Share |

Segunda-feira, Janeiro 30, 2012

Os homens que não amavam as mulheres

Sexta-feira foi a estréia de Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres (The Girl with the Dragon Tattoo, 2011), baseado no livro do sueco Stieg Larsson. Agora o roteiro é de Steven Zaillan, o mesmo de “A Lista de Schindler” (Schindler’s List, Steven Spielberg, 1993). E a direção é do David Fincher, de “Clube de Luta” (Fight Club, 1999) e “Seven – Os Sete Crimes Capitais” (Se7en, 1995), entre outros bons filmes. Raramente um remake fica tão bom, ou melhor, que o original, mas talvez isso tenha acontecido dessa vez. Fica difícil dizer qual é melhor – se o atual ou “Os Homens Que Não Amavam As Mulheres” (Män som hatar kvinnor, 2009) do dinamarquês Niels Arden Oplev. Particularmente gostei mais da atuação do Michael Nyqvist e da Noomi Rapace (que está em “Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras”, do Guy Ritchie) em comparação ao Daniel Craig e à Rooney Mara, vivendo os protagonistas Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander. Ele é um jornalista sério (daqueles que não se encontram hoje em dia no PiG), e ela é uma hacker revoltada com a violência contra a mulher. Aliás, Larsson criou essa heroína em homenagem a uma garota que ele teria visto sendo estuprada e a quem ele não pode ajudar naquela ocasião.
A propósito, vale a pena rever toda a trilogia Millennium, composta por:
“A Menina que Brincava com Fogo” (Flickan som lekte med elden, 2009) e
“The Girl Who Kicked the Hornet’s Nest” (Luftslottet som sprängdes, 2009), respectivamente o segundo e o terceiro filmes da série, ambos dirigidos pelo sueco Daniel Alfredson (irmão de Tomas Alfredson, do ótimo “Deixa Ela Entrar”).
Veja (com o perdão da palavra) o trailer:

Sábado, Dezembro 31, 2011

2011, o ano em que os cães latiram e a caravana passou

Nesse momento o Brasil vai de bem a melhor. Claro, com muitos problemas ainda. E diversos desafios. Mas a perspectiva é boa. Já somos a sexta economia do mundo. E mesmo com a crise econômica global, ainda crescemos – aquém do esperado, mas de forma consistente. Diversos eventos, que estão por vir nos próximos anos, continuarão colocando o país cada vez mais em evidência. Com exceção de algumas tragédias, algumas talvez anunciadas, mas sobre as quais nada ou pouco podemos fazer hoje, quase podemos afirmar, sem sarcasmo, que “tudo vai pelo melhor no melhor dos mundos possíveis”, lembrando Voltaire.
Infelizmente, uma parte da sociedade está atônita e se recusa a admitir o sucesso e o futuro promissor do país. Essa parte foi derrotada nas urnas. Seus líderes foram defenestrados do poder. Eles compõem uma legião de mortos-vivos, politicamente falando, zumbis e vampiros. Nutrem e espalham sentimentos ruins, como rancor e inveja. Por sorte estão divididos. Lutam entre si. Vigiam-se, intimidam-se e ameaçam uns aos outros. Se houver vencedores, estes estarão incumbidos de voltar ao poder, custe o que custar, para “combater o comunismo ateu e defender a família cristã”.
Um dos problemas brasileiros é o oligopólio das comunicações, isto é, a mídia é privatizada e concentrada praticamente nas mãos de onze famílias. Alguns as encaram como verdadeiras famiglias, inclusive. Essas famílias sempre foram associadas àquela parcela da sociedade, citada acima. Portanto, sua linha editorial é conservadora, americanófila e sionista. Hoje não separam informação e opinião. Escolhem os fatos, decidem o que e como informar. Editam as manchetes, isto é, manipulam de acordo com seu ponto de vista. E se dirigem especialmente a um determinado público consumidor, encarregado de multiplicar e disseminar sua forma de pensar e viver. Esse não é um fenômeno brasileiro, mas ocorre também nos Estados Unidos.
A mídia brasileira pratica um jornalismo marrom e é conhecida por PiG – partido da imprensa golpista – particularmente por seu papel na eleição e no impeachment de Fernando Collor (1990-1992), além do apoio dado à quartelada de 1964 e o subseqüente governo fascista finalizado em 1985. Esse apoio, além de ideológico, foi material e logístico. Outros setores da sociedade também apoiaram por ação ou omissão o fascismo, como parte dos cristãos da Igreja Católica Apostólica Romana e de seitas pentecostais, e também parte do empresariado, como o Grupo Ultra do cidadão Boilesen.
Em 2011 o spam político eleitoral praticado na campanha do Çerra migrou para as redes sociais, onde os reacionários reeditaram o movimento dos cansados de 2007. Ao contrário dos movimentos realmente populares, as marchas contra a corrupção foram um fracasso – sua última manifestação reuniu apenas 30 pessoas. A direita, cujos partidos trocam de nome como se troca de camisa, alijada do poder, adotou a estratégia de colar a imagem de corrupto nos integrantes do governo. Isso é tão bizarro como a dona do bordel tentar se passar por virgem. É como se a corrupção fosse um fenômeno surgido em 2003 com o governo Lula. A mídia trabalhou a todo vapor para derrubar 6 ministros, o que ficou conhecido com a faxina da presidenta Dilma. Ao mesmo tempo a mídia reluta em admitir o sucesso de vendas do livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que descreve o maior assalto ao patrimônio público brasileiro, praticado na “jestão” tucana, quando o Çerra foi ministro do Planejamento.
A novidade na Política foi a criação de um novo partido, que “não é nem de direita, de esquerda, nem de centro”, conduzida por Kassab – este, por sua vez, criatura do Çerra. Se o PSD não é ideológico, então é fisiológico, claro. Mas sabemos que é partido de direita, engendrado dentro do contexto da luta desesperada pela volta ao poder, praticada pelos derrotados do ano passado. Por sorte, ou por falta de apoio mesmo, a mídia não escondeu que Kassab cumpriu apenas entre 6% e 29% das metas da Prefeitura para 2012. Dedicou-se, claro, a dividir o PSDB em São Paulo, conforme estratégia do já citado despeitado.
O ano que vem promete muitas emoções, já que haverá eleições municipais e as atenções estarão voltadas para a cidade de São Paulo. Os vencedores terão um peso grande na disputa que realmente interessa, que é a sucessão da presidenta em 2014. Todo cuidado será pouco. A direita, ferida, associada à mídia literalmente vendida e seu público vil, usará novamente baixarias e ardis inimagináveis. A sorte é que, de fato, o povo não é bobo e, novamente a caravana passará à revelia dos cães.

