são muito adequadas, vale a pena visitar a Estrada do Vinho e conhecer pelo menos as vinícolas: Canguera, Góes e Palmeiras. Prove o vinho local e, se preferir, compre um Cabernet Sauvignon ou um Carmenere produzido em Flores da Cunha-RS!

Itu

Rico viaja pra Europa
Pobre viaja pra Itu

Estes são versos de "O Rico e o Pobre", do humorista Ary Toledo.
Outro humorista, Simplício, tornou famosa a cidade interpretando um caipira que insistia que em sua cidade, Itu, tudo era grande. Hoje a Praça Padre Miguel é conhecida como a praça do orelhão e do semáforo gigantes, mas a cidade tem outras atrações turísticas além desses divertidos exageros. Em frente à praça está a igreja matriz Nossa Senhora Candelária (foto, teto), de 1780, que tem em seu interior obras do barroco paulista. Ali perto estão outras duas igrejas que valem uma visita: a do Bom Jesus e a Nossa Senhora do Carmo. Além das igrejas o centro histórico abriga também a Casa Imperial, o Cruzeiro, o Espaço Fábrica São Luiz (foto, páteo), o Museu da Energia e o Museu Republicano. Vale a pena dar um pulo à Estrada Parque, na margem direita do rio Tietê, e visitar a Fazenda do Chocolate (foto, pavão).
Itu está a apenas 100km de São Paulo. Vá conhecê-la. Recomendo.

Sexta-feira, Outubro 30, 2009

Minissaia expõe provincianismo de São Bernardo

Conforme noticiou ontem e hoje a grande imprensa, há cerca de uma semana uma estudante de Turismo da UNIBAN (Universidade Bandeirante de São Paulo) foi agredida verbalmente e ameaçada de estupro por trajar uma minissaia. A moça teve que sair da unidade de São Bernardo sob escolta da Polícia Militar, usando um jaleco emprestado por um professor, conforme mostram diversos vídeos obtidos por celulares e que foram parar na Internet.
Considerando-se as circunstâncias, pode-se até questionar a adequação e a estética daquela roupa, mas não vejo nenhuma justificativa para tanto alarme. Pelo uso da minissaia, a moça foi chamada de vagabunda e prostituta, entre outros termos. Ficou chocada com a reação dos colegas, como ficamos todos quando tomamos conhecimento dessa manifestação preconceituosa, retrógrada e reacionária.
É realmente lamentável que, em pleno século 21, jovens dentro de uma "universidade" demonstrem tal nível ideológico, cultural e até mesmo educacional. A mercantilização do ensino superior prestou mesmo um grande desserviço à cultura do país ao fomentar a abertura de faculdades caça-níqueis em qualquer esquina e que, pelo poder do dinheiro, se autodenominam universidades. Universidade significa pluralidade, diversidade, liberdade, tolerância. A universidade deve ser um celeiro de idéias e mentes arejadas, que não tem nada a ver com essa visão estreita e tacanha do conservadorismo provinciano do ABC.

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

Distrito 9

"Distrito 9" (District 9, 2009) está em cartaz há 2 semanas e cria expectativas em muita gente, por já ser um sucesso de bilheteria. E merecido. É um drama de ficção científica com doses equilibradas de ação e suspense. É rodado como se fosse um documentário e, inclusive, no início contém entrevistas e depoimentos reais de brancos e negros que comentam sobre imigrantes ilegais na África do Sul. No filme, os imigrantes ilegais são alienígenas perdidos e doentes, que são retirados de sua espaçonave estacionada sobre Joanesburgo para refúgio em uma favela chamada Distrito 9. Devido ao excesso de problemas com a vizinhança humana, o governo decide despejar os "camarões" (apelido pejorativo dos aliens) para um assentamento mais afastado da cidade. Apesar de contar com Peter Jackson, que produziu a série "O Senhor dos Anéis", são novatos tanto o diretor Neill Blomkamp como o principal ator, Sharlto Copley, que vive Wikus Van De Merwe, o encarregado de coordenar a transferência dos aliens. Não vou entrar em detalhes, mas apenas recomendar este bom filme, por sua originalidade, sem falar de sua clara referência ao apartheid, à intolerância e à discriminação.