Domingo, Dezembro 04, 2011

Vai com Deus, Doutor.

Ontem fiquei preocupado quando soube da internação do Sócrates. Hoje fiquei chocado quando soube da morte do Magrão. De fato, é uma grande perda para nós, brasileiros, principalmente para aqueles que gostam de futebol e para aqueles que prezam a democracia.
Todos que me conhecem sabem que sou santista, mas hoje confesso que vou torcer pelo time que consagrou o Doutor. E acho que a eventual festa do título, merecido por sinal caso se concretize, seria mais bonita se incluisse uma homenagem ao paraense Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira.
Neste momento de maturidade, em que respeitamos e torcemos pelos nossos vizinhos, até nossos hermanos lembraram do Doutor: http://www.clarin.com/deportes/Murio-Socrates-icono-futbol-Brasil_0_602939964.html

Domingo, Novembro 20, 2011

Vampyr

Outro dia falei sobre a Lone Scherfig e alguns de seus melhores filmes. Ontem vi "O Vampiro" (Vampyr - Der Traum des Allan Grey), dirigido em 1932 por outro dinamarquês, Carl Theodor Dreyer. Para quem gosta de cinema, e refiro-me a cinema de verdade e não aos modernos blockbusters, esse é um filme imperdível, principalmente em se tratando de filmes de terror e vampiros. Veja a sinopse no sítio da ótima The Criterion Collection. Contemporâneo do alemão F.W. Murnau (de "Nosferatu, uma Sinfonia do Horror") e do austríaco Fritz Lang (de "M, o Vampiro de Dusseldorf"), Dreyer filmou entre 1919 e 1964. Seu cinema é quase um tratado sobre a psicologia humana, que mostra de forma lenta e detalhada pessoas sofrendo crises pessoais e religiosas. Outras jóias da cinematografia de Dreyer:
  • A Paixão de Joana d'Arc (1928)
  • Dias de Ira (1943)
  • A Palavra (1955)
Claro que você não vai achar facilmente esse filme para alugar ou comprar, mas a boa notícia é que ele pode baixado do Internet Archive, além do óbvio YouTube:

Segunda-feira, Novembro 07, 2011

O Sétimo Selo

Finalmente consegui ver “O Sétimo Selo” (Det sjunde inseglet, 1957), filme neo-expressionista escrito e dirigido pelo genial Ingmar Bergman. Numa certa referência a Dom Quixote de La Mancha, o cavaleiro Antonius Block (Max von Sydow), ao voltar das Cruzadas, em companhia de seu escudeiro Jöns (Gunnar Björnstrand), encontra seu país devastado pela Peste Negra (bubônica). É o final da Idade Média, com a decadência do feudalismo, quando estão presentes todos os fatores simbolizados pelos Quatro Cavaleiros da Revelação (Apocalipse): guerra, peste, fome e morte. O título do filme faz referência ao último dos sete selos, cuja abertura é seguida pelo soar das sete trombetas dos sete anjos e pelo Juízo Final. Nesse contexto, o cavaleiro inicia uma partida de xadrez com o Ceifador (a Morte) para procurar respostas sobre a vida, a morte e a existência de Deus e do Diabo; e também ganhar tempo e salvar a vida de seu escudeiro e uma família de artistas mambembes (um casal e seu bebê, que talvez simbolizem a “sagrada família”). Há diversas interpretações sobre essa obra-prima, e destaco sua crítica à Igreja. O “santo” papa Inocêncio III, através do tribunal religioso da Santa Inquisição, que acusava, julgava, condenava e punia, ordenou perseguição, tortura e morte na fogueira aos hereges, bruxos e seguidores de outros credos. Uma das cenas marcantes remetem à belíssima crônica “A Paixão de Joana d'Arc” (La passion de Jeanne d'Arc, 1928), escrita e dirigida pelo dinamarquês Carl Theodor Dreyer. Estes são filmes que devem ser vistos e revistos diversas vezes por quem procura algo mais do que entretenimento no cinema, como reflexão e aprendizado.

Quinta-feira, Novembro 03, 2011

Jogos Pan Americanos

Este ano em Guadalajara nós tivemos a melhor participação fora de casa na história do Pan, ficando em terceiro lugar, atrás de Estados Unidos e Cuba, com 141 medalhas (48 de ouro, 35 de prata e 58 de bronze). No total acumulado de medalhas desde 1951, alcançamos o número de 1067 medalhas, superando a Argentina e passando ao quarto lugar, atrás de Estados Unidos, Cuba e Canadá. A seguir, veja o quadro geral de medalhas atualizado para o Brasil:

Ano Sede Ranking Ouro Prata Bronze Total
1951 Buenos Aires 5 5 15 12 32
1955 México 7 2 3 12 17
1959 Chicago 3 8 8 6 22
1963 São Paulo 2 14 20 18 52
1967 Winnipeg 3 11 10 5 26
1971 Cali 4 9 7 14 30
1975 México 5 8 13 23 44
1979 San Juan 5 9 13 17 39
1983 Caracas 4 14 20 23 57
1987 Indianápolis 4 14 14 33 61
1991 Havana 4 21 21 37 79
1995 Mar Del Plata 6 18 27 37 82
1999 Winnipeg 4 25 32 44 101
2003 Santo Domingo 4 29 40 54 123
2007 Rio de Janeiro 3 54 40 67 161
2011 Guadalajara 3 48 35 58 141

Se olharmos com atenção esses números, notaremos algumas curiosidades que menciono em seguida.
A ditadura militar, em 5 edições do Pan (1967-1983) conquistou 196 medalhas (51 de ouro, 63 de prata, 82 de bronze), 13 a mais do que o governo FHC (43 de ouro, 59 de prata, 81 de bronze) em 1995 e 1999. Por outro lado, na gestão de Lula (83 de ouro, 80 de prata, 121 de bronze), foram conquistadas 88 medalhas a mais que a ditadura e 101 medalhas a mais que o governo FHC. Outra curiosidade: Os governos Lula e Dilma são responsáveis por 40% de todas as medalhas conquistadas pelo Brasil até hoje, sendo 39% das de bronze, 36% das de prata e 45% das de ouro! E, para desespero dos reacionários, todo esse sucesso foi obtido sob a gestão do PCdoB no comando do Ministério do Esporte, tão combatido atualmente pela direita e pela mídia golpista.

Sábado, Outubro 15, 2011

Xenofobia travestida em autodeterminação

Há muito tempo atrás, quando meus pais me levaram para a matrícula no primeiro ano do primário, alguém da escola me perguntou se eu era brasileiro. Respondi no ato: não, sou paulista. Claro, naquela época eu só sabia que meus pais eram mineiros e eu tinha nascido em São Paulo.
Mais recentemente, um colega gaúcho me perguntou como era o Hino de São Paulo. Respondi que não tinha a mínima ideia. Além do Hino Nacional, que chamo carinhosamente de “o virundum”, lembro apenas do Hino à Bandeira, que meu pai militar me ensinou, e o Hino da Independência do Brasil, que começava assim nos tempos de ginásio: “japonês, da pátria filhos...”.
Nos tempos de ginásio e colégio, que coincidiram com a pior fase da ditadura militar, tive aulas de Educação Moral e Cívica. Não posso dizer que não foi válido, mas confesso que não concordo com o belicismo presente na maioria desses hinos e com essa tese de “morrer pela pátria”. Acho muito fascista esse negócio de farda, arma, marcha e símbolos nacionais. Você pode dizer que eu sou um sonhador, como John Lennon, mas acho que o mundo seria melhor sem fronteiras e motivos para lutar ou morrer, e até mesmo sem o materialismo das posses e a alienação das religiões.
A História tem demonstrado que a exacerbação do nacionalismo acaba sempre fomentando o totalitarismo. Nesse processo, em geral, a primeira etapa traz manifestações de preconceito e intolerância, como aquelas promovidas por jovens racistas nas redes sociais aqui em São Paulo. Não é um grande problema, já que se trata de alguns filhinhos de papai (ou aspirantes), de berço reacionário, com algum dinheiro e eventualmente algum estudo, mas pouca ou nenhuma cultura. No entanto, esse fenômeno pode ser preocupante se acontecer no interior do país e nas regiões de fronteira, onde as diferenças se acentuam e há um grande provincianismo.
Hoje uma proposta de transformar a região sul do Brasil em um país está sendo votada em Porto Alegre. É a terceira pesquisa, cuja tese já foi rejeitada em Curitiba e aprovada em Florianópolis, promovida pelo grupo separatista “O Sul é o meu País”. Esse movimento é menos radical que o “Pampa Livre”, grupo fascista que pretende a independência do Rio Grande do Sul, mas não menos provinciano e xenofóbico.

Quinta-feira, Agosto 18, 2011

A Corrupção e o Complexo de Vira-Lata

Hoje em dia o assunto “corrupção” volta a ficar na moda. Para quem se “informa” apenas pela mídia golpista, dá a impressão de que a corrupção nunca antes existiu no Brasil e apenas começou em 2002 com o governo Lula. Aliás, a mídia, que apoiou o regime militar, deixou bem claro seu golpismo durante o governo Collor, quando conseguiu afastar o presidente eleito através do impeachment de 1992. A Veja e a Folha comandaram a campanha contra Collor. Na época, a Folha apresentava o slogan: “A Folha não chuta cachorro morto” para dar a impressão de que não tinha nada a ver com o que aconteceu. Depois, no governo Lula, a mídia golpista (Veja, Folha, Estado, Globo) assumiu o papel de partido de oposição, já que a oposição se tornou uma nau sem rumo, sem proposta, sem projeto, totalmente derrotada e perdida. Hoje, passada a chamada lua-de-mel, a mídia golpista já começou a trabalhar na campanha eleitoral da direita com vistas a 2014, passando pelas eleições municipais do ano que vem. Nesse contexto, os parajornalistas dos diversos tablóides estão trabalhando duramente e fazendo hora extra para encontrar problemas que comprometam o governo Dilma, da mesma forma que fizeram no ano passado durante a sórdida campanha do “mais preparado dos brasileiros” e o “presidente de nascença” Zé Chirico.
Pessoalmente vejo muita gente mal-informada e alienada, em um coro com a mídia golpista, falando mal do governo. É uma situação tragicômica, já que muitas dessas pessoas sempre votaram num tal candidato condenado porque esse “roubava, mas fazia”. Algumas dessas pessoas se gabam todo o ano por ter obtido uma restituição maior do imposto de renda por tê-lo fraudado. Outros deram propina para obter a licença de motorista ou subornaram algum guarda para se livrar de uma multa. Há os que usam aquelas fitinhas nas placas para burlar a fiscalização, ou “importam” dispositivos para anular os radares e assim poder andar a mil sem nenhum respeito à sinalização viária. E tantos praticam descaradamente a lei de Gérson – afinal, o importante é levar vantagem, não é mesmo? Conheço mesmo gente que me disse que não ia votar na presidenta porque ela teria sido terrorista, mas elegeu um senador que foi motorista e guarda-costas do Marighela. A tragédia é que essas pessoas nem sabem quem foi Marighela. Ou seja, há uma mistura de ignorância, preconceito, cinismo e hipocrisia no ar.
Para completar, infelizmente muitos de nós ainda sofrem do complexo de vira-lata e é comum se ouvir que o Brasil é o país mais corrupto do mundo. Segundo a Transparência Internacional os países com menor percepção de corrupção são Dinamarca, Nova Zelândia e Singapura com nota 9,3. Desse ranking de 178 países, destaco 10 para nossa reflexão:
País / Ranking / Nota
Chile / 21º / 7,2
Estados Unidos / 22º / 7,1
Uruguai / 24º / 6,9
Itália / 67º / 3,9
Brasil / 69º / 3,7
Índia / 87º / 3,3
México / 98º / 3,1
Argentina / 105º / 2,9
Paraguai / 146º / 2,2
Rússia / 154º / 2,1