Terça-feira, Outubro 27, 2009

Momentos de Jerusalém

"Momentos de Jerusalém" (Jerusalem Moments, 2009) é um dos filmes da 33ª Mostra Internacional de Cinema que podem ser vistos de graça pela Internet. Na verdade é um conjunto de 7 documentários conduzidos por 7 jovens diretores palestinos e israelenses. Aborda a complexidade da vida em Jerusalém. O que mais me chamou a atenção foi o documentário que aborda a profanação dos túmulos palestinos efetuada por Israel, em mais um exemplo de discriminação, intolerância e injustiça praticada pelo sionismo. Num intervalo que fiz, por acaso topei com a manchete do portal O Globo noticiando que Israel está sendo acusado pela Anistia Internacional de "tirar" água de palestinos. Coloquei a palavra tirar entre aspas porque se trata de um eufemismo que significa subtrair para si propriedade alheia mediante o uso da força. Isto é, o mesmo que os sionistas fizeram em relação às terras palestinas, notadamente durante o mandato britânico através de sua atividade terrorista, a Guerra dos Seis Dias e mais recentemente a construção do muro que isola a Cisjordânia.
A seguir, veja o vídeo publicado pela Anistia Internacional (falado em inglês):

33ª Mostra Internacional de Cinema

Da última sexta-feira, 23/10, até quinta-feira da semana que vem, 5/11, acontece em São Paulo a 33ª Mostra Internacional de Cinema. Esse ano temos uma novidade interessante. Nunca antes na história dos grandes festivais de cinema houve a oferta dos filmes da programação para acesso online. De 26 filmes, 16 já estão disponíveis para acesso em streaming. Essa disponibilidade é válida para os 300 primeiros acessos, após a exibição tradicional do filme, durante a realização da mostra. Acesse
http://www.mostra.org/exib_destaque.php?destaqueId=252&language=pt
e
http://www.theauteurs.com/programs/41
Agora o cinéfilo que não puder vir à mostra pode assistir aos filmes pela internet. Excelente.

Quinta-feira, Outubro 22, 2009

Bastardos Inglórios

Está em cartaz o novo filme do Tarantino, “Bastardos Inglórios” (Inglorious Basterds, 2009), que foi indicado à Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes. Trata da vingança de judeus contra a elite nazista contada do jeito de Tarantino, com diálogos longos que estendem o filme a cerca de duas horas e meia, e inúmeras referências à história do cinema. O soldado Fredrick Zoller (Daniel Brühl), conhece uma jovem que possui um cinema em Paris. Apaixonado, o soldado convence o próprio Joseph Goebbels a mudar para o cinema da moça a estréia do filme em que ele representa a si mesmo como herói de guerra. Acontece que a moça, Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent) é uma fugitiva judia cuja família foi executada sob o comando do coronel Hans Landa – magnificamente interpretado por Christoph Waltz, que venceu o prêmio de melhor ator em Cannes. Já que toda a cúpula nazista iria ver o filme, isto era o golpe de sorte que viabilizaria a vingança da moça. Por outro lado, havia um grupo de soldados judeus americanos, comandados pelo tenente Aldo Raine (Brat Pitt, cujas caretas lembra o Robert De Niro), vulgo Apache, cuja missão é escalpelar o maior número possível de nazistas. Repare as referências ao western de John Ford no apelido e no nome do tenente – Aldo Ray + John Wayne. Se prestar atenção aos detalhes, o que não dá para conseguir totalmente na primeira vez, existem inúmeras referências dentro dos nomes dos personagens, da trilha sonora, dos cartazes, dos filmes dentro do filme, a todo momento. Bem, não vou contar o filme e nem fazer outra sinopse. Só vou dizer que decidi assistir ao filme esperando o máximo de Tarantino, até com um pouquinho de medo de ficar decepcionado, e saí feliz com o resultado: magnífico! Recomendo.

Terça-feira, Outubro 20, 2009

Congonhas


Congonhas-MG fica a cerca de 80km de Belo Horizonte, pela BR-040, rumo ao Rio. Para o turista não há muito o que ver na cidade, exceto a magnífica e imperdível Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, tesouro barroco tornado patrimônio cultural mundial em 1985. Além da igreja (primeira foto), com a sala anexa dos ex-votos, é impressionante o átrio com as esculturas de pedra-sabão dos 12 profetas (Daniel, Isaías, Jonas, Amós, Abdias, Baruc, Oséias, Ezequiel, Jeremias, Joel, Naum e Habacuc). A segunda foto destaca os profetas Ezequiel e, em segundo plano, Oséias. E também as 6 capelas dos passos (ceia, horto, prisão, flagelação, calvário e crucificação), todas obras de Aleijadinho e seus auxiliares. A última foto mostra as imagens de cedro representando o Passo da Subida ao Calvário. Independentemente de seu credo religioso, tenho certeza que vai apreciar essa obra-prima inesquecível.