Terça-feira, Agosto 09, 2011

Lone Scherfig

Ela é a dinamarquesa que dirigiu até o momento sete filmes, dos quais destaco três:
  • Italiano Para Principiantes (Italiensk for begyndere, 2000), comédia romântica pertencente ao Dogma 95 – movimento cinematográfico de vanguarda lançado em 1995 pelos diretores Thomas Vinterberg (de “Festa de Família”, primeiro filme do movimento) e Lars von Trier (de “Dogville”).
  • Meu Irmão Quer Se Matar (Wilbur Wants to Kill Himself, 2002), exibido na última Mostra Internacional de Cinema, e reprisado recentemente pela TV Cultura.
  • Educação (An Education, 2009), cujo roteiro de Nick Hornby (de “Alta Fidelidade”, 2000) foi baseado nas memórias de uma jornalista britânica (Lynn Barber).
São filmes que abordam comportamentos e relacionamentos em detalhes, que são realistas sem ser pesados, mas sensíveis e bem humorados. É o moderno cinema europeu, que recomendo muitíssimo.

Segunda-feira, Agosto 08, 2011

Spam, ainda!

A Internet ainda é adolescente no Brasil, com seus 15 ou 16 anos. Talvez por isso muitos internautas ainda não adquiriram a maturidade digital. Ainda hoje recebo spams de todo o tipo. São apresentações em PowerPoint sobre diversos temas, desde pornografia até textos de auto-ajuda e religiosidade, campanhas difamatórias, estórias de conspiração, “dicas” e lendas urbanas, phishing e toda sorte de fraudes e contra-informação. Mesmo com as chamadas redes sociais ou de relacionamento, talvez mais adequadas para a troca desses lixos, muita gente ainda se ocupa em repassar spam a torto e a direito sem questionar nem por um segundo a procedência daquele entulho inútil.
Outro dia recebi um spam que detalhava um novo tipo de radar e sua localização em diversas ruas e avenidas. Nem acabei de ler e já o marquei como spam e o deletei. È o tipo de “informação” que, para mim, além de não solicitada, é inútil. E por uma razão muito simples. Não preciso saber onde tem e onde não tem radar. Baseio-me na sinalização e conduzo de acordo com as regras de trânsito. Simples assim. Lembrei inclusive de uma visita à Suécia que fiz há alguns anos. Era passageiro em uma viagem de negócios e, na estrada, comentei com o motorista que não tinha visto nenhum posto ou policial rodoviário em mais de 300 km pelo interior do país. O sueco me disse que a polícia poderia ser qualquer automóvel que cruzasse ou passasse por nós, já que lá andavam sempre à paisana. Também não havia sinalização para localização de radares. As pessoas simplesmente respeitavam as regras. Quando alguém ia beber, simplesmente não dirigia. Achei fantástico. Aqui é justamente o contrário. As pessoas que têm algum dinheiro, mas nenhuma educação, querem ter carrões superpossantes para voar baixo nas ruas e nas estradas. Usam aquelas fitinhas nas placas para dificultar sua identificação. Compram em Miami aqueles detectores de radares para pisarem no freio apenas nas imediações do radar para, em seguida, voltar a voar baixo. E adoram ultrapassar pelo acostamento. Afinal, de acordo com a lei de Gérson, o importante é levar vantagem.
A nossa gloriosa classe média, de gente que frauda o imposto de renda e se gaba por ter conseguido uma restituição maior todo ano, é expert em criticar os governos e os políticos, na esteira do golpismo midiático. Essa gente, engajada na sórdida campanha do Zé Chirico no ano passado, espalhou spam apócrifo e difamatório contra a presidenta, inclusive aquela ficha falsa que a Folha, em uma de suas maiores barrigadas, publicou irresponsavelmente. Pois é, essa gente esperta dizia que não votaria na presidenta porque ela teria sido terrorista. No entanto, em São Paulo, esses fãs do lixo acabaram votando e elegendo um senador que foi terrorista, segundo a própria direita. Simplesmente esses spammers não sabiam que o senador foi motorista e guarda-costa do Marighela, pela ALN. Ou seja, foi um espetáculo de ignorância, preconceito e cinismo.