Sábado, Outubro 17, 2009

O Quarto Poder

Recebi de um amigo um spam que brinca com as diferentes versões da imprensa brasileira para uma mesma história, no caso, a estória do Chapeuzinho Vermelho. A mensagem não é novidade, mas nos leva a refletir sobre a qualidade e a ideologia de nossa mídia.
Assinei a Folha por muito tempo, quase sempre em papel e ultimamente na versão on-line, mas acabei cancelando. Não imaginava um dia admitir que o Estado estivesse melhor. Na verdade, não melhor, mas menos ruim. A propósito o Estado on-line continua com aquele banner que diz "xx dias sob censura", o que confunde o leitor porque relaciona uma decisão judicial contra divulgação de grampos a uma determinação autoritária da ditadura militar nos tempos em que o Estado publicava poemas e receitas por causa da censura prévia. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Aliás, o Estado, por meio do Jornal da Tarde, fez campanha contra alguns políticos (por exemplo: Brizola e Maluf) que seria mais adequada a um panfleto de sindicato em porta de fábrica. Não defendo tais políticos, mas acho que um jornal minimamente sério não deveria usar técnicas de pasquim. Nos anos de chumbo o Estado foi vítima, sim, da ditadura. E infelizmente outro jornal, dizem, emprestava viaturas para transporte de presos políticos.
Não sei muito a respeito do Jornal do Brasil e do Globo, mas este último, junto com toda a organização Globo, tem uma história muito suja. Não vou me demorar neste caso, mas recomendo ver o documentário da BBC "Muito Além do Cidadão Kane", por exemplo, no YouTube (http://www.youtube.com/watch?v=JA9bPyd1RKQ).
A revista Veja é talvez o melhor exemplo de imprensa marrom (yellow journalism) que temos e também não vou me estender. Recomendo o artigo do Nassif "O Caso de Veja" (http://luis.nassif.googlepages.com/). Uma vez fui criticado por um colega quando disse que a Caras é melhor que a Veja. Disse e explico: a Caras é honesta e coerente com aquilo que se propõe. Não a leio, ou vejo, exceto quando vou ao barbeiro. Jamais a assinaria. Mas acho que ela é mais séria, só isso.
Independentemente de ser contra ou a favor de uma determinada ideologia política, filosófica ou religiosa, a imprensa deveria separar informação de opinião. Claro que deve haver liberdade de imprensa, mas é preciso responsabilidade e transparência. E não é apenas aqui que há problemas. Veja o caso do jornal dinamarquês Jyllands-Posten que em 2005 publicou charges contra Maomé ofensivas ao islamismo. Aquilo foi tão grosseiro quanto o que faz quase todos os dias o nosso "PiG" - partido da mídia golpista (Estado, Folha, Globo, Veja, Band). E isso não acontece só agora, não. Foi assim antes da quartelada de 1964, depois, no governo do Sarney, no do Collor, no do Fernando Henrique, e ainda mais agora, ou seja, sempre que o interesse dos donos dessa mídia foi ameaçado.
Como disse no início, cancelei, não sem tristeza, a minha assinatura da Folha. Acho que a alternativa é a blogosfera. Claro, da mesma forma, sei que devo filtrar o conteúdo porque há muita coisa boa e muita coisa abaixo da crítica. Há muitas opções dentro do espectro ideológico, e fica mais fácil discernir. Não vejo nenhum problema se determinada mídia ou pessoa é fascista ou comunista, se é conservadora ou progressista, se é católica ou muçulmana etc, desde que exprima sua opinião no foro adequado e de forma responsável.
Costa-Gavras abordou a questão da manipulação da opinião pública feita pela imprensa enquanto quarto poder no filme “O Quarto Poder” (Mad City, 1997). A propósito, para quem não lembra ou não conhece, Gavras é o mestre do suspense político que dirigiu, entre outros, “Z” (Z, 1969), “A Confissão” (L’Aveu, 1970), “Desaparecido – Um Grande Mistério” (Missing, 1982), “Estado de Sítio” (État de Siège, 1972) e “Seção Especial” (Section Spéciale, 1975), todos imperdíveis. Mas, voltando ao tema do poder da mídia, o quarto poder deixa de ser um grande aliado do cidadão comum e, aliado a gigantescos grupos econômicos, se torna mesmo um perigo para a democracia. Um exemplo clássico foi a campanha difamatória do jornal El Mercúrio contra o governo Allende, entre 1970 e 1973, que culminou no golpe. Se você é leitor da Veja, provavelmente acha que o Chavez é apenas um fanfarrão, mas o que você não deve saber é como atua a mídia conservadora na Venezuela, em nome da “liberdade de expressão”.
Embora seja virtualmente impossível manter sempre a neutralidade e o equilíbrio, uma boa opção pode ser verificar o ponto de vista dos media watchers, como o nosso Observatório da Imprensa, por exemplo. Se o camarada lê o Estado e a Veja e acha que está bem informado, uma “segunda opinião” pode ser interessante. Quando cheguei à universidade, minha primeira lição foi ouvir os contrários e conhecer as diferentes fontes de informação e de opinião. Acho que posso recomendar isto.

